Cabelo crespo: 7 livros infantis para amar todos os tipos de fios

Para inspirar que todas as crianças valorizem e ressignifiquem a sua relação com todos os tipos de cabelos
iStock/arte Lunetas
  • Publicado em: 06.04.2021
  • Atualização: 05.07.2021
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Os cabelos são mais que uma parte do corpo, são linguagem, veículo de expressão e até símbolo de resistência cultural. Essa é a análise que Nilma Lino Gomes, professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), faz em seu livroSem perder a raiz: corpo e cabelo como símbolos da identidade negra, uma interpretação das ações e atividades desenvolvidas nos salões étnicos de Belo Horizonte e a recriação e reinterpretação de penteados como formas de expressão estética e identitária negra. Mulheres e homens negros redescobriram e ressignificaram sua relação com os cabelos já na fase adulta. E se essa valorização fosse cultivada desde a infância? 

Queremos que todas as crianças valorizem as diversas identidades, assim, teremos crianças amando a si e a seus cabelos.

A literatura infantil pode ser uma ponte para começar essas conversas. Selecionamos sete livros que trazem os cabelos em contextos de beleza, positivos, e reflexivos. 

Livros infantis para inspirar a relação com o cabelo crespo

“Betina” (Mazza Edições) Este livro, escrito por Nilma Lino Gomes e ilustrado por Denise Nascimento, valoriza a ancestralidade e é inspirado em histórias reais, coletadas ao longo do doutorado da autora. O trançar dos cabelos da personagem Betina pela avó vem carregado das histórias dos que vieram antes, seus ancestrais. As lições dos penteados — que no continente africano são como símbolos e têm significados diversos — são passadas de geração para geração. Com a avó, a menina aprendeu, cresceu, tornou-se uma cabeleireira reconhecida e valorizou a beleza dos cabelos de muitas pessoas.
“Os Mil Cabelos de Ritinha” (Semente Editorial) Quem é que gosta de usar todo dia o mesmo visual? Ritinha, com certeza não! A cada dia da semana, alguém da família ou da vizinhança ajuda a menina a criar penteados: de um belo e poderoso black power às tranças nagô, feitas pelo vovô. Enquanto os cabelos vão tomando formas e a semana vai passando, Ritinha espera ansiosa por uma novidade que está para chegar na sua família. Além da valorização da autoestima das crianças, essa narrativa explora as relações familiares de uma forma distante de estereótipos. Quem é que não gostaria de ter um avô que passa a tarde fazendo trancinhas no cabelo das netas? Escrito por Paloma Monteiro e ilustrado por Daniel Gnattali. 
“No black power de Tayó” (Peirópolis) O livro, escrito por Kiusam de Oliveira e ilustrado por Taisa Borges, conta a história de Tayó, que na língua africana iorubá significa ‘da alegria’. Tayó é uma menina negra que tem orgulho de sua cabeleira crespa, inventando as mais variadas formas de enfeitá-la. A personagem aprende a tomar parte de sua identidade ao responder aos colegas que rotulam seu cabelo de “ruim”. “Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos”, diz a pequena. A história é uma jornada pela autoconfiança e ajuda meninas e meninos a se empoderar de seus cachos e valorizar sua beleza natural.
“Meu crespo é de rainha” (Boitatá) Escrito por bell hooks e ilustrado por Chris Raschka, esse é daqueles livros gostosos de ler em voz alta. O poema rimado traz versos para se orgulhar dos cabelos como são e ressignificar termos usados de forma preconceituosa em um contexto de valorização como no verso ‘Pixaim, sim! Gosto dele bem assim!’. Combinadas ao poema, as ilustrações mostram as mais variadas formas de penteados e cortes de cabelo e as relações que se formam a partir desse símbolo identitário. É o primeiro livro infantil da autora e nasceu como resposta a um episódio racista que ela presenciou, em uma escola primária no Brooklyn, nos Estados Unidos, quando uma professora leu para as crianças uma história sobre cabelos “ruins”.
“Amor de cabelo” (Galera) Um dia muito aguardado chegou e como a data era importante, o penteado deveria estar à altura. A pequena Zuri estava empenhada em arrumar seus cabelos que têm vida própria e são mágicos, como ela diz. Antes, quem cuidava deles era a mãe. Agora, precisaria contar com a ajuda do pai, que não entendia muito sobre tranças, pentes e cremes. Em meio à frustração e insegurança com os resultados insatisfatórios das primeiras tentativas, a cumplicidade entre pai e filha e um empurrãozinho dos tutoriais da internet resultam em um penteado perfeito. Zuri estava pronta para o grande dia. O livro foi inspirado no curta-metragem Hair Love, que ganhou o Oscar de melhor animação em 2020. Mais que um penteado perfeito, a narrativa nos leva para os caminhos do afeto. Escrito por Matthew A. Cherry e ilustrado por Vashti Harrison.
“Com qual penteado eu vou?” (Melhoramentos) Escrito por Kiusam de Oliveira e ilustrado por Rodrigo de Oliveira, este livro é uma forma de celebrar a beleza de cada criança, independente de qual penteado ela vai. O centenário de seu Benedito, bisavô da protagonista Aisha, é o cenário perfeito para uma história repleta de ancestralidade, diversidade e amor. Entre as múltiplas possibilidades de penteados que Aisha pode escolher e as diversas virtudes que são dadas de presente para seu Benedito, “Com qual penteado eu vou?” traz uma narrativa afetuosa, com ilustrações de várias crianças negras e seus penteados que valorizam a ancestralidade e a história de cada uma. Com apresentação da atriz Taís Araújo, o livro reforça: “É preciso conhecer de onde viemos para entender quem somos e traçar o caminho que seguiremos”.
“Cabelos” (Companhia das Letrinhas) “Era uma vez um menino chamado Radoberto. Ele tinha uma tesoura e queria cortar.” E assim, a partir do desejo de um menino, os cabelos se tornaram o assunto mais comentado do reino. Porque ele fazia os cortes mais incríveis, em pouco tempo todos queriam um novo visual moldado por suas tesouras. Inclusive o rei, que foi bater à porta de Radoberto, exigindo um corte caprichado. O garoto fez o corte mais legal da história dos cabelos mais legais, mas não foi suficiente para agradar à vossa majestade que, do alto de seu autoritarismo, proibiu as tesouras e os cabeleireiros no reino! Uma divertida fábula, escrita e ilustrada por Jeffrey Fisher, que aborda a disputa entre tirania e criatividade tendo como mote, veja só, os cabelos!

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Resumo

Queremos que todas as crianças valorizem as diversas identidades, assim, teremos crianças amando a si e a seus cabelos. Por isso, o Lunetas preparou uma lista com livros infantis para amar, respeitar e valorizar todos os tipos de fios.
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