Como o baixo acesso à natureza afetou as crianças na pandemia?

Pesquisa mostra que 75% dos entrevistados gostariam de aumentar o contato com a natureza no pós-pandemia
iStock/Arte Lunetas
  • Publicado em: 30.11.2021
da Redação

O acesso já deficitário à natureza em centros urbanos no Brasil foi dificultado pela pandemia de coronavírus, impedindo que crianças pudessem brincar livre em meio a áreas verdes. Como essa falta de contato com espaços ao ar livre afetou as crianças? E de que modo retomar o vínculo com a natureza pode ajudá-las a restaurar os danos da pandemia?

Idealizada pelo programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, em parceria com a Fundação Bernard Van Leer e o WWF-Brasil, a pesquisa “O papel da natureza para a saúde das crianças no pós-pandemia” investiga esse cenário pós-pandêmico, com entrevistas realizadas com mil pessoas de todo o Brasil.

O estudo mostra que, antes da pandemia, cerca de 71% das crianças tinham a oportunidade de brincar ao ar livre até uma vez por semana. Durante a pandemia, esse número caiu consideravelmente, para 45%. As famílias identificaram que o isolamento e a falta de contato com a natureza levou a um conjunto de efeitos negativos: 24% delas disseram que houve aumento de problemas físicos, como obesidade e falta de vitaminas, por exemplo, e 60% declararam que aumentou o uso de equipamentos eletrônicos pelas crianças.

Embora 75% dos entrevistados pretendam levar as crianças mais vezes a espaços públicos, neste grupo, 42% não têm uma área verde adequada próximo de sua casa; 33% cita a falta de segurança e/ou limpeza dos locais; 32% menciona falta de tempo; e 20% fala do custo envolvido nesses passeios. Apesar das dificuldades, 64% das famílias passaram a valorizar mais a conservação da natureza; e 59% têm pensado mais sobre a importância de ter áreas verdes na cidade.

Diante dos prejuízos emocionais, físicos e cognitivos trazidos pela pandemia, pediatras da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) dizem que o contato com a natureza é uma excelente estratégia para ajudar a recuperar a saúde e o bem-estar das crianças neste momento. No documento “O papel da natureza na recuperação da saúde e bem-estar das crianças e adolescentes durante e após a pandemia de covid-19”, são incentivadas atividades que priorizem o brincar e o convívio ao ar livre, além de reforçarem a necessidade de possibilitar acesso a espaços naturais diversos e acolhedores para todas as famílias.

Para JP Amaral, coordenador do Criança e Natureza, “derrubar as barreiras e apontar caminhos para que haja cada vez mais crianças na natureza e mais natureza para as crianças é uma tarefa sistêmica, que cabe a todos – famílias, profissionais de saúde, educadores e, principalmente, gestores públicos e urbanistas, responsáveis por políticas públicas que prezam pelo verde no local onde atuam”.

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Resumo

Pesquisa “O papel da natureza para a saúde das crianças no pós-pandemia” revela o baixo acesso à natureza pelas infâncias: 75% dos entrevistados gostariam de aumentar o contato com a natureza.
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