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  • Publicado em: 16.02.2022
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Você adora a gargalhada de um bebê? Se emociona ao ver os primeiros passos e ouvir as primeiras palavras de uma criança? Chora quando sabe de alguma violação de direitos envolvendo crianças? Se revolta quando vê uma criança sendo exposta? E, principalmente, você acredita que as crianças não são apenas o futuro do mundo, mas são o melhor do que temos no presente? Se você respondeu sim a todas as perguntas anteriores, você é um infancialista a favor da cultura da infância!

Uma das características mais marcantes dos infancialistas é o reconhecimento e “apaixonamento” pelas culturas das crianças, seus modos específicos de compreensão e visão do mundo. Adoramos uma criança contando história, explicando um fenômeno social, apontando as contradições do mundo. 

Nós, infancialistas, defendemos irrestritamente o reconhecimento da criança como um sujeito de direitos. A criança é ser e devir. Ela está sempre pronta ao mesmo tempo em que está sempre em desenvolvimento. Reconhecemos que a infância é talvez uma das melhores construções sociais da humanidade. Atravessada por variáveis como classe, raça e gênero, as crianças têm entre si pontos de homogeneidade, enquanto grupo e fase da vida, mas também pontos de heterogeneidade, que as caracterizam como sujeitos únicos. Elas são múltiplas, intensas, coloridas e podem despertar o melhor de todos nós.

Nada é mais valioso do que o respeito ao tempo do desenvolvimento das crianças. Não queremos aceleramento, não queremos o incentivo da aquisição de habilidade e competências a todo custo. Queremos que cada criança tenha seu tempo respeitado e a diversidade seja um direito básico. As crianças não são troféus e não estão participando de uma competição.

Defendemos um princípio tão simples e óbvio que muitos irão rir de nós. Acreditamos que as crianças são pessoas! Isso significa que merecem todo o respeito que dedicamos ao humano. As crianças têm sentimento, sofrem, se envergonham, sentem dor. Têm preferências, vontades, desejos. As crianças para nós, infancialistas, não são apenas os bebês da propaganda de fraldas e da família da propaganda de margarina. As crianças têm meleca, têm piolho e soltam pum! Elas choram, ficam doentes e reclamam quando não conseguem o que querem… 

Sabemos que uma criança não é responsabilidade só da família, mas do Estado e de toda sociedade. O desenvolvimento pleno de uma criança só é possível com a existência de políticas públicas para a infância desde o momento da gestação, o que inclui amparo às famílias por uma rede, para que sejam capazes de nutrir a criança em todos os níveis. 

Em tempos de pandemia, os infancialistas estão ainda mais apaixonados pelas crianças, pois elas representam a esperança, a vida que segue, o amor que transborda. É importante dizer que não romantizamos as crianças e a infância (talvez um pouco!). Sabemos que as crianças também erram, descumprem combinados, nos cansam por demandarem atenção e cuidado intenso… mas é isso que as tornam reais.

Queremos que as crianças reconheçam os infancialistas como aliados. Como pessoas grandes que podem alcançar os objetos que estão além da altura delas, que contem conosco para acolher suas lágrimas, mas principalmente como trampolins para os seus sonhos e conquistas.

Os infancialistas concordam com artistas que dizem que as crianças são grandes mestres da arte de criar, e que possuem uma forma muito própria e especial de ver o mundo. Queremos sujar as mãos de tinta, areia e lama na construção de um novo mundo. Um mundo em que as crianças sejam reconhecidas por serem quem são e que os adultos possam se permitir caminhar ao lado delas, tendo o privilégio de ver o mundo com seus olhos.

Se você também é um infancialista (e nem sabia), junte-se a nós!

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Resumo

Em manifesto a favor da cultura da infância, Juliana Prates escreve sobre não ser permitido não gostar de crianças, cunhando o termo “infancialista”, ou seja, aquele que coloca a criança sempre em primeiro lugar.
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