Além da proteção solar e de manter a hidratação, é importante entender os sinais das crianças de que o limite foi alcançado e é hora de ir embora
Levar crianças no Carnaval pode ser uma experiência deliciosa — desde que a folia respeite o ritmo dos pequenos e tenha alguns cuidados básicos. A recomendação é priorizar blocos infantis e diurnos, com menos aglomeração e fora do pico de calor.
Foi em um Carnaval na cidade de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, que a educadora somática e doula Marianna Muradas conheceu o marido, em 2007. Ela considera a festa “sagrada”, e nunca deixou de aproveitá-la, mesmo após o nascimento dos filhos Tom, de 7 anos, e João, de 2.
No primeiro ano de vida de Tom, em 2019, a família foi ao bloco Espetacular Charanga do França com o bebê, pelas ruas de Santa Cecília, no centro de São Paulo. “Foi uma experiência muito curiosa, sentia que as pessoas se incomodavam, mas a gente curtiu demais”, lembra. No ano seguinte, em 2020, Marianna aderiu à versão para crianças do bloco, o Charanguinha. Participar da festa com as crianças sempre foi divertido para toda a família.

“Tenho muita memória de pular Carnaval na minha infância, não sei em que momento inventaram que criança não participa. A infância não pode ser algo apartado da sociedade, e o Carnaval é uma manifestação cultural em que ela deve estar inserida”, afirma. Para garantir a diversão, Marianna gosta de levar um borrifador de água para os blocos, que ganha múltiplas funções: vira brincadeira entre as crianças, alivia o calor e reduz o estrago e grude causados pelas espumas na pele e olhos. “Mas sou a favor das famílias saírem com os bebês e que eles curtam os espaços públicos, até porque caso contrário, as mães são segregadas”, reforça.

A criação do Charanguinha, versão pensada para crianças do bloco Charanga do França, foi inspirada pela chegada de Eva, filha do músico Thiago França, criador do bloco, que nasceu no sábado seguinte ao Carnaval de 2019.
Diferente do Charanga tradicional que fará seu 11º Carnaval este ano, o Charanguinha tem duração menor, chega a no máximo duas horas, e circuito próprio. O desfile acontece na Biblioteca Monteiro Lobato, na região central de São Paulo, espaço que reúne área verde e brinquedos, criando uma convivência natural entre a brincadeira e a festa. O repertório não é exclusivamente infantil, mas as músicas mais voltadas ao público adulto, comuns no Charanga, ficam de fora.
“É um momento de apresentar o Carnaval para as crianças, até porque elas estão ali levadas pelos pais. Muitas vezes é o primeiro contato que elas têm com instrumentos de sopro, e a reação mais comum é de encantamento”, conta França.
Para o músico, o Charanguinha é um programa que diverte adultos e crianças de todas as idades e, por isso, as recomendações de convivência e segurança valem para todo mundo. Entre elas estão:
– Respeitar o espaço da banda: por segurança, a área não pode ser acessada pelos foliões e não se trata de uma “área vip”;
– Não jogar espuma ou confete nos instrumentos;
– Não interromper o deslocamento da banda ao redor da praça para fotos ou vídeos das crianças;
– Aprender a brincar na rua, respeitando a regra básica de perguntar antes se a outra pessoa quer participar.
Do ponto de vista da saúde, em teoria qualquer criança pode acompanhar os pais em um bloco de Carnaval, mas, na prática, há recomendações importantes. Albert Bousso, gerente médico da Unidade Materno-Infantil do Einstein Hospital Israelita, sugere que as famílias optem pelos blocos pensados para crianças que sejam diurnos e tenham menos aglomerações.
“Dê preferência para os períodos entre início da manhã e fim da tarde, evitando o calor dessa época do ano entre 10h e 16h, isso ajuda bastante a minimizar riscos. Além disso, tente escolher um bloco menos aglomerado, para ter menos contato, evitando algum tipo de virose respiratória”, afirma Bousso.
Além de se proteger do calor com bonés e protetor solar, e da desidratação com roupas leves e oferta frequente de líquido, o tempo de limite no bloco também deve ser levado em conta. Irritabilidade, cansaço excessivo e dificuldade de interação são sinais de que é hora de ir embora, mesmo que muitas vezes a criança insista para ficar na folia.
O médico sugere que crianças menores de 2 anos fiquem no máximo duas horas nesse tipo de evento e para as maiores, o tempo máximo recomendado é de até quatro horas. “Obviamente também vale reparar se a criança está irritada, se ela não está mais interagindo, brincando com confete e serpentina, é hora de recolher tudo e voltar para casa”, diz o médico.
Outra medida importante é a identificação da criança, com pulseira ou etiqueta contendo o nome dos responsáveis e telefone de contato, o que facilita o reencontro em caso de separação.
Além de defender a presença das crianças nas programações de Carnaval, Marianna Muradas, que estuda o sistema esquelético e os movimentos do corpo, chama a atenção para uma prática inadequada bastante comum em eventos públicos: o uso do canguru com o bebê ou a criança pequena voltados para frente. Segundo ela, o modo correto de carregar é com a criança voltada para o corpo de quem a leva, com a cabeça apoiada no peito do adulto, ou nas costas, como se fosse uma mochila.
“Quando o bebê é virado pra frente a gente não permite que a pelve se encaixa e isso gera uma pressão. Se for menino, é ainda pior porque afeta o saco escrotal e pode ser que apareçam problemas na vida adulta”, afirma.
Marianna ainda reforça que manter o bebê voltado para dentro ajuda a reduzir o excesso de estímulos visuais e sonoros, comuns no Carnaval, oferecendo mais conforto e segurança.
– Identifique a criança com nome e contato dos responsáveis em pulseiras ou colares;
– Leve água, de preferência, em garrafas térmicas para manter a temperatura. Nem todos os espaços públicos são adaptados com bebedouros;
– Garanta pequenos lanches para hora de bater a fome. Frutas e biscoito de polvilho são sempre boas pedidas;
– Bonés e chapéus são indispensáveis, além, é claro, do filtro solar;
– Fones de ouvido que funcionam como abafador podem ajudar a amenizar o barulho e acalmar os bebês e crianças pequenas;
– Lenço umedecido e o álcool em gel são bons aliados para aquela limpeza rápida nas mãos ou boca;
– Borrifador de água pode ser um bom item para distrair as crianças em caso de muito calor, além de ser muito útil para limpar o efeito das espuminhas na pele e no rosto das crianças e também dos adultos;
– Se a criança for pequena, levar uma troca de roupa nunca é demais.
Sábado (14/02)
Bloquinho da Miúda – Rua Coronel Melo de Oliveira, 766
Quanto Mais CEDO, Melhor! – Rua Treze de Maio (478 a 812)
Bloco Amorikids – Av. Eng. Luiz Gomes Cardim Sangirardi
Domingo (15/02)
Bloquinho Gente Miúda – Av. Professor Alfonso Bovero
Bloquinho dos Pequenos Joaquins – Rua Áurea (entre Rua Joaquim Távora e Rua Morgado de Mateus)
Terça-feira (17/02)
Bloco da Nanda – Av. Engenheiro Caetano Álvares
Bloco Turminha do Bem – Av. Dr. Sylvio de Campos
Festa de Cores – Av. Dr. Sylvio de Campos até Praça Luis Neri
Sábado (21/02)
Bloco Charanguinha – Biblioteca Mário de Andrade
Fonte: Prefeitura de São Paulo
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Sinais que dá (ou não) para se jogar no bloquinho com os pequenos:
Criança demonstra interesse pela folia, gosta da interação na rua;
Está saudável, sem sintomas respiratórios, febre ou mal-estar;
Tolera bem o calor, protetor solar, é adepto de roupas leves e da hidratação.
Ou de que não dá:
Está doente, com tosse, febre ou tem sinais de desidratação;
Não lida bem com ambientes cheios e barulho intenso;
Se incomoda com a exposição ao sol, não gosta de beber água e reclama do filtro solar.