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Quatro educadores contam suas experiências com educação musical

Escutar a criança com ouvidos, olhos, abraço e coração é a inspiração do que acreditam ser o universo humano sonoro na educação
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  • Publicado em: 27.05.2019
  • Atualização: 29.05.2019
da Redação

Entre os dias 23 e 26 de maio aconteceu na cidade de São Paulo a quinta edição da Ciranda de Filmes, uma mostra de cinema dedicada a discutir infância, juventude e educação. O tema da quinta edição foi “Música, linguagem da vida”, isso porque a música nos rodeia, permeia, integra e acalanta desde o nascimento e é parte essencial do humano, da natureza e da cultura em que vivemos.

No último sábado, 22, foi dia de conversar sobre a experiência musical nas escolas e o ato de ouvir a infância. Claudia Freixedas, Jorge Fofão, Roseli Novak e Teca Alencar de Brito apresentam práticas que manifestam essa escuta, abrindo para uma reflexão coletiva sobre os fazeres musicais.

divulgação

Claudia Freixedas, Jorge Fofão, Roseli Novak e Teca Alencar de Brito.

Confira como foi a conversa e conheça um pouco do trabalho de cada um deles

Teca Alencar de Brito  – “A educação musical também é lugar de criação, não só de repetição” “A gente tem um vício de desconsiderar as ideias das crianças, principalmente se forem muito pequenas”, conta  a educadora que fundou, a Teca Oficina de Música, núcleo de Educação Musical dedicado à formação de crianças, jovens e adultos. A educadora defende que o excesso de coisas prontas, pode tirar das crianças a possibilidade de criação. Seu trabalho apoia-se na ideia de que “só quando conseguimos ouvir verdadeiramente as crianças é que conseguimos criar parcerias com elas”.”A gente tende a fechar: ‘A música é isso’. E para as crianças não é assim. A música na verdade é um jogo, um jogo de relações entre sons e silêncio”. E exemplifica com as mostras culturais nas escolas. “Hoje em dia, grande parte das escolas respeita as criações das crianças, como as garatujas nos desenhos e artes plásticas. E com relação à música, mesmo as escolas mais abertas, a música falta nas exposições de arte e , quando tem, estão neste lugar da cópia, da reprodução”.
Roseli Novak – “O brincar livre leva a um estado de criação”Roseli é Menção Honrosa do Prêmio Arte na Escola (2018) e Finalista do Prêmio Educador Nota 10 (2015) com projetos em que o brincar livre leva a um estado de criação, que se transforma em fazer musical, realizados com crianças entre sete e oito anos.Ela contou sobre como o brincar livre é presente em sua atuação nas escolas e apresentou seus trabalhos com improvisação, sonoplastia e criação em audiovisual em que as crianças criaram os roteiros e as cenas. Tudo a partir da experimentação e do brincar livre. “É importante perceber também o acontece nos sons e o que acontece nos silêncios, pois há expressividade no silêncio. Todo este trabalho desperta em mim a minha criança interior”, afirmou.
Jorge Fofão – A escola precisa estar ligada à música e às danças brasileirasProfessor e arte-educador com mais de 25 anos de experiência. É membro fundador convidado de Maria Amélia Pinho Pereira (Peo) para integrar o Grupo Folclórico Meninos e Meninas da Aldeia de Carapicuíba, hoje OCA – Escola Cultural, professor de maracatu na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima e professor-brincante de dança popular e capoeira na escola Te-Arte.”Minha relação com a música começou com o mar, eu nasci em Olinda e todo os dias de manhã eu brincava com o mae”. Para ele, a música está dentro de nós. “Estamos vivos e precisamos nos expressar. Como professor brincante, ele defende que os educadores e as escolas conheçam o Brasil e sua cultura ancestral. Fofão também falou sobre como os mestres são importantes neste processo. “Eu não estudei, minha educação vieram dos meus mestres, a música e a arte-educação que me salvaram”.
Claudia Freixedas – O desenvolvimento humano se dá nestes momentosQuando Cláudia Freixedas assumiu a Superintendência Educacional do Projeto Guri, programa de educação, voltado para a formação musical de crianças, pré-adolescentes e adolescentes, percebeu que a dimensão humana expressa na missão se via muito pouco. “As atividades eram muito focadas na técnica e na leitura de um repertório pré-estabelecido”. Para que isso fosse sendo mudado aos poucos, algumas atividades foram sendo implementadas.Uma delas é que a cada quinze dias os educadores propõem uma atividade de voz, movimento e aquecimento corporal para trazer um repertório ampliado e ouvir o que as crianças querem. Tudo isso na intenção de buscar um fazer musical mais abrangente, mais reflexivo e criativo.

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Resumo

O ensino e a experiência musical dentro e fora das escolas, contribuem para o desenvolvimento integral das crianças. Na Ciranda de Filmes, quatro educadores contaram suas experiências. Confira!
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