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Como nasce um pai? 15 livros sobre paternidade

Paternidade negra, atípica, homoafetiva. Não existe receita para ser pai: e sim um denominador comum: a presença amorosa
Livros sobre paternidade
  • Publicado em: 07.08.2018
  • Atualização: 10.08.2018
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Já ouviu aquela história de que “quando nasce um bebê, nasce uma mãe”? E como nasce um pai? No Lunetas, falamos com frequência sobre a construção dos vínculos entre pais e filhos, e podemos observar essa relação de diversas perspectivas.

Um dos pontos a se considerar é que a construção da maternidade é física – há uma barriga que cresce, hormônios que se agitam e uma nova corporalidade que se manifesta. Para o homem, a paternidade acontece de outras formas, e não acompanha um corpo que se transforma, mas sim um emocional que se acomoda à chegada daquela nova vida.

Para celebrar a paternidade sensível e acolher as transformações que perpassam a construção do “tornar-se pai”, selecionamos algumas leituras de interesse sobre o assunto. Livros que falam sobre o que é ser pai no século 21, em que cada vez mais emerge a potencialidade da chamada “masculinidade positiva“, que se liberta dos estereótipos do homem provedor que não demonstra emoções para celebrar a sensibilidade do masculino.

Como toda lista, é um ponto de partida, longe de ser definitivo. Tem ficção, não ficção, relato autobiográfico, quadrinho e outros gêneros sobre paternidades diversas, enfocadas a partir de também diversas perspectivas – racialidade, gênero, limitações específicas, adoção, entre muitas outras. São livros que mostram como a paternidade – assim como a maternidade –  não precisa e nem pode ser heróica, mas sim presente e amorosa.

Para isso, a ficção também nos lembra sobre os pais omissos e ausentes, e as marcas que o abandono pode deixar na vida de um indivíduo. Confira as dicas, e conheça esses livros que acolhem as múltiplas paternidades que podem existir, considerando que a figura do pai pode ser representada por qualquer pessoa que exerça o papel de referência em cuidado e afetividade para a criança.

  • 1. “Meu menino vadio”- Luiz Fernando Viana (Intrínseca)

O jornalista paulistano Luiz Fernando Vianna é pai de um garoto com autismo. Escrito todo em primeira pessoa, o livro é uma espécie de diário hiperrrealista de um relacionamento pai e filho do ponto de vista do transtorno do transtorno: como a relação dos dois nasce, cresce e se desenvolve a cada dia sob a luz – e, muitas vezes, sob a sombra também – da condição do filho. O leitor acompanha uma jornada real, que é toda permeada por tentativas e erros, inseguranças e medos. Não por acaso, Luiz Fernando escolheu como epígrafe do livro os versos de Paulinho da Viola: “as coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender”. Leia a entrevista que fizemos com o autor e saiba mais sobre o livro.

  • 2. “O Homem Subjugado – O dilema das masculinidades no mundo contemporâneo” – Malvina Muszkat (Summus Editorial)

A argentina Malvina Muszkat é psicanalista e especialista em mediação de conflitos pela Fundación Diálogos de Bilden-Entidad. Neste livro, ela reflete sobre o que chama de “assimetrias na formação de identidade de homens e mulheres”. Ela acredita ser possível construir novas possibilidades de masculinidade – e consequetemente, de paternidade – a partir do diálogo e da afetividade. “Defendo a tese de que o masculino em nossa cultura é tão subordinado quanto o feminino, embora isso não seja reconhecido como imaginário coletivo”, diz. Saiba mais.

  • 3. “Na minha pele” – Lázaro Ramos (Companhia das Letras)

O ator e diretor é pai de Maria Antônia e João Vicente, faz neste livro um convite à alteridade. Conforme o título sugere, ele avalia os desafios da vida em sociedade a partir da perspectiva da negritude. Em relatos pessoais, ele compartilha reflexões sobre família, fênero, empoderamento e discriminação, passando pela paternidade e parentalidade. “Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo”, diz a sinopse. Saiba mais.

Leia um trecho de “Na minha pele”

Esta viagem que começa aqui só é possível porque redescobri um mundo que é meu, mas que não pertence só a mim. Ele é parte de uma busca que todos nós devemos fazer para compreendermos
quem somos. Por isso, sempre que eu falar de mim neste livro, estarei também falando sobre você. Ou, ao menos, sobre essa busca saudável por identidades. Os momentos que soarem mais autobiográficos estão aqui apenas para servir de fio condutor da viagem que fiz para destrinchar
esse tema. Se posso fazer alguma sugestão, aconselho que abra este livro não para encontrar minha biografia, mas para ouvir as vozes dos que estão ao meu lado. Estas páginas foram elaboradas
por várias vozes. É uma narrativa capitaneada por mim, mas que conta com a contribuição de uma série de personagens — alguns famosos e muitos anônimos —, que se reúne aqui para construir
um caudaloso fluxo de informações, sentimentos e reflexões. São pessoas de diferentes idades, profissões, gênero e religiões.

  • 4. “Entre o Mundo e Eu” – Ta-Nehisi Coates (Companhia das Letras)

A partir de uma carta escrita para o filho em 2014, em meio às discussões sobre discriminação racial nos Estados Unidos, o jornalista americano Ta-Nehisi Coates reflete sobre o que é habitar um corpo negro na América. No livro, ele aproxima as grandes questões socioculturais e históricas da humanidade, como o racismo, a desigualdade social e a intolerância com a vida do filho, como pais preocupados que antecipam as angústias futuras dos filhos. Um relato autobiográfico que se revela uma declaração de amor paterno. “Como podemos avaliar de forma honesta a história e, ao mesmo tempo, nos libertar do fardo que ela representa?”, questiona. Saiba mais.

  • 5. Bebegrafia -Rodrigo Bueno e Victor Farat (Timo)

“Bebegrafia” não é apenas um livro ilustrado sobre tornar-se um pai ou uma mãe. É uma maneira de eternizar esse momento, congelar no tempo algo muito delicado e fugaz. “O ‘Bebegrafia’ conta em primeira pessoa como foi nossa experiência com nossos bebês. Não somente “como demos conta do recado” mas também sobre o que ‘não demos conta’. Sem julgamentos. A lente do humor não permite isso. Não é mais um manual, um discurso absoluto, pelo contrário. É um convite aos novos pais e mães se inspirarem com o novo, o inédito, o inusitado”, explicam os autores, Rodrigo Bueno e Victor Farat.  Saiba mais.

Divulgação/Timo

Livro “Bebegrafia”, de Rodrigo Bueno e Victor Farat.

  • 8. “Papai é pop – um livro sobre todos os tipos de pai” – Marcos Piangers (Belas Letras)

Blogueiro e porta-voz da paternidade ativa, Marcos Piangers, de Florianópolis, é autor de três livros sobre o assunto, “Papai é pop” (versões 1, 2 e em quadrinhos), e “O poder do eu te amo”. No primeiro, ele defende a presença amorosa como o único elemento que não pode faltar na vida de uma criança. Já o segundo é uma celebração da potência do afeto. Fenômeno na internet, os vídeos de Piangers falam sobre família, parentalidade e principalmente sobre vínculos afetivos, chegando a 50 milhões de visualizações. Saiba mais.

Marcos Piangers, e as filhas Aurora e Anita
Giselle Sauer

Marcos Piangers, e as filhas Aurora e Anita. “O machismo nos afasta da mágica que é cuidar dos filhos”.

  • 6. “Abrace seu filho” – Thiago Queiroz (Belas Letras)

Pai de Dante e Gael, Thiago Queiroz é ducador parental, autor do Paizinho Vírgula e cocriador do Tricô de Pais, primeiro podcast com foco em paternidade. Neste livro, ele conta como a paternidade e a aplicação do conceito da “disciplina positiva” no dia a dia construiu sua relação com os filhos, transformou sua própria masculinidade e o fez se reconectar com sua própria referência paterna. “Certo dia, num desses textos que eu escrevi relatando o que eu estava vivendo durante a gestação do Gael, sobre meus medos e pensamentos de como seria criar dois filhos, recebi um comentário que jamais imaginei receber. Era do meu pai. ‘Será que chegou a hora de nos reencontrarmos, filho?”, escreve.

  • 7. “Do seu pai”, Pedro Fonseca (Zouk)

Mais conhecido como Pedrinho, o publicitário e escritor Pedro Fonseca, de Pernambuco, é pai de Joaquim, Irene, Teresa e João. Neste livro, ele reúne crônicas e cartas que escreveu para os filhos no projeto autoral Do Seu Pai, onde publicou até 2016. “Este é um livro sobre o nascimento de um pai”, diz a sinopse. Com uma linguagem que explora os limites entre a poesia e a dureza do cotidiano, ele narra o mundo para as crianças que futuramente irão lê-lo. “Que o amor que está nessas páginas, seja nosso encontro em forma de livro, que nos aproxime, e que possa também ser seu guia, mapa, diário”, escreve. Saiba mais.

Pedro Fonseca/pedrinhofonseca.com/doseupai

“O novo, filhos, é o maior inimigo das nossas certezas”, escreve Pedro em um dos textos publicados em “Do seu pai”.

  • 9. “Não era você que eu esperava” – Fabien Toulmé e Fernando Scheibe (Nemo-Autêntica)

Autobiográfico e misto de sensibilidade com crueza, o livro conta por meio de quadrinhos o encontro inesperado de um pai com a condição genética da filha, que nasceu com Síndrome de Down. A história acompanha os sentimentos que permeiam a vida de um pai recém-nascido diante do novo: da raiva à rejeição, culminando na construção do amor paterno. Um livro para lidar com o medo imperfeição e – tanto para quem a vivencia quanto para quem defende a inclusão – aceitar a diferença como parte inevitável de ser humano. Saiba mais.

  • 10. “Minha Luta” – Karl Ove Knausgård (Companhia das Letras)

O cultuado escritor norueguês Karl Ove Knausgård ganhou fama mundial com a série de livros Minha Luta, em que revisita suas próprias memórias e os limites entre ficção e realidade. No primeiro volume, “A morte do pai”, ele volta à sua juventude em busca de reconstruir a trajetória do pai, com quem tinha uma relação distante. “Sensível, Knausgård investiga também o próprio presente: aos 39 anos, pai de três filhos, ele deve se ajustar à rotina em família, trocar fraldas e apartar brigas, tudo isso enquanto tenta escrever seu novo romance, numa luta diária”, conta a sinopse. Saiba mais.

  • 11. “Trilogia do adeus”, João Anzanello Carrascoza (Companhia das Letras)

Conhecido por seu trato poético com a linguagem em prosa, Carrascoza escreveu três livros em que aborda, diretamente ou indiretamente, o assunto paternidade. Em “Caderno de um ausente” (vencedor do prêmio Jabuti 2015), sua abordagem mais específica do tema, ele faz um romance epistolar, uma longa carta, cheia de afetos e descobertas do mundo, para a filha Beatriz, que acaba de nascer, com medo da possibilidade de não estar por perto quando ela crescer.  Na sequência, o segundo volume “Menina escrevendo com pai” traz Beatriz já adulta que responde a carta do pai, narrando a relacionamento entre pai e filha. “A pele da terra” fecha a trilogia, e é narrado por Mateus, irmão de Bia. “Um olhar tríplice sobre os vínculos entre pais e filhos, e sobre como pequenas ações do cotidiano nos marcam para sempre”, adianta a sinopse. Saiba mais.

Capas dos livros "Caderno de um ausente", "Menina escrevendo com pais" e "A pele da terra". Todas têm fundos coloridos (amarelo, azul e cor-de-rosa), somente com o título em tipografia sobre eles.
Divulgação

“Trilogia do Adeus”, de João Anzanello Carrascoza.

  • 12. “O filho eterno” – Cristovão Tezza (Record)

Prêmio Portugal Telecom, Jabuti e São Paulo de Literatura em 2008, o romance autobiográfico fala sobre a relação do autor com o filho Felipe, que tem síndrome de Down. Com uma linguagem realista e coragem de nomear seus medos de novo pai, o escritor relembra as dificuldades de construir vínculos afetivos com o filho e os desafios internos e externos que vivenciou com a chegada da paternidade. O livro já foi traduzido para oito idiomas, e ganhou adaptação no teatro e no cinema, lançadas em 2011 e em 2016. Saiba mais.

  • 13. “Uma menina está perdida em seu século à procura do pai” – Gonçalo M. Tavares

Definido pelo jornal francês como “um Kafka português”, o livro acompanha a busca da jovem Hanna, de 14 anos, pelo pai, Marius, que se esconde do passado. Portadora de uma doença congênita, Hanna leva consigo uma caixa com perguntas que ajudam a entender o que é o ser humano. A partir de uma história construída a partir da empatia pelos homens comuns, o leitor acompanha a fragilidade das relações e reflete sobre o impacto da ausência do pai.

  • 14. “Famílias Homoafetivas. A Insistência em Ser Feliz”, de Lícia Loltran

Este livro-reportagem de Lícia Loltran é um convite à desconstrução de estereótipos sobre os relacionamentos homoafetivos. Há, na sociedade, uma distorção quanto ao público e o privado dessas relações e uma tendência em limitá-las, apenas, ao campo do sexo e da intimidade (privado) e não ao da afetividade, da busca pela felicidade e do respeito à diversidade. Essas histórias também destacam as dificuldades de casais homoafetivos na legalização de suas uniões, nas adoções e, principalmente, na superação de preconceitos. Saiba mais.

  • 15. “Longe da árvore” – Andrew Solomon (Companhia das Letras)

Neste livro sobre diversas experiências de parentalidades atípicas, o autor Andrew Solomon fala sobre as chamadas “identidades horizontais” (ou seja, divergentes dos padrões familiares e sociais predeterminados). O livro acompanha as histórias reais de famílias com filhos com Síndrome de Down, autistas, prodígios, transexuais, esquizofrênicos, crianças com deficiências simples ou múltiplas e crianças cuja concepção foi fruto de um estupro. Crianças, enfim, que foram “diferentes” e desafiaram o afeto dos pais. Saiba mais. Assista ao book trailer:

Leia também:

Estereótipos de masculinidade: armadilha para homens e mulheres

Resumo

Livros para lembrar que a paternidade não precisa e nem pode ser heróica, mas sim presente e afetiva.
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