21 livros para conhecer o olhar das crianças sobre a deficiência

Os livros infantis são aliados potentes na luta pelo respeito às diferenças.
iStock/Arte Lunetas
  • Publicado em: 11.04.2019
  • Atualização: 06.07.2022
da Redação

Praticar um olhar inclusivo em nossas relações – em casa, na escola, na cidade – passa por nos provocar diariamente com uma questão: onde está a deficiência? Onde estão as crianças com deficiência? O que falta na rua, nos espaços comuns de convívio e de cultura, e no território como um todo, para que todos e cada um possa exercer sua liberdade de ser, estar, ir e vir?

Com este cuidado em mente, podemos praticar verdadeiramente a inclusão, entendendo que é preciso refletir constantemente sobre as barreiras pelas quais passa uma pessoa com deficiência, e assim lutar para que elas sejam eliminadas ou, ao menos, minimizadas. O Lunetas preparou uma lista com 21 títulos sobre crianças com deficiência: é nas nossas diferenças onde moram nossas riquezas.

Conheça 21 livros sobre crianças com deficiência

Joca e Dado: uma amizade diferente”, Henri Zylberstajn e La Casa de Carlota (Leiturinha) Joca, um menino neurotípico, é tímido e não tem muitos amigos. Artista, suas atividades favoritas são pintura e leitura no sossego do seu cantinho. Já Dado, que tem síndrome de Down, é cheio de energia: cantarolar e interagir com todas as pessoas é o que faz seu cotidiano ser do jeitinho que é. Ao se tornarem amigos, os meninos têm muitas trocas e aprendem juntos. Quando Joca descobre sobre a síndrome de Down do amigo, um novo mundo se abre: lá, ser diferente não é um motivo de preocupação. 
“Sonhos do dia”, Claudia Werneck (Wva Editora) A menina que protagoniza o livro sonha, durante a noite, que pode tudo. Mas todos os dias, ao acordar, volta a se deparar com as limitações que o mundo ao seu redor impõe. Cansada dessa situação, ela pede a heróis e heroínas, seres das galáxias, das revistas em quadrinhos, da televisão, dos sonhos de outras crianças, da internet, dos livros e das histórias que seu avô contava para que revelem o segredo de fazer os sonhos da noite não morrerem durante o dia.
“Alguém muito especial”, Miriam Portella (Moderna) China, um menininho com síndrome de Down, percebeu que não era igual às outras crianças. Tico, seu irmão mais velho, é a principal figura que começa a entender o mundinho de China, e, juntos, criam um sentimento de cumplicidade que move barreiras.
“Daniel no mundo do silêncio”, Walcyr Carrasco e Cris Eich (Ática) Quando Daniel perde a audição, aos 7 anos, ele precisa aprender a se comunicar com as mãos. Seus pais e o irmão mais novo dão o maior apoio durante essa adaptação, e o matriculam em uma escola especializada em educação para surdos, onde ele aprende a Libras, a Língua Brasileira de Sinais. É assim que ele e a família se comunicam. Depois de um tempo, Daniel passa a frequentar simultaneamente uma escola comum. Nesta, porém, ele sofre bullying e não consegue interagir com os colegas, pois ninguém compreende a língua de sinais. Tudo muda quando o garoto por pouco não sofre um grave acidente devido à surdez. A cena é presenciada por uma colega de classe que, naquele instante, entende o que é ser surdo. A partir daí surge a solidariedade. Os colegas descobrem que falar com as mãos pode ser divertido e ganham um amigo esperto e inteligente.
“Yunis”, Amal Naser e Anita Barghigiani (Tabla) Yunis, um garotinho com síndrome de Down, é um cozinheiro de mão cheia: doces e bolos maravilhosos são preparados por ele. Distribuindo seus quitutes pela vizinhança, ninguém sabe quem é o responsável pelas comidas. Quando descobrem, qual será a reação delas? 
“Uma nova amiga”, Lia Crespo e Cisko Diz (Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência) João é um menino cheio de imaginação que conversa com seus brinquedos. Diante de uma nova realidade em sua vida, conta com o apoio desses e de outros personagens para lidar com os desafios. A obra aborda a influência transformadora dos professores e a importância do apoio familiar.
“As cores no mundo de Lúcia”, Jorge Fernando dos Santos e Denise Nascimento (Paulus) O nome Lúcia é uma variação de Luzia, do grego Loukia, feminino de Lúcio, do latim Lucius. Essa palavra significa “luminoso ou iluminado” e é derivada de Lux, ou luz. Nesse livro, Lúcia é uma menina muito inteligente e que adora brincar. Alegre e carinhosa com os pais e os avós, ela não pode enxergar, pois sofre de cegueira congênita. No entanto, descobre uma maneira divertida de perceber as cores no mundo à sua volta. Ela sabe usar como ninguém a audição, o olfato, o paladar e o tato, sentidos aguçados que lhe permitem superar a deficiência visual. Com belas ilustrações e escrita em prosa poética, a história convida o leitor a superar preconceitos, a vencer dificuldades e a descobrir o quanto a vida pode ser uma festa.
“Não somos anjinhos”, Gusti (Solisluna) Já pensou que crianças com síndrome de Down são apenas… crianças? Além das particularidades, são amorosas, fazem travessuras, ficam felizes em alguns momentos e tristes em outros, assim como qualquer pequeno. Em “Não somos anjinhos”, algumas crenças bastante difundidas sobre as crianças com síndrome de Down são desmentidas. Anjinhos? Não!
“Tom”, André Neves (Editora Projeto) Este é um livro-pássaro com toda a delicadeza que o seu tema pede. Assim devemos abrir suas asas (as orelhas) ao início e ao final da leitura, pois elas contêm recados quase invisíveis. Nas ilustrações, Tom é um menino transparente que está sempre envolto de pássaros que ora o perpassam, ora o habitam por dentro, ora estão ao seu redor. Quem nos fala sobre Tom é o seu irmãozinho. Ele nos conta as suas perguntas, as suas percepções sobre Tom e os esforços da família no sentido de alcançar Tom, que parece viver num mundo distante e desconhecido por eles. Mas nós conheceremos um pouquinho do universo particular de Tom quando com um “vem” ele chama o irmão para experimentar de dentro o seu silêncio. A beleza e a sensibilidade das ilustrações são complementadas pela poesia do texto em tom esverdeado.
“Serei sereia?”, Kely de Castro e Amanda de Azevedo (Kapulana) Quem é Inaê? Menina ou sereia? Menina-sereia? Em que mundo vive, na terra, no mar? “Serei sereia?” é a história de Inaê, uma menina que já nasceu com o grande desafio de não poder andar. Nessa narrativa mágica, Inaê, como todas as crianças, passa por momentos de tristeza, alegria, conflito e tranquilidade. A bordo de sua cadeira de rodas, enfrenta obstáculos e, aos poucos, com o apoio de sua mãe, descobre que pode construir sua própria história.
“Menino baleia”, Lulu Lima e Natália Gregorini (Mil Caramiolas) Pode uma baleia, um animal imenso, caber dentro de um garotinho? Em “Menino baleia”, somos apresentados aos medos, alegrias e afetos de Roger, um menino autista. No mar de sentimentos que Roger leva dentro de si, é no encontro de mares que nos fortalecemos, nos acalmamos e partilhamos as pequenas coisas do cotidiano. 
“Tudo bem não ser igual: cada um é único e especial”, Roselaine Pontes de Almeida e Michelle Duarte (Saíra Editorial) A arraia também é um peixe, mas porque, olhando para si mesma, não conseguia se ver nos outros peixes? Em “Tudo bem não ser igual”, aceitação, empatia e singularidade são alguns dos tópicos da trajetória da nossa querida arraia, ao ver que é nas nossas diferenças que moram nossas riquezas.
“A festa inventada da Luara”, Maura Dias e Luciana Romão (Saíra Editorial) Uma festa de aniversário nos dá a oportunidade de inventar novos mundos: ficção, fantasia, magia, extraterrestres e dragões são algumas das figuras que a imaginação pode trazer à tona. No aniversário de Luara, um mundo diverso e cooperativo é a regra: comemorar a vida e cultivar as amizades é construir um futuro feliz.
“A princesa do olhinho preguiçoso”, Ricardo Ishmael e Heitor Neto (Mojubá) Sorridente, brincalhona e divertida: esta é Lalá, uma menina de seis anos diagnosticada com ambliopia – condição na qual um dos olhos “enxerga” menos do que o outro. Por sofrer bullying devido à sua condição, ela se sente tão magoada que foge para um mundo encantado. O livro aborda o tema com leveza e ludicidade, auxiliando pais e educadores a enxergarem sinais de que as crianças não estão sendo bem tratadas.
“Jota e Chico”, Carolina Resende Videira, Rafael Maluf, Patricia Auerbach e Roberta Asse (Mourthé) Jota, um garotinho com síndrome de Down, descobre que é diferente de seu primo Chico, uma criança neurotípica. Chico o acompanha nesse processo de descoberta, de forma empática e carinhosa. Com acessibilidade digital, “Jota e Chico” é uma obra com vários formatos e possibilidades de consumo: tem músicas, Libras, audiolivro e realidade aumentada no aplicativo (que pode ser baixado na Google Play ou Apple Store). 
Por que Heloísa?”, Cristiana Soares e Ivan Zigg (Companhia das Letrinhas) E se a gente conseguir ser igual ao outro e diferente ao mesmo tempo? As pessoas estão prontas para lidar com a diversidade? Escrito a partir de uma história real, “Por que Heloísa” aborda a trajetória de uma menina com paralisia cerebral e nos mostra que modificar nossa forma de olhar as questões relacionadas à deficiência e à existência humana pode tornar o mundo melhor para todos.
“Canarim – um passarinho especial”, Magali Queiroz (Alis) Um passarinho muito simpático pula para todo o lado, tendo apenas uma perninha. Apesar da sua limitação, ele conseguiu criar uma linda orquestra na floresta – além de receber uma prótese feita pelos colegas.
“Os 4 distintos”, Gustavo Bartolozzi e Rômulo Garcias (Independente) Baseado em peça de teatro, o livro conta a história de quatro amigos que querem aproveitar a companhia uns dos outros, independente das diferenças que possuem. Trazendo à tona a importância de manter os laços afetivos e as amizades por perto, as personagens dividem sonhos, medos e vontades por meio da dança.
“As aventuras de um cão chamado Petit”, Heloisa Prieto e Maria Eugênia (FTD Educação) Petit é um cachorro pequeno que cresceu, contrariando o nome. Alice é uma garota muito inteligente, que adora brincar no seu próprio mundo e desenhar. Junto da irmã mais velha Olívia, os três vivem aventuras no cotidiano que tratam sobre autismo, dificuldade de socialização e bullying, além da importância da inclusão e do apoio às crianças com deficiência.
“Somos iguais, mas diferentes”, Laís Palma Elsing e Luciana Romão (Saíra Editorial) Mãe de trigêmeas com paralisia cerebral, Laís Palma escreve para a primeira infância sobre a diversidade e a beleza que há em ser diferente Afinal, ninguém é igual a ninguém. E está tudo bem!
“Nosso corpo é demais!”, Tyler Feder e Laura Folgueira (Melhoramentos) “Diferentes, parecidos, mas nunca iguais”: é no nosso corpo que respiramos, refletimos e fazemos nossa vida extraordinária todos os dias. Neste livro, os autores trazem um manifesto de positividade corporal, alegre e inclusivo, com muita cor e acolhimento pelos corpos que nos fazem existir por aí.

* As descrições foram elaboradas a partir de materiais enviados pelas editoras, pelo parceiro Centro de Referências em Educação Integral e pelo Mais Diferenças.

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Resumo

Livros infantis sobre crianças com deficiência podem ser uma ferramenta potente na luta pelo respeito à diferença na sociedade. Confira essa lista, e inspire-se para incrementar a biblioteca da sua criança.
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