O contato com a natureza é o melhor presente para uma criança

Sentir o vento no cabelo, perceber a diversidade de cores, ouvir os os sons. Algo que computador, as telas e os apartamentos não oferecem
Contato com a natureza iStock
  • Publicado em: 10.10.2015
  • Atualização: 03.07.2018
por

Que tal se, neste Dia das Crianças, ao invés de comprar presente, doarmos nosso tempo para estar com as crianças na natureza? “É de graça, é saudável e você não precisa viajar para um parque nacional”, argumenta Lais Fleury, coordenadora do projeto Criança e Natureza do Instituto Alana.

Sabemos, no entanto, que o estilo de vida nas grandes cidades não favorece o contato com a natureza: as cidades estão cada dia mais verticalizadas e adultos e crianças passam a maior parte do tempo em ambientes pequenos, fechados e cimentados. O medo, o trânsito, e a violência impedem que as crianças brinquem nas ruas.

Em entrevista ao Lunetas, Lais também comentou a dinâmica das escolas.

“As escolas favorecem o desenvolvimento cognitivo em detrimento do corpo e movimento”

Quando se possibilita uma relação com a natureza é uma relação utilitarista. A natureza é sempre vista como bem de consumo que vai oferecer madeira ou alimento. Poucas vezes vemos o brincar livre, como se a natureza sempre tivesse que fornecer algo palpável”, defende.

Outro ponto para analisarmos é que como temos cada vez menos contato com a natureza, a associamos a algo que ameaça, que pode sujar, ser perigoso ou machucar. Mas, ao brincar livremente na natureza, a criança é estimulada em todos os sentidos.

“Sentir o vento no cabelo, perceber a diversidade de cores, ouvir os os sons. Algo que computador, as telas e os apartamentos não oferecem”

Abaixo, listamos três motivos pelos quais o contato com a natureza contribui para o desenvolvimento integral das crianças.

1. A natureza faz bem para a saúde

Lais ilustra que “crianças que vivem numa cidade que não oferece a referência do verde, automaticamente terão um estilo de vida mais sedentário”. Isto porque, elas não caminham na rua, não praticam atividades físicas e passam muito tempo em ambientes fechados. Por não usarem o corpo, acabam engordando: 30% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e cerca de 15% já é considerada obesa.

“Muitos estudos já comprovaram que o aparecimento das ‘doenças modernas’ como déficit de atenção e hiperatividade, surgem da falta de contato com a natureza”

É o que o o jornalista e escritor Richard Louv chamou, em 2005, de “transtorno de déficit de natureza“.

Os encontros do Nosso Quintal acontecem áreas naturais localizadas no bairro da Urca, como Pista Claudio Coutinho, Praia do Forte e Praia Vermelha. .

Pela desmedicalização da infância

O Brasil é o segundo maior consumidor de Ritalina do mundo, perdendo somente para os Estados Unidos. Essa substância atua como estimulante cerebral e promete ser a cura transtornos de déficit de atenção. De 2002 a 2006 a venda de Ritalina cresceu 400%, segundo o segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (IDUM). “Absolutamente medicalizadas, as famílias vão parar no consultório de pediatria exatamente por não tem o elemento na natureza na vida delas. Os médicos deveriam receitar uma hora verde por dia”, sugere Lais.

Leia a entrevista com o especialista no assunto, Denis Plaper, sobre desmedicalização da infância.

2. Na natureza, as crianças podem ser livres e criativas

“Livre na natureza, a criança está o tempo todo buscando, observando. Ela tem um aprendizado muito mais investigativo. Nesta fase de desenvolvimento, os pequenos têm todos os canais abertos, então se ela está num ambiente vivo ela está sendo estimulada naturalmente em todos os seus sentidos”. No entanto, o que se percebe nas escolas é exatamente uma diminuição dos desafios que o ambiente oferece para crianças.

“A escola tem medo que a criança se machuque e, quanto mais o ambiente for seguro, maior o peso institucional da escola”

Já na natureza, a criança escolhe a todo o momento os desafios que quer enfrentar. Ela assume riscos e gerencia esse risco. Vivendo esta experiência desde pequena, com certeza ela vai ser um adulto que tem capacidade maior de lidar com riscos.

Por fim, o contato com a natureza oferece vários elementos que saciam o desejo que a criança tem em relação ao brincar. Um simples pedacinho de galho pode se transformar numa espada, numa caneta ou varinha mágica. “Esse único elemento, que é desconstruído, dialoga com a alma imaginativa da criança. Ela consegue reinventar e ressignificar aquele objeto das mil maneiras que quiser. Então, naturalmente, a criança fica mais criativa e tem uma alma imaginativa muito maior”, afirma Lais.

3. As crianças serão adultos mais responsáveis

Se a criança cresce sem contato com a natureza, com certeza ela não será um defensor ambiental. Quem serão os futuros ambientalistas se não se possibilitarem às crianças essa experiência corporal, real com a natureza? E quais os benefícios que a sociedade tem se a gente estimula essa conexão? Uma sociedade menos violenta, menos agressiva.

Resumo

Lais Fleury, coordenadora do projeto Criança e Natureza, explica como o brincar livre e o contato com a natureza favorecem o desenvolvimento das crianças.
Ir para o início
Alguma dica ou sugestão? Encontrou um erro? Clique aqui e compartilhe com a gente!

Tenha Lunetas no seu e-mail