Guia de vacinas: saiba quando as crianças devem tomar cada uma

Proteger as crianças de diversas doenças começa já no nascimento
iStock/Arte Lunetas
  • Publicado em: 17.03.2022
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A vacinação é a única forma de proteger adultos e crianças das mais variadas doenças, muitas delas gravíssimas e que podem levar à morte. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é possível imunizar as crianças com 19 tipos de vacinas diferentes, que protegem contra doenças como hepatite A e B, sarampo, febre amarela, meningites, entre outras.

Um dos maiores programas de imunização do mundo é o Programa Nacional de Imunizações do Brasil (PNI), formulado em 1973, com o objetivo de controlar diversas doenças imunopreveníveis e alcançar coberturas vacinais de 100%, de forma homogênea em todos os municípios e bairros. 

Para o infectologista pediátrico Márcio Moreira, do Hospital Israelita Albert Einstein, o PNI no Brasil é indispensável: “No país tem uma população bastante significativa que não tem acesso a programas de saúde que não sejam gratuitos, então é nosso dever martelar a importância da vacina”, explica.

“O nosso programa nacional é um modelo referência a nível mundial que contempla praticamente todas as vacinas existentes*”

A imunização é uma responsabilidade coletiva. Porém, segundo estudo do Unicef, vem sendo observada queda nas taxas de vacinação de crianças menores de cinco anos desde 2015. Dos motivos que levam as famílias a vacinarem ou não seus filhos, cinco fatores se destacam:

  • Obrigatoriedade de apresentação da Caderneta da Criança (vacinação) para matrícula escolar e de manter a vacinação em dia para receber benefícios de programas sociais, como o Bolsa Família;
  • Percepção individual dos pais e/ou responsáveis sobre a importância da vacina;
  • Receio dos efeitos adversos da vacina;
  • Disponibilidade das vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS);
  • Disponibilidade dos pais e/ou responsáveis para levar as crianças para vacinar.

O Lunetas construiu um guia de vacinas para crianças com o número de doses de cada vacina, melhor idade vacinal e se a vacina é aplicada ou não pela rede pública de saúde. Confira!

De 0 a 6 anos

  • Hepatite B
    Imuniza contra a hepatite B, doença infecciosa que agride o fígado. É administrada por via intramuscular.
    Quando aplicar: ao nascer, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento. É encontrada na rede pública e privada.
  • Vacina contra tuberculose (BCG)
    A vacina BCG é conhecida por deixar, na maioria dos casos, uma marquinha no braço devido à reação do corpo com a aplicação. Ela protege contra formas graves de tuberculose meníngea e miliar (doença infecciosa que afeta os pulmões). É administrada por via intramuscular.
    Quando aplicar: primeiros dias de vida do bebê (recém-nascido). É encontrada na rede pública e privada.
  • DTP+Hib+HB (Penta)
    Vacina utilizada no combate à difteria (infecção grave do nariz e garganta), tétano (doença que ataca o sistema nervoso central), coqueluche (doença que compromete o trato respiratório), haemophilus influenzae B (bactéria que pode causar meningite) e hepatite B. São administradas por via intramuscular e aplicadas em três doses.
    Quando aplicar: aos dois, quatro e seis meses de idade, com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias. É encontrada na rede pública.
  • Difteria, tétano, pertussis (DTP)
    Esta vacina protege contra difteria, tétano e a coqueluche. É administrada como reforço, por via intramuscular.
    Quando aplicar: o primeiro reforço é realizado aos 15 meses e o segundo aos quatro anos de idade.

Na rede privada, é oferecida a vacina hexavalente (DTPa). Ela protege contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite e hepatite B.

  • Poliomielite 1, 2, 3 (VIP – inativada)
    Com expectativa de que seja erradicada devido à vacina, a poliomielite é uma doença contagiosa que pode causar paralisia nos membros inferiores. Sua vacina é administrada por via intramuscular e aplicada em três doses.
    Quando aplicar: primeira dose aos dois meses, a segunda aos quatro meses e a terceira dose aos seis meses de vida da criança, com intervalo de 30 a 60 dias entre uma e outra. É aplicada na rede pública.

Na rede privada, a vacina VIP está disponível apenas em apresentações combinadas com outras vacinas: DTPa-VIP/Hib e DTPa-VIP-HB/Hib (para crianças com menos de sete anos) e dTpa-VIP (para crianças a partir de três anos, adolescentes e adultos).

  • Pneumocócica 10 valente (Pncc 10)
    Vacina utilizada para combater pneumonias, meningites, otites e sinusites pelos sorotipos que compõem a vacina. É administrada em duas doses + reforço, por via intramuscular.
    Quando aplicar: primeira dose aos dois meses de idade, a segunda aos quatro e o reforço aos 12 meses. É aplicada na rede pública.

Na rede privada, é oferecida a vacina pneumocócica 13. As sociedades brasileiras de Pediatria (SBP) e de Imunizações (SBIm) recomendam a vacinação infantil de rotina com quatro doses da vacina: aos dois, quatro e seis meses de vida e reforço entre 12 e 15 meses.

  • Rotavírus humano G1P1 (VRH)
    Protege contra a diarreia causada pelo rotavírus. É administrada em duas doses, por via oral.
    Quando aplicar: aos dois e quatro meses de idade. É aplicada na rede pública e privada.

Na rede privada, é também oferecida a vacina VRH5, para crianças a partir de seis semanas a oito meses de vida. São três doses, com intervalo mínimo de quatro semanas, usualmente aplicadas com dois, quatro e seis meses de idade.

  • Meningocócica C (conjugada)
    Protege contra a meningite meningocócica tipo C, doença que provoca inflamação das membranas que revestem o sistema nervoso central. É administrada em duas doses + reforço, por via intramuscular.
    Quando aplicar: aos três e cinco meses de idade e um reforço aos 12 meses. Pode também ser oferecida uma dose para crianças entre 11 e 12 anos (como reforço ou dose única, a depender da situação vacinal). É aplicada na rede pública e privada.
  • Febre amarela (atenuada)
    Protege contra a febre amarela, doença viral febril transmitida por mosquitos. É administrada em uma dose + reforço, por via subcutânea.
    Quando aplicar: uma dose aos nove meses de vida e uma dose de reforço aos quatro anos de idade. É aplicada na rede pública e privada.
  • Poliomielite 1 e 3 (VOP – atenuada)
    A vacina protege contra o poliovírus tipo 1 e 3. É administrada como reforço, por via oral.
    Quando aplicar: o primeiro reforço é realizado aos 15 meses e o segundo aos quatro anos de idade. É aplicada exclusivamente na rede pública.
  • Sarampo, caxumba, rubéola (SCR) – Tríplice viral
    A vacina protege contra o sarampo (doença infecciosa que causa erupções cutâneas), caxumba (infecção que se instala nas glândulas salivares e causa inchaço no rosto) e rubéola (erradicada no Brasil, a doença é altamente contagiosa e causa febre, erupções cutâneas e inchaços no pescoço). É administrada por via subcutânea.
    Quando aplicar: a partir dos 12 meses de idade. É aplicada na rede pública e privada.
  • Sarampo, caxumba, rubéola, varicela (SCRV) – Tetra viral
    Corresponde à segunda dose da vacina tríplice viral. É administrada por via subcutânea.
    Quando aplicar: a partir dos 15 meses de idade. É aplicada na rede pública e privada.
  • Varicela (catapora)
    Protege contra catapora (a doença é também chamada de “varicela” devido ao nome do vírus causador, “varicella-zoster”. Causa manchas vermelhas e bolhas no corpo e outros sintomas como mal estar e febre baixa. É administrada por via subcutânea.
    Quando aplicar: aos quatro anos de idade. Corresponde à segunda dose da vacina varicela, considerando a dose de tetra viral aos 15 meses de idade. É aplicada na rede pública e privada.
  • Hepatite A (HA)
    Protege contra hepatite A, doença que afeta o fígado e pode causar icterícia (coloração amarelada na pele que sugere sobrecarga no fígado). Dose única, é administrada por via intramuscular.
    Quando aplicar: aos 15 meses de idade. É aplicada na rede pública e privada; na rede privada, é sugerida uma segunda dose seis meses após a primeira.

A partir dos 6 anos

  • Difteria, tétano (dT)
    Vacina que protege contra a difteria e tétano. É administrada por via intramuscular, em três doses.
    Quando aplicar: a partir dos sete anos de idade. Se a pessoa estiver com esquema vacinal completo (três doses) para difteria e tétano, administrar uma dose a cada 10 anos após a última dose. É aplicada na rede pública de saúde.
Na rede privada, é oferecida a vacina hexavalente (DTPa). Ela protege contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite e hepatite B.
  • Papilomavírus humano (HPV)
    Vacina responsável por combater o papilomavírus humano (HPV) 6, 11, 16 e 18 (recombinante). O HPV pode causar verrugas nos órgãos genitais ou até mesmo câncer. É administrada por via intramuscular, em duas doses.
    Quando aplicar: a vacina está disponível na rede pública a partir dos nove anos de idade até os 14 anos, 11 meses e 29 dias de idade, com intervalo de seis meses entre as doses. Na rede privada, a vacina também está disponível para crianças a partir de nove anos.

Outras vacinas

  • Pneumocócica 23-valente (Pncc 23)
    Esta vacina é indicada no combate às meningites bacterianas, pneumonias e sinusite. Dose única, administrada por via intramuscular.
    Quando aplicar: segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), esta vacina é indicada para crianças acima de dois anos, adolescentes e adultos que tenham alguma comorbidade que aumenta o risco para doença pneumocócica (diabetes, doenças cardíacas e respiratórias graves; sem baço ou com o funcionamento comprometido desse órgão; com problemas de imunidade, entre outras condições). Não é recomendada como rotina para crianças, adolescentes e adultos saudáveis. Ela pode ser encontrada na rede privada ou nos centros de referência para imunobiológicos especiais (CRIE) na rede pública.
  • Influenza
    Vacina que protege contra a influenza (vírus causador da gripe). É administrada por via intramuscular, em uma ou duas doses anuais.
    Quando aplicar: durante a Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza, conforme os grupos prioritários definidos previamente. Na campanha 2022, crianças de seis meses a quatro anos e 11 meses de idade estão aptas a receber a vacina a partir de 4 de abril na rede pública.

Na rede privada, a vacina está disponível o ano todo. Podem receber a vacina crianças entre seis meses e oito anos de idade (duas doses na primeira vez em que forem vacinadas, com intervalo de um mês, e revacinação anual com uma dose); e partir de nove anos, recebem a vacina anualmente.

  • Covid-19
    Vacina que protege contra a covid-19 (doença causada por coronavírus, podendo causar febre, cansaço, perda de paladar, síndrome aguda respiratória grave ou até mesmo morte). É administrada por via intramuscular, em duas doses.
    Quando aplicar: a vacina é aplicada exclusivamente pela rede pública. Crianças a partir de cinco anos podem ser imunizadas em duas doses (intervalo de oito semanas) com a vacina da Pfizer, ou com duas doses (intervalo de 28 dias) da vacina CoronaVac em crianças a partir de seis anos.

* O PNI oferece todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
** Guia elaborado com dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Leia mais

O perigo de não vacinar as crianças

Resumo

Imunização é coisa séria: rede pública e privada somam esforços para oferecer saúde e proteção contra diversas doenças por meio da vacinação.
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