Racismo: 5 livros para lembrar que o mundo é de muitas cores

Crianças que conhecem exemplos positivos de diversidade crescem mais conscientes do preconceito e mais aptas para lutar contra ele
  • Publicado em: 23.11.2017
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O ano é 2018, mas a reflexão é a mesma desde que o Brasil ganhou status de país: o racismo ainda intrincado nas relações interpessoais, no mercado de trabalho, nas composições sociais e nas estruturas de poder.

Por que falar (cada vez mais) sobre isso?

Conversar com as crianças sobre a questão negra no Brasil é tarefa complexa, mas fundamental, e passa também por discutir a violência que recai sobre essa população, principalmente porque afeta em cheio a infância de hoje.  Segundo o IHA (Índice de Homicídios na Adolescência ) pesquisa do Unicef em parceria com o Observatório de Favelas, o cenário aponta o homicídio massivo de jovens negros e pobres: de cada mil adolescentes brasileiros, pelo menos três serão assassinados antes de completar 19 anos, e negros são as maiores vítimas, com taxas 2,88 vezes mais elevadas.

Mauricio Negro

Imagem interna do livro “Gente de cor, cor de gente”. “É minha plataforma para manejar preconceitos, meus e de todos”, diz o autor.

Considerando a literatura como porta de entrada para a pluralidade do mundo, listamos aqui histórias que discutem o preconceito na sociedade, mas também instigam a criança a praticar um olhar sensível para a diversidade racial. Afinal, uma infância livre de preconceitos não se faz só de livros que refletem o valor da cultura afrobrasileira e escancaram as situações de racismo, mas também daquelas histórias sobre as relações mais cotidianas, que nos mostram com simplicidade como o mundo tem várias cores, e é preciso celebrá-las.

Para nossa sorte, a literatura infantil e juvenil está cheia de livros que cumprem bem este papel, clássicos que atravessam os tempos, como “Menina bonita do laço de fita”, de Ana Maria Machado, ou o “O menino marrom” , de Ziraldo – ambos publicados nos anos 80, entre outros tantos. Aqui, listamos obras mais recentes, que mostram como a reflexão sobre o assunto continua urgente, dentro e fora das escolas.

1. “A cor de Coraline” (Rocco, 2016)
Me passa o lápis cor de pele?”. É essa pergunta que move o livro de Alexandre Rampazo, lançado no ano passado. Mas afinal,”cor de pele é uma só?“, questiona a personagem. Ao colocar uma criança negra no centro dessa pergunta, o autor propõe uma reflexão sobre identidade, representatividade, empatia e consciência sobre a pluralidade. A história também chama a atenção para como o preconceito é socialmente construído, e, portanto, apreendido pelas crianças a partir da atitude dos adultos.
2. “Cor de gente, gente de cor” (FTD, 2017)
Neste livro-imagem – lançado este ano – o artista gráfico e escritor Mauricio Negro parte de uma expressão perigosamente naturalizada na sociedade para definir uma pessoa negra: “gente de cor”. A sacada é mostrar como todo ser humano compartilha compartilha das emoções, medos e angústias. A cada virada de página, o leitor se depara com dois personagens: um tem a pele negra, o outro tem a pele de outra cor. Lado a lado, eles vivem momentos de fome, frio, calor, raiva, ou alegria.
3. “Zumbi assombra quem?” (Nós, 2017)
O líder quilombola Zumbi dos Palmares se eternizou na História como um símbolo da resistência negra. Mas como ele aparece no imaginário social do brasileiro? Como as crianças o veem? Que outros símbolos habitam a discussão sobre raça no universo da infância? Buscando sensibilizar as crianças sobre questões de raça, de classe e também sobre a ancestralidade, o escritor e historiador Allan da Rosa traz um olhar sobre a cultura afrobrasileira pela perspectiva de uma criança. No livro, o menino Candê está muito curioso sobre a africanidade que traz na pele e na alma, e faz uma série de descobertas sobre a cultura negra.
4. “Olhe para mim” (Pulo do Gato, 2015)
O premiado livro dos autores belgas Ed Franck (texto) e Kris Nauwelaerts (ilustrações) é um exemplo de como o preconceito aparece nas relações sociais e é reproduzida pelos pequenos. Na história, o menino africano Kitoko foi adotado pela mãe, que é branca e está grávida. Em seus medos de criança, ele só consegue pensar se a nova irmã vai aceitá-lo por ser diferente dela. Angustiado enquanto acompanha a mãe no museu onde ela trabalha, ele adormece e sonha com a África, relembrando a história carregada de sofrimento de sua família de sangue. O livro propõe uma reflexão sobre o choque de culturas, a construção social do racismo, e como isso tudo impacta a percepção de mundo e de si de uma criança. Brincando com a questão da identidade e representação, no final do livro, há informações sobre uma série de pinturas que aparecem ao longo da história e passam quase desapercebidas pelo leitor, como Monet e Dalí.
5. “No black power de Tayó” (Peirópolis, 2012)
Tayó é uma menina negra que tem orgulho de sua cabeleira crespa, inventando as mais variadas formas de enfeitá-la. A personagem, criada pela escritora e pesquisadora Kiusam de Oliveira, é a protagonista do livro, que aprende a tomar parte de sua identidade ao responder aos colegas que rotulam seu cabelo de “ruim”. “Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos“, diz a pequena. A história é uma jornada pela autoconfiança, e ajuda meninas e meninos a se empoderar de seus cachos e valorizar sua beleza natural.

Resumo

Existem pessoas pretas, brancas, amarelas, marrons e outras que são uma mistura de tudo isso. Conheça histórias infantis que valorizam a pluralidade do mundo.
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