‘Viagem lúdica’: um roteiro de brincar pelos cômodos de casa

Livro convida adultos e crianças a redescobrir o potencial de cada ambiente — com objetos simples, imaginação e tempo protegido para brincar

Fernanda Martinez Publicado em 16.01.2026
Imagem dividida em duas partes. À esquerda, uma mala aberta transformada em mini horta, com plantas verdes crescendo em recipientes e pequenas ferramentas de jardinagem apoiadas à frente. À direita, foto de Adriana Klisys. Ela aparece sorridente segurando o livro Viagem lúdica.

Resumo

Transformar o cotidiano em brincadeira é o convite do livro “Viagem lúdica”, de Adriana Klisys. A autora propõe um roteiro imaginário por sete cômodos da casa, onde cada espaço vira um destino de criação e encontros.

Viajar dentro de casa, transformar cômodos em espaço para brincadeiras e malas em tanques de areia, túneis, cabanas. Ressignificar o cotidiano com imaginação e proteger o tempo de brincar — é esse o convite da escritora Adriana Klisys.

Image
“Viagem lúdica”, Adriana Klisys (Drix Klisys Editora)

O livro propõe um retorno ao olhar curioso da infância e ajuda os adultos destreinados com um roteiro: tem checklist de tesouros escondidos e dicas de leituras inspiradoras, além de fotos que mostram malas transformadas em tanques de areia, jardins, sofás, cabanas e até banheiras cheias de fantasia.

Na obra, crianças e adultos embarcam em uma viagem para sete destinos dentro de casa: cozinha, quintal, quarto, sala, corredor, lavanderia e banheiro. “Toda jornada, geográfica ou existencial, é convite a reinventar olhares”, diz Adriana. “Brincar revela que nossa maior viagem acontece dentro de nós, onde a imaginação é bagagem infinita.”

Para brincar com o que já se tem

Lunetas deixa um gostinho do que “Viagem lúdica” propõe: criar a partir do que está ao alcance das mãos, com objetos simples, e despertar o olhar encantado com o que já habita a casa.

Cozinha: coração do lar

Lugar de experiências sensoriais e faz de conta, onde utensílios viram brinquedos:

  • Abridores de garrafa e vinho;
  • Coadores;
  • Condimentos;
  • Frigideiras;
  • Rolo de macarrão;
  • Toalhas de mesa.

Quintal: alma da infância

Quem tem o privilégio de ter um pedaço da casa ao ar livre pode transformar o chão em liberdade com:

  • Terra ou areia;
  • Água;
  • Plantas;
  • Composteira;
  • Varal;
  • Balanço.

Quarto: aconchego dos sonhos

Lugar de sonhar, fazer silêncio e também de bagunçar. Esconderijos e tesouros estão por toda parte:

  • Armário;
  • Abajur;
  • Colchão;
  • Lençóis;
  • Roupas;
  • Travesseiros.

Sala: celebração dos encontros

Muito requisitada pelas crianças, porque é espaço de pertencimento, trocas, e até festas. O faz de conta pode nascer de:

  • Aparelho de som;
  • Almofadas;
  • Cortina;
  • Enfeites;
  • Tapete;
  • Vasos.

Corredor: conexão entre espaços

Como portais mágicos, conecta espaços e histórias. O mais importante são as pessoas que transitam nele. Portanto, aqui, há apenas um tesouro:

  • Livre passagem.

Lavanderia: central de limpeza da casa

Tirando os produtos de limpeza do alcance das crianças, vira ateliê de pintura ou piscina de bonecos. É possível usar:

  • Bacias;
  • Baldes; 
  • Cestos de roupa;
  • Pregadores;
  • Rodo;
  • Vassoura.

Banheiro: central de limpeza do corpo

Lugar de intimidade, entre espelhos e espuma, cabem histórias e descobertas:

  • Bucha;
  • Bolas de desodorante roll-on;
  • Espelho;
  • Maquiagens;
  • Papel higiênico;
  • Touca de banho.
Já imaginou que uma mala pode virar um jardim?

Viver com olhos de infância

A ideia do livro nasceu durante a pandemia, quando as malas que antes acompanhavam Adriana ficaram guardadas. O que servia para transportar livros e materiais de trabalho virou matéria-prima para o brincar. “Foi um exercício de ressignificar o que estava à volta. Criar com o que se tem é uma das maiores lições que a infância nos oferece.”

Para a escritora, as crianças são “doutoras em imaginário”, porque brincam como respiram. “O segredo da imaginação está no tédio fértil, aquele momento em que nada parece acontecer, mas o pensamento começa a criar mundos”, explica. “Portanto, precisamos reaprender o mundo sob o olhar de uma criança.”

A autora define esse movimento como um triângulo criativo, que impulsiona o brincar humano:

  • Tédio: espaço vazio que desafia a mente a preencher lacunas;
  • Imaginação: ponte entre o vazio e a invenção, onde surgem soluções não óbvias;
  • Brincar: laboratório prático para testar ideias sem medo do erro.

Viagem para dentro

Entretanto, na era digital, esse ciclo criativo tem sido interrompido. “As telas oferecem estímulos prontos que suprimem o tédio e substituem a imaginação ativa por respostas instantâneas”, diz. “O resultado são crianças com dificuldade de tolerar pausas e adultos sem espaço para o devaneio.”

Proteger a imaginação, então, é um ato de resistência. “Isso exige cultivar tempo eespaços sagrados,onde brincar é prioridade e não entretenimento residual.”

Leia mais

Comunicar erro
Comentários 1 Comentários Mostrar comentários
REPORTAGENS RELACIONADAS