Eles dão as dicas: qual é o livro que toda criança precisa ler?

Convidamos crianças e adolescentes apaixonados por livros para indicar títulos que mudaram sua visão de mundo ainda na infância e que os inspiram até hoje

Célia Fernanda Lima Publicado em 09.01.2026
Imagem mostra uma montagem de fotos de três adolescentes e capas de seus livros preferidos.
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Resumo

Do clássico “O pequeno príncipe” a uma seleção de poemas divertidos, três jovens leitores dizem ao Lunetas quais são os livros que mais gostaram de ler na infância e por que toda criança deveria ler os mesmos títulos.

Quem gosta de livros adora falar sobre o que leu. Principalmente quando a história desperta algum sentimento. Pode ser uma risada, uma emoção, uma reflexão mais profunda ou até identificação com os personagens. Dos clássicos à poesia e à aventura, quando um enredo pega pra valer, o livro vira o preferido e o mais indicado pelo leitor.

Mas, entre tantas opções, como saber o que indicar às crianças? Nada melhor do que chamar meninos e meninas para responder. Por isso, o Lunetas convidou três jovens leitores que, desde pequenos, criam conteúdos sobre literatura — e tiveram a difícil missão de selecionar títulos para responder à pergunta: “que livro toda criança deveria ler?”

Quem indica?

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Lucas, 9 anos 

Lucas é de Blumenau (SC) e já leu uma estante inteira de livros infantis, mas resolveu não deixar essas histórias por lá. Por isso, junto com sua mãe, criou um perfil no Instagram onde posta vídeos contando o que leu e que o livro traz de bom. É como um álbum de fotos mas com dicas para leitores mirins. Quando ele explica a razão de amar tanto os livros, diz que a leitura o ajuda a desenvolver vocabulário e senso crítico. Porém, quando ele fala da emoção, revela como os livros mexem com sua forma de ver o mundo. “Quando você abre o livro, se aventura no mundo da imaginação. Isso porque dá para sair de casa dentro daquela história que aquele livro traz.”

Quais livros indica?

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“Kuján e os meninos sabidos”, Ailton Krenak e Rita Carelli (Companhia das Letrinhas)

Kuján é como os indígenas Buru chamam um tamanduá. Na história, esse bichinho é, na verdade, o criador da natureza, que aparece na aldeia para saber como os homens estão cuidando de tudo. Mas entre as confusões kuján quase vira caça, e então dois meninos sabidos aparecem para ajudá-lo. Para Lucas, esta história faz pensar desde cedo sobre os ensinamentos dos povos originários sobre a relação com a natureza. “Indico esse livro para as crianças porque, quando ela crescer, já vai ter uma leitura de Ailton Krenak na infância, e com certeza vai querer consumir mais obras dele e se tornar um ser humano melhor.”

 

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“200 limeriques de Edward Lear para ler e para ver”, Edward Lear (Baião)

“Esse livro representa a infância porque traz muito humor e é muito nonsense. Quando a criança ler os limeriques, vai se divertir muito”, aposta Lucas. Neste compilado de limeriques – poemas curtos e rimados – de Edward Lear, pintor e escritor inglês do século passado, cada página são pecinhas de humor. Foram muitos anos escrevendo esses poemas, criando personagens cômicos e histórias sem pé nem cabeça que, surpreendentemente, fazem muito sentido em cada rima. Além disso, a tradução e organização de Renato Moriconi transformam os limeriques em um convite à uma leitura cômica e leve.

 

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“Se os tubarões fossem homens”, Bertold Brecht (Olho de vidro)

Uma clássica fábula sobre a organização social do mundo e das relações de poder onde uma criança pergunta: “se os tubarões fossem homens, será que seriam mais gentis com os peixinhos?”. A escrita de Brecht para o público infantil estimula a interpretação de metáforas. Dessa forma a crítica social das entrelinhas respeita a inteligência de quem lê. “Toda criança deveria ter contato com esse livro para criar um senso crítico porque ele foi escrito há muito tempo, mas é muito atual”, diz Lucas.

 

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“Uniforme”, Tino Freitas e Renato Moriconi (Gato Leitor)

A história apresenta Clóvis, um camaleão livre e pelado, que precisa se camuflar para sobreviver. Enquanto a vida dele se desenrola, o leitor também brinca de encontrá-lo nas ilustrações de Moriconi. Lucas indica não só por ser uma leitura leve, mas porque tem uma lição valiosa de fundo. “Clóvis descobre que não precisa ser igual a todo mundo, então isso é uma coisa muito importante na infância, tanto para respeitar os outros quanto para saber que você pode ser diferente.”

Quem indica?

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Adriel, 17 anos

De Salvador, Adriel, ou apenas Dri, é uma referência para crianças e adolescentes que amam literatura. Desde 2020, ele está nas redes sociais falando dos livros que leu e dos filmes e séries favoritos. Além disso, é autor de “Voando entre sonhos” (Galerinha), estudante de teatro e idealizador da biblioteca comunitária Ori. Imerso no mundo das narrativas e das artes, Dri escolheu três livros clássicos e conhecidos para que as crianças não passem batido por essas leituras. “Ler abre a mente, ensina lições que às vezes não aprendemos na prática e faz a gente crescer por dentro, de um jeito muito natural.”

 

Quais livros indica?

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“O pequeno príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry (Textos para Reflexão)

“Esse livro me fez ver as pessoas com mais carinho e atenção”, conta Adriel. A escolha do clássico de Saint-Exupéry é para lembrar que essa leitura é quase obrigatória, pois há mais de 80 anos é um dos livros mais lidos e mais vendidos no mundo. Um piloto, um menino com sua rosa vermelha e as viagens a vários planetas conduzem para uma história sensível sobre a vida, o que sentimos e o que importa. “Ela fala de um jeito leve sobre sentimentos e sobre como, às vezes, os adultos complicam coisas simples.”

 

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“Harry Potter e a pedra filosofal”, J.K Rowling (Rocco)

Sucesso mundial, a história do menino bruxo e as grandes aventuras em Hogwarts foi um livro importante para Adriel. “Me fez entrar de verdade no mundo da leitura quando a história me mostrou amizade, coragem e a ideia de que alguém comum pode fazer coisas incríveis”. Este é o primeiro de uma saga escrita por J.K Rowling e que encanta crianças e adultos com a magia e as lições de superação.

 

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“Extraordinário”, RJ Palacio (Intrínseca)

Auggie vai para escola pela primeira vez aos 10 anos e, para quem queria ser invisível, é difícil ser notado por todos. Essa história passou dos livros para o cinema e comoveu muita gente com as lições que o personagem principal deixa. “A forma como ele lida com preconceito e desafios me ensinou muito sobre empatia e sobre como a gentileza faz diferença”, conta Adriel.

Quem indica?

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Taís, 14 anos

Membro da Academia de Letras e Artes de Fortaleza, Taís tem dois livros publicados e participa de projetos literários de escolas e de empoderamento feminino. Além disso, a adolescente compartilha dicas de livros no perfil “Passaporte Mágico”. Assim como Lucas e Adriel, Taís acredita que o hábito de ler na infância abre portas dentro e fora de cada livro. “A leitura ajuda a gente a entender melhor o mundo e deixa a imaginação mais fértil. Li muito quando era criança e isso mudou muita coisa para mim.”

Quais livros indica?

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“Matilda”, Roald Dahl (Galera Junior)

A inteligência de Matilda é notável menos para sua família. Enquanto isso, na escola, os conflitos com a diretora levam a menina a entrar em grandes aventuras. O que Matilda quer é o conforto dos livros e entender mais sobre o mundo e sua mente. “A história é super divertida, pois mostra como ela usa a inteligência e os livros para enfrentar as dificuldades. É um tipo de leitura que faz a gente acreditar em nós mesmos”, aponta Taís.

 

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“O menino do dedo verde”, Maurice Druen (José Olympio)

Tistu era um menino diferente de todo mundo. Seu dedo verde transformava tudo o que tocava, mas isso ainda era um segredo entre ele e o velho jardineiro, que achava se tratar de um dom do céu. “Parece uma história simples, mas faz a gente pensar muito sobre como cuidar do mundo com gentileza”, lembra Taís. O livro é também um clássico há pelo menos cinquenta anos, que fisga pela delicadeza e aventura.

 

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“A história de Despereaux”, Kate DiCamillo (Martins Fontes)

O camundongo Despereaux Tilling é apaixonado por música e pela princesa Ervilha. Ele é diferente de sua família e dos outros camundongos porque é pequeno demais, tem orelhas grandes e prefere ler os livros do que comer as páginas. Desperaux precisa de coragem para salvar a princesa dos vilões. Mas será que ele vai conseguir? “É sobre essa coragem que mostra como podemos ser um heróis sendo exatamente quem somos, não importa o tamanho.”

 

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