Museu Nacional e infância: não há futuro se não houver passado

Diante do incêndio que acometeu o Museu Nacional, conversamos com profissionais de diversas áreas sobre a importância dos museus para as crianças
Reprodução/Museu Nacional do Rio de Janeiro
  • Publicado em: 03.09.2018
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Aqui no Lunetas, acreditamos que cidades acolhedoras só acontecem quando a criança não enxerga a cidade como um mero caminho entre sua casa e a escola, e sim como um espaço vivo e potente, com aprendizados, memórias, ancestralidade e, claro, Cultura.

O incêndio que acometeu o Museu Nacional do Rio de Janeiro na noite deste domingo, 2, destruiu um acervo precioso que testemunhava e preservava a História brasileira. O espaço, localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte da cidade, era o maior acervo de antropologia da América Latina, com mais de 20 milhões de itens catalogados. Áreas como Arqueologia, Palentologia, Antropologia e outras foram parcial ou totalmente destruídos – dentre os itens perdidos, está Luzia, o mais antigo esqueleto humano do continente americano, com 12 mil anos de idade. Equipes ainda estão trabalhando no local e não se sabe precisar ao certo o tamanho do prejuízo.

Por isso, os lugares que escolhemos para passear com os pequenos diz muito sobre qual cidade queremos apresentar. Assim, diversificar a oferta cultural das crianças é um ato político, é exercer a cidadania no período da vida em que o ser humano constrói suas primeiras referências de mundo.

Para repercutir os impactos do incidente, precisamos (ainda mais) falar sobre a importância do repertório cultural na formação e no desenvolvimento das crianças. Convidamos diversos profissionais de múltiplas áreas de atuação para refletirmos juntos sobre o assunto. Dentre eles, o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli, autor de uma série de livros infantis e infantojuvenis que apresentam o assunto preservação da memória às crianças a partir dos dinossauros brasileiros – clique aqui para conhecer os livros.

Também contatamos a escritora Goimar Dantas, autora do livro “Rotas Literárias“, que se dedica a mapear e apresentar espaços e personagens de São Paulo que dialogam com a literatura. Mãe de dois filhos, ela defende o esforço familiar de valorizar os espaços culturais nas horas de lazer.

“Passei a vida levando os dois em museus de todos os lugares que visitávamos, mesmo sendo muito agitados quando crianças. Mesmo assim eu fazia questão”, conta Goimar.

A professora Marina Fontanelli atuou como educadora no Museu Histórico Nacional, e divide com o Lunetas suas lembranças do período, junto às crianças que frequentavam o espaço.

“Pude experenciar como é transformador para uma criança uma visita ao museu. Na verdade, tudo é uma aventura, o ônibus, a escada rolante, passear com os amigos e amigas fora da escola. Durante a visita, a cada objeto mostrado e história contada é uma surpresa, um comentário com o colega, uma pergunta, momentos que ficam marcados para sempre na memória”, relembra.

Ouvimos também a arquiteta Simone Sayegh e  a jornalista Bianca Antunes, autoras do livro “Casacadabra“, que traz o tema cidades educadoras para as crianças.  “Fomentar a ida a museus desde a infância é garantir cidadãos de pensamento crítico”, defendem.

Em nota oficial à imprensa publicada na fanpage do Museu, Alexander Kelner, diretor do espaço, é fundamental que o Governo Federal apoie a instituição neste momento.

“É uma enorme tragédia. A hora é de união e reconstrução”

“Infelizmente, ainda não conseguimos mensurar o dano total ao acervo, mas precisamos mobilizar toda a sociedade para a recuperação de uma das mais importantes instituições científicas do mundo”, diz o texto.

Arquivo pessoal/Goimar Dantas

Sobre a importância de levar as crianças a museus e outros equipamentos culturais e históricos: a ampliação do repertório começa em casa.

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Resumo

Diante do incêndio que acometeu o Museu Nacional, conversamos com profissionais de diversas áreas sobre a importância de frequentar museus com as crianças como um exercício de cidadania e valorização da memória do país.
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