Cordel para crianças: 7 livros que revivem essa cultura popular

Uma lista de livros de cordel para introduzir as crianças nessa rica cultura popular de origem portuguesa que ganhou novas rimas pelo Nordeste brasileiro
iStock/arte Lunetas
  • Publicado em: 06.01.2021
da Redação

Reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro, a literatura de cordel, típica da cultura popular nordestina, conta histórias em geral baseadas em relatos conhecidos, a partir de um ritmo simples marcado pelas rimas, com traços de humor próprio e comumente acompanhadas de xilogravuras, uma técnica de ilustração característica desse gênero. Assim, a leitura de um cordel, tanto por sua trama quanto pela cadência, pode ser tão divertida quanto uma brincadeira!

Com origem nos trovadores medievais na metade do século 19, a tradição cordelista veio de Portugal e se expandiu da Bahia ao Pará. Os folhetos, vendidos nas feiras, eram a principal fonte de informação da população e trazia desde aventuras de cavalaria até narrativas inspiradas no cotidiano do povo. 

Na lista de livros de cordel para as crianças que compartilhamos a seguir, apresentamos alguns autores que encontraram nessa arte um jeito bem peculiar de contar histórias e entreter o público infantil.

Literatura de cordel para crianças

Capa do livro "Sete cordéis para sete cantigas": fundo laranja com papéis de cordel pendurados na partitura de uma música
“Sete cordéis para sete cantigas” (Independente) Por que o sapo não lava o pé? Por que o Cravo e a Rosa brigaram embaixo da sacada? Por que a Dona Aranha subiu pela parede? E como é que de melão faz melancia? As respostas para essas e muitas outras perguntas estão em divertidos poemas e histórias de cordel inspirados em cantigas de roda, cantigas tradicionais e brincadeiras cantadas do repertório popular. Ganhador do Edital PROAC 2019 de Literatura Infantojuvenil, o livro escrito por Cristiano Gouveia propõe um mergulho às formas poéticas do cordel, como a sextilha e a setilha (estrofes de seis e sete versos), com escrita muitas vezes cômica combinada ao lirismo e ao apelo ao fantástico. Nesta brincadeira entre cordel e cantigas, o leitor é convidado a viajar por diversas vertentes da arte popular e a se encantar pelas ilustrações inspiradas na xilogravura, técnica emblemática da literatura de cordel brasileira.
Capa do livro "Nina no cerrado": no fundo branco, há uma árvore de folhas vermelhas e uma menina pendurada em um dos galhos em contornos pretos
“Nina no cerrado” (Oficina de Textos) O livro de Nina Nazario conta a história desse importante bioma brasileiro, por meio de versos de cordel, ilustrações e fotos de animais, frutos e paisagens típicas. A experiência e a familiaridade da autora com a vida do cerrado conferem ao livro um caráter acolhedor, transportando o pequeno leitor a esse ambiente. A linguagem poética torna as características do cerrado atraentes e de fácil assimilação para o público infantojuvenil e colabora para que as crianças entendam o processo de transformação do cerrado – do surgimento da vegetação, passando pelas épocas de chuva, de seca e incêndio, até o reinício do ciclo natural.
Capa do livro "Ela tem olhos de céu": uma menina segura uma sombrinha no meio de um campo árido e um céu nublado
“Ela tem olhos de céu” (Gaivota) Os versos de Socorro Acioli e as imagens do cordel feitas por Mateus Rios apresentam a realidade e a cultura nordestina com sensibilidade e magia a partir do nascimento de Sebastiana: a menina que tem olhos de céu. Será dom ou maldição? Na cidade de Santa Rita do Norte, onde tudo pode acontecer e nada será como antes, ninguém sabe mais o que fazer para controlar os fenômenos provocados pela pequena criança.
Capa do livro "A pedra do meio-dia ou Artur e Isadora": um menino e uma menina correm de mãos dadas parecendo fugir de algo
“A pedra do meio-dia ou Artur e Isadora” (Editora 34) A narrativa toda em forma de cordel para crianças conta a história de Artur, um andarilho valente que, em sua caminhada, salva a bela Isadora das garras de uma onça. Isadora, por sua vez, precisa encontrar a pedra do meio-dia para salvar seu reino enfeitiçado por um gigante. No final do livro, o autor Bráulio Tavares explica as origens e características deste gênero.
Capa do livro "Lampião & Lancelote": num fundo preto, os dois personagens aparecem cada um de um lado, pela metade
“Lampião & Lancelote” (Pequena Zahar) Um dos mais premiados livros infantis brasileiros, “Lampião & Lancelote” narra um encontro inusitado entre o cangaceiro mais perigoso do Brasil e o mais temível cavaleiro da Távola Redonda do Rei Arthur. É com esta trama enlaçada em texto e imagem que se constrói um fantástico duelo entre culturas e tradições que dialogam de forma poética, combinando e contrastando linguagens e universos. A rima do cordel aparece nas falas e descrições dos personagens e se mistura à narrativa épica medieval para a viagem de Lancelote, pelas mãos de Fernando Vilela. Nas ilustrações, há referências como xilogravuras e registros fotográficos para o cangaço e pinturas renascentistas e armaduras de época para a Távola Redonda.
Capa do livro "Desafios de cordel": um fundo de listas coloridas traz, à frente, dois homens tocando instrumentos com os traços característicos do cordel
“Desafios de cordel” (FTD) Após apresentar um panorama da literatura de cordel e do repente de viola, duas autênticas manifestações da cultura popular brasileira, o autor César Obeid conta, com humor, sobre os ciclos do reconto, jornalístico, biográfico e diversos desafios, inspirados nas famosas pelejas entre cantadores repentistas. Os poemas ganham ilustrações feitas em técnica mista, incluindo a xilogravura, técnica de ilustração típica das capas dos folhetos tradicionais.
“Só sei que foi assim” (Melhoramentos) Um livro multimídia que busca concentrar vários detalhes da cultura brasileira. A autora Fernanda de Oliveira apresenta histórias para ler, cantar e dançar, e convida as crianças a conhecerem o cancioneiro popular brasileiro. Em tom de conversa fiada (ou fofoca), Fê Liz narra como foram criadas 21 cantigas de roda, entre elas “Sapo Cururu”, “Fui no Tororó” e “Meu Limão, Meu Limoeiro”. Cada canção é acompanhada de um conto fantástico sobre sua origem, reforçando a cidadania e a autoestima do brasileiro. Há também vídeos que podem ser acessados por meio de um QR Code. A obra conta ainda com um dos maiores nomes do cordel e da arte folclórica, o xilógrafo J. Borges, e o filho dele, o artista plástico Pablo Borges. O maestro Giordano Pagotti é responsável pelos arranjos musicais, com samba, chorinho, forró, frevo, bossa nova e MPB.

*As descrições sobre cada livro foram elaboradas a partir de material disponibilizado pelas próprias editoras.

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Resumo

Uma lista de livros de cordel para introduzir as crianças nessa rica cultura popular de origem portuguesa que ganhou novas rimas pelo Nordeste brasileiro.
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