Emergência climática e as infâncias: por um futuro no presente

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Publicado em: 20.09.2021

Crianças de hoje e de amanhã, escrevemos para pedir desculpa. Em nome de toda a sociedade, nos desculpamos por deixar o planeta chegar ao limite, com enchentes, tempestades, desmatamento, incêndios florestais e temperaturas extremas.

A emergência climática coloca em risco a nossa própria existência e promete ser o maior desafio da humanidade. É injusto que toda a responsabilidade caia sobre as crianças sem que nós, adultos, façamos algo. 

Quando se fala em crise climática, raramente as crianças são incluídas no debate: elas são colocadas sempre no “futuro”, mas já estão sendo impactadas agora. Como diz Ana Clara, de 12 anos, as crianças são as mais afetadas “por um problema que não inventamos”.

O primeiro passo para nos mobilizar e pegar o futuro pelas mãos é ter acesso a informações seguras e confiáveis. Por isso, reunimos um time de jornalistas e especialistas para trazer esta série de conteúdos aprofundados e abordagens inéditas sobre a crise climática e as múltiplas infâncias. Nós, do Lunetas, convidamos você a participar dessa jornada que começa agora e se estenderá ao longo de 2022, com reportagens que mostram os diferentes impactos da emergência climática às crianças brasileiras; caminhos e soluções para combater a crise; reflexões e inspirações, por meio de conversas com lideranças ambientais e representantes de movimentos identitários e ancestrais; e a seção A vez das crianças, com materiais sobre clima feitos para elas. 

Nosso desejo é que este tema esteja no dia a dia das escolas, nos almoços em família, nas políticas públicas, nas conversas com as crianças… Que a gente possa agir para que todas as crianças tenham um futuro no presente.

Pensar no futuro é pensar nas ações de hoje.
Não deixar que se esvazie o significado da palavra emergência é um dever de todos nós.

Impactos para as crianças

A abordagem sobre os impactos da crise climática geralmente é feita a partir do ponto de vista de adultos ou especialistas. Se as crianças são as mais afetadas por seus efeitos, por que não são protagonistas das notícias, das discussões e das políticas públicas?

Nesta seção, reunimos os principais impactos da emergência climática às múltiplas infâncias brasileiras, desde os efeitos à saúde física e mental, passando pelo acesso à educação, mudanças no modo de vida, aumento de violências e trabalho infantil, incluindo as crianças ainda mais vulnerabilizadas: meninas negras, indígenas e quilombolas. 

Os impactos da crise climática às crianças já estão em curso; compreendê-los é o primeiro passo para a mobilização. 

Os efeitos da emergência climática à saúde das crianças

A primeira infância é mais afetada pelos efeitos das mudanças climáticas; soluções exigem esforços conjuntos e priorização das populações vulnerabilizadas

Crianças vivem as memórias e o medo dos incêndios no Pantanal

Incêndio florestal histórico que destruiu 27% do Pantanal e desabrigou famílias inteiras até hoje impacta a saúde e o modo de vida das crianças ribeirinhas

Como a crise climática afeta a vida escolar de crianças no Brasil

Eventos climáticos extremos deixam famílias ainda mais vulnerabilizadas, dificultam o acesso de crianças à escola e podem impulsioná-las ao trabalho infantil

A crise hídrica é uma crise dos direitos das crianças

A falta de água, potencializada pela crise climática e pela má gestão dos recursos hídricos, impacta a produção de alimentos e aumenta a insegurança alimentar

Ansiedade climática: quando a emergência climática assusta as crianças

É preciso escutar e acolher os sentimentos das crianças, conversar sobre o tema mostrando as soluções e prepará-las para serem cidadãs neste novo mundo

Biomas em chama: o impacto das queimadas na saúde das crianças

O aumento dos incêndios florestais no Pantanal e na Amazônia agrava os índices de poluição do ar, afetando principalmente crianças e gestantes

Como o racismo se revela na crise climática e afeta a infância?

Impactos climáticos não são democráticos e ameaçam as infâncias de formas distintas. Enfrentar as desigualdades socioambientais é parte da luta antirracista

Sindemia global: um olhar sobre o futuro da saúde das crianças

Juntas, as crises climática, de obesidade e de desnutrição estão associadas ao sistema alimentar e representam um dos principais desafios atuais da humanidade

Meninas e mulheres na linha de frente dos impactos climáticos

A crise climática aumenta os índices de casamento infantil, exploração e violência sexual; a chave para lutar por justiça climática e de gênero está na educação

As infâncias indígenas sob ameaça do garimpo ilegal na Amazônia

Contaminação por mercúrio, insegurança alimentar e aumento dos casos de violência são alguns efeitos da exploração do ouro por garimpeiros na região

Precisamos preparar as crianças para serem cidadãs em um planeta com problemas. É o fim do mundo como o conhecemos, mas cenário de um novo mundo para crianças e jovens”

Adriana Ramos Instituto Socioambiental (ISA)

“Quando a gente luta pelo meio ambiente, lutamos por uma infância que ainda não chegou. E quando ela chegar, precisará receber de nós um ambiente em condições de vida e igualdade”

Diosmar Filho Geógrafo e professor

“Espero que eu nunca precise ver nenhum dos meus amigos feridos, ou perder alguma pessoa que eu goste por conta de um problema que a gente não inventou”

Ana Clara 12 anos, moradora do Morro da Providência, no Rio de Janeiro (RJ)

“As crianças serão diretamente afetadas em um futuro de consequências incertas e, por isso, devem ser incluídas no debate sobre mudanças climáticas”

Evangelina Vormitagg Instituto Saúde e Sustentabilidade

“O fogo devastou tudo e contaminou a água, não posso nem brincar mais no rio. Mas nossa família não desiste. Queremos voltar a morar lá e viver felizes”

Esdras 7 anos, morador da comunidade de São Francisco, no Pantanal sul-mato-grossense

“É importante mostrar para as crianças que temos condições de agir, que existe tecnologia e acúmulo de conhecimento e que somos capazes de reverter esse processo”

Paulo Moutinho Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)

“Todo mundo depende da floresta, porque sem a floresta a gente não existe. A floresta é vida, é a nossa vida”

Aldira Munduruku Mãe de quatro filhos, integrante do Coletivo Audiovisual Munduruku

“É preciso criar dinâmicas para envolver familiares e crianças no processo de aprendizagem e busca de soluções para a questão climática”

Marina Marçal Instituto Clima e Sociedade

“Eu senti uma tristeza enorme ao ver todo aquele fogo. Eu brincava de esconder no mato, mas agora não podemos mais. A baía secou e o mato queimou com o fogo”

Naiara 12 anos, moradora de Ladário (MS)

“O momento de ser criança, de estar na escola, de brincar e ampliar as possibilidades de desenvolvimento é negado quando não há acesso à água limpa”

Junior Aleixo Action Aid

Caminhos e soluções

Entender os impactos da emergência climática nas nossas vidas e nas vidas das crianças não pode nos paralisar. Conhecendo suas consequências, podemos nos mobilizar por ações concretas que barrem seus efeitos. Em breve, traremos conteúdos que mostram caminhos e soluções para conter a crise climática, com materiais para informar pais, educadores e responsáveis e conversar sobre o tema com os pequenos. 

Continue com a gente!

Reportagem

Alice de Souza
Andréia Coutinho Louback
Camilla Hoshino
Eduarda Ramos
Élida Cristo
Juliana Zanlorenzi
Laís Barros Martins
Michele Bravos
Raquel de Paula Oliveira
Sheila Ana Calgaro

Textos de opinião

Angela Barbarulo
Bebel Barros
Danilo Farias
Leila Vendrametto
Paula Mendonça

Edição

Sheila Ana Calgaro

Checagem de dados

Andréia Coutinho Louback

Videomanifesto

Toca de Barro

Ilustrações

Anna Cunha

Desenvolvimento

Sintrópika

Mídias digitais

João Santana
Larissa Fernandes

Produção executiva

Raquel de Paula Oliveira
Sheila Ana Calgaro

Coordenação

Raquel de Paula Oliveira

Rede de apoio