Livro convida adultos e crianças a redescobrir o potencial de cada ambiente — com objetos simples, imaginação e tempo protegido para brincar
Transformar o cotidiano em brincadeira é o convite do livro “Viagem lúdica”, de Adriana Klisys. A autora propõe um roteiro imaginário por sete cômodos da casa, onde cada espaço vira um destino de criação e encontros.
Viajar dentro de casa, transformar cômodos em espaço para brincadeiras e malas em tanques de areia, túneis, cabanas. Ressignificar o cotidiano com imaginação e proteger o tempo de brincar — é esse o convite da escritora Adriana Klisys.
O livro propõe um retorno ao olhar curioso da infância e ajuda os adultos destreinados com um roteiro: tem checklist de tesouros escondidos e dicas de leituras inspiradoras, além de fotos que mostram malas transformadas em tanques de areia, jardins, sofás, cabanas e até banheiras cheias de fantasia.
Na obra, crianças e adultos embarcam em uma viagem para sete destinos dentro de casa: cozinha, quintal, quarto, sala, corredor, lavanderia e banheiro. “Toda jornada, geográfica ou existencial, é convite a reinventar olhares”, diz Adriana. “Brincar revela que nossa maior viagem acontece dentro de nós, onde a imaginação é bagagem infinita.”
Lunetas deixa um gostinho do que “Viagem lúdica” propõe: criar a partir do que está ao alcance das mãos, com objetos simples, e despertar o olhar encantado com o que já habita a casa.
Cozinha: coração do lar
Lugar de experiências sensoriais e faz de conta, onde utensílios viram brinquedos:
Quintal: alma da infância
Quem tem o privilégio de ter um pedaço da casa ao ar livre pode transformar o chão em liberdade com:
Quarto: aconchego dos sonhos
Lugar de sonhar, fazer silêncio e também de bagunçar. Esconderijos e tesouros estão por toda parte:
Sala: celebração dos encontros
Muito requisitada pelas crianças, porque é espaço de pertencimento, trocas, e até festas. O faz de conta pode nascer de:
Corredor: conexão entre espaços
Como portais mágicos, conecta espaços e histórias. O mais importante são as pessoas que transitam nele. Portanto, aqui, há apenas um tesouro:
Lavanderia: central de limpeza da casa
Tirando os produtos de limpeza do alcance das crianças, vira ateliê de pintura ou piscina de bonecos. É possível usar:
Banheiro: central de limpeza do corpo
Lugar de intimidade, entre espelhos e espuma, cabem histórias e descobertas:

A ideia do livro nasceu durante a pandemia, quando as malas que antes acompanhavam Adriana ficaram guardadas. O que servia para transportar livros e materiais de trabalho virou matéria-prima para o brincar. “Foi um exercício de ressignificar o que estava à volta. Criar com o que se tem é uma das maiores lições que a infância nos oferece.”
Para a escritora, as crianças são “doutoras em imaginário”, porque brincam como respiram. “O segredo da imaginação está no tédio fértil, aquele momento em que nada parece acontecer, mas o pensamento começa a criar mundos”, explica. “Portanto, precisamos reaprender o mundo sob o olhar de uma criança.”
A autora define esse movimento como um triângulo criativo, que impulsiona o brincar humano:
Entretanto, na era digital, esse ciclo criativo tem sido interrompido. “As telas oferecem estímulos prontos que suprimem o tédio e substituem a imaginação ativa por respostas instantâneas”, diz. “O resultado são crianças com dificuldade de tolerar pausas e adultos sem espaço para o devaneio.”
Proteger a imaginação, então, é um ato de resistência. “Isso exige cultivar tempo eespaços sagrados,onde brincar é prioridade e não entretenimento residual.”