Foto de um menino na cadeira de rodas com um livro em mãos e com ele, outro menino apoiado na cadeira de rodas, ambos estão em uma biblioteca. iStock/Arte Lunetas
  • Publicado em: 11.04.2019

Praticar um olhar inclusivo em nossas relações – em casa, na escola, na cidade – passa por nos provocar diariamente com uma questão: onde está a deficiência? O que falta na rua, nos espaços comuns de convívio e de cultura, e no território como um todo, para que todos e cada um possa exercer sua liberdade de ser, estar, ir e vir? Para contribuir com essa discussão, nosso parceiro Centro de Referências em Educação Integral compartilhou uma lista de seis livros infantis que trazem crianças com deficiência como protagonistas.

Com este cuidado em mente, podemos praticar verdadeiramente a inclusão, entendendo que é preciso refletir constantemente sobre as barreiras pelas quais passa uma pessoa com deficiência, e assim lutar para que elas sejam eliminadas ou, ao menos, minimizadas.

Organizada pelo Mais Diferenças, a lista prioriza o olhar infantil sobre suas condições, levando o leitor – crianças e adultos – a refletir sobre qual o papel de cada um para a construção de uma sociedade empática à diferença. As obras estão disponíveis na biblioteca virtual do Mais Diferenças, em formatos acessíveis.

Conheça 6 livros sobre crianças com deficiência

“Sonhos do dia” – Claudia Werneck (Wva Editora)
Capa do liVro "Sonhos do dia", de Claudia Weneck-Wva Editora, com a imagem de uma menina, com uma parte do rosto com o olho fechado, atras dela mostra a noite, e outra parte do rosto dela com o olho aberto, atrás mostra o dia
A menina que protagoniza o livro sonha, durante a noite, que pode tudo. Mas todos os dias, ao acordar, volta a se deparar com as limitações que o mundo ao seu redor impõe. Cansada dessa situação, ela pede a heróis e heroínas, seres das galáxias, das revistas em quadrinhos, da televisão, dos sonhos de outras crianças, da internet, dos livros e das histórias que seu avô contava para que revelem o segredo de fazer os sonhos da noite não morrerem durante o dia.
“Daniel no mundo do silêncio” – Walcyr Carrasco e Cris Eich (Ática)
Capa do livro " Daniel no mundo do silêncio", de Walcyr Carrasco(texto) e Cris Eich(ilustrações)-Ática, com imagem de um menino,com uma touca, e com a mão no queixo, olhando para o passarinho em um galho
Quando Daniel perde a audição, aos 7 anos, ele precisa aprender a se comunicar com as mãos. Seus pais e o irmão mais novo dão o maior apoio durante essa adaptação, e o matriculam em uma escola especializada em educação para surdos, onde ele aprende a Libras, a Língua Brasileira de Sinais. É assim que ele e a família se comunicam. Depois de um tempo, Daniel passa a frequentar simultaneamente uma escola comum. Nesta, porém, ele sofre bullying e não consegue interagir com os colegas, pois ninguém compreende a língua de sinais. Tudo muda quando o garoto por pouco não sofre um grave acidente devido à surdez. A cena é presenciada por uma colega de classe que, naquele instante, entende o que é ser surdo. A partir daí surge a solidariedade. Os colegas descobrem que falar com as mãos pode ser divertido e ganham um amigo esperto e inteligente.
“Uma nova amiga” – Lia Crespo (Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência)
Capa do livro "Uma nova amiga", de Lia Crespo - Secretaria dos Direitos de Pessoa com Deficiência
João é um menino cheio de imaginação que conversa com seus brinquedos. Diante de uma nova realidade em sua vida, conta com o apoio desses e de outros personagens para lidar com os desafios. A obra aborda a influência transformadora dos professores e a importância do apoio familiar.
“As cores no mundo de Lúcia” – Jorge Fernando dos Santos e Denise Nascimento (Paulus Editora)
Capa do livro "As cores do mundo de Lucia", de Jorge Fernando dos Santos - Paulus Editora
O nome Lúcia é uma variação de Luzia, do grego Loukia, feminino de Lúcio, do latim Lucius. Essa palavra significa “luminoso ou iluminado” e é derivada de Lux, ou luz. Nesse livro, Lúcia é uma menina muito inteligente e que adora brincar. Alegre e carinhosa com os pais e os avós, ela não pode enxergar, pois sofre de cegueira congênita. No entanto, descobre uma maneira divertida de perceber as cores no mundo à sua volta. Ela sabe usar como ninguém a audição, o olfato, o paladar e o tato, sentidos aguçados que lhe permitem superar a deficiência visual. Com belas ilustrações e escrita em prosa poética, a história convida o leitor a superar preconceitos, a vencer dificuldades e a descobrir o quanto a vida pode ser uma festa.
“Tom” – André Neves (Editora Projeto)
Capa do livro "Tom, de André Neves-Editora Projeto, uma imagem de uma árvore
Este é um livro-pássaro com toda a delicadeza que o seu tema pede. Assim devemos abrir suas asas (as orelhas) ao início e ao final da leitura, pois elas contêm recados quase invisíveis. Nas ilustrações, Tom é um menino transparente que está sempre envolto de pássaros que ora o perpassam, ora o habitam por dentro, ora estão ao seu redor. Quem nos fala sobre Tom é o seu irmãozinho. Ele nos conta as suas perguntas, as suas percepções sobre Tom e os esforços da família no sentido de alcançar Tom, que parece viver num mundo distante e desconhecido por eles. Mas nós conheceremos um pouquinho do universo particular de Tom quando com um “vem” ele chama o irmão para experimentar de dentro o seu silêncio. A beleza e a sensibilidade das ilustrações são complementadas pela poesia do texto em tom esverdeado.
“Serei sereia?” – Kely de Castro (Kapulana)
Capa do livro "Serei sereia", de Kely de Castro -Kapulana, com uma menina sereia
Quem é Inaê? Menina ou sereia? Menina-sereia? Em que mundo vive, na terra, no mar? “Serei sereia?” é a história de Inaê, uma menina que já nasceu com o grande desafio de não poder andar. Nessa narrativa mágica, Inaê, como todas as crianças, passa por momentos de tristeza, alegria, conflito e tranquilidade. A bordo de sua cadeira de rodas, enfrenta obstáculos e, aos poucos, com o apoio de sua mãe, descobre que pode construir sua própria história.

Resumo

Livros infantis sobre crianças com deficiência podem ser uma ferramenta potente na luta pelo respeito à diferença na sociedade. Confira essa lista, e inspire-se para incrementar a biblioteca da sua criança.
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