30 livros sobre meninas inspiradoras para ler com os meninos

Para construir referências femininas e ajudar no combate à misoginia, conheça narrativas de protagonistas mulheres para apresentar aos meninos e homens

Renata Rossi Publicado em 04.04.2025
livros sobre meninas: imagem de capa tem ilustração coloridas de meninas brincando.
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Resumo

Representatividade na literatura para crianças e jovens pode contribuir para desfazer estereótipos de gênero. Nesta reportagem, apresentamos 30 sugestões de livros com mulheres e meninas protagonistas para ampliar horizontes e mostrar aos meninos e homens.

Em uma atividade escolar sobre o Dia Internacional da Mulher, a turma da minha filha, de crianças de 9 e 10 anos, compartilhou com os colegas o nome de uma mulher que os inspirasse. Curiosa, perguntei quem eles citaram. Confesso que esperava nomes como Rebeca Andrade, que brilhou nas Olimpíadas ou de alguma cantora, como a sul-coreana Rosé, fenômeno entre as crianças da turma.

Porém, a surpresa veio quando soube que os nomes mais lembrados foram os das avós e das mães. De fato, elas são inspirações para cada criança. Mas a inquietação foi por causa da ausência de personalidades públicas — mulheres que fazem a diferença no mundo e deixam um legado para além do ambiente familiar.

Portanto, se a atividade fosse sobre homens inspiradores, quem apareceria? Jogadores de futebol, cantores, cientistas, políticos?

Thais Linhares, escritora e especialista em Direitos Humanos, explica que a dificuldade em pensar mulheres como referência vem da estrutura da da sociedade em ter o masculino no centro do poder.

“As leis são feitas por eles, o sistema foi construído e é exercido por eles. É justamente aí que está a questão. Meninos não se inspiram em mulheres porque elas não são vistas como figuras capazes de transformar esse sistema de fato.”

Meninos podem aprender a admirar e a respeitar mulheres e meninas

Há muitas mulheres que podem mostrar aos meninos seus grandes feitos e, ao mesmo tempo, inspirar as meninas para além do papel de cuidadoras da família. A representatividade importa, pois contribui para a construção do imaginário e rompe com estereótipos de gênero.

Para a pedagoga e mestre em sociologia Divimary Borges, “livros com protagonistas femininas oferecem modelos de personagens fortes, corajosas, inteligentes e independentes”. Ela reforça que essas narrativas permitem que os leitores se identifiquem com as personagens e visualizem possibilidades para si mesmos.

No artigo A desconstrução dos estereótipos de gênero na Educação, ela defende que o protagonismo feminino na literatura infantil desafia fronteiras estabelecidas pela tradição cultural, promovendo mudanças sociais e ampliando a conscientização sobre as diversas aspirações das mulheres — que são capazes de realizar o que desejem.

Literatura como ponte para desfazer estereótipos de gênero

A série ‘Adolescência’ (Netflix), que investiga os motivos que levam meninos a serem violentos, acendeu um alerta entre famílias e educadores. Nesse sentido, trazemos a literatura como uma aliada no processo de educar meninos a respeitarem as meninas. Para Linhares, ela talvez seja uma das ferramentas mais eficazes para a transformação social. “A literatura nos ajuda a entender que o sistema em que vivemos foi construído e, por isso, pode ser transformado”, defende.

“Por meio da arte, a literatura, propomos ideias, reconstruímos e criamos algo melhor para todos. Precisamos debater sem medo de provocar mudanças, porque, se as coisas não estão boas agora, com certeza podemos melhorar.”

Para apoiar as famílias nesse caminho, o Lunetas traz uma lista de livros sobre meninas e mulheres protagonistas. Organizadas por nível de habilidade leitora, as sugestões buscam ampliar as representações femininas e inspirar conversas tanto em casa quanto na escola.

Mulheres protagonistas de A a Z

Histórias reais de mulheres que mudaram e mudam o mundo para leitores de todas as idades. Para a leitura em família, uma proposta é a cada noite ler e conversar sobre uma das mulheres ou duplas. Certamente haverá descobertas que irão impressionar a todos.

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“Histórias de ninar para garotas rebeldes”, de Elena Favilli e Francesca Cavallo (V&R)

Este livro reinventa os contos de fadas ao contar a trajetória de 100 mulheres inspiradoras. De Cleópatra a Simone Biles, de Marie Curie a Amelia Earhart, suas histórias mostram coragem, talento e determinação. A coleção conta com quatro volumes, um com mulheres negras e outro com brasileiras extraordinárias e ainda imigrantes que mudaram o mundo. Ilustrados por artistas de diferentes países, a coleção inspira meninas a sonhar grande.    

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“ABCDelas”, de Janaina Tokitaka (Companhia das Letrinhas)

Neste abecedário diferente, cada letra apresenta uma mulher pioneira em sua profissão. Com textos bem-humorados e ilustrações vibrantes, o livro destaca trajetórias como a da aviadora Anésia Pinheiro Machado e da chef Eugénie Brazier. Uma celebração das mulheres que abriram caminhos e continuam inspirando novas gerações.

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“Meninas sonhadoras, mulheres cientistas”, de Flavia Martins de Carvalho (Mostarda)

Uma coleção de livros que valoriza a representatividade e incentiva meninas a sonhar. Escritos em cordel, os três livros celebram mulheres que venceram desafios para brilhar em suas áreas: ciências da natureza e matemática, linguagens e ciências humanas e sustentabilidade. A maioria das cientistas retratadas é negra e brasileira, mas há também indígenas, brancas e estrangeiras, todas unindo profissão e ação social.

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“Amigas que se encontraram na história”, de Angelica Kalil e Amma (Seguinte)

Quando as mulheres se unem, fazem história. Os dois volumes da coleção apresentam cada um dez duplas de mulheres que impactaram o mundo em diferentes épocas e áreas. De Marilyn Monroe e Ella Fitzgerald a Malala e Emma Watson, essas amizades inspiradoras mostram a força do apoio mútuo. Uma leitura essencial para repensarmos as relações de gênero e celebrarmos a sororidade.

Para leitores iniciantes

Para os leitores que estão começando sua trajetória, ter um adulto por perto lendo junto é reconfortante e encorajador. Então, ler junto se torna um momento de vínculo, que pode abrir conversas sobre os assuntos que os livros convidam a pensar.

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“Meninas”, de Angelica Kalil e Amma (Veneta)

Os quadrinhos narram momentos marcantes das infâncias de dez mulheres que fizeram história no Brasil. Carolina Maria de Jesus aprendendo a ler, Ruth de Souza no cinema, Chiquinha Gonzaga compondo sua primeira música e Marta descobrindo o futebol são algumas das narrativas inspiradoras que compõem essa obra.

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“Eu sou uma menina”, de Yasmeen Ismail (Brinque-Book)

Determinada e cheia de energia, a protagonista desta história adora aventuras e nunca se dá por vencida. Mesmo quando insistem em confundi-la com um menino, segue firme, mostrando que meninas podem ser o que quiserem. 

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“O mundo no black power de Tayó”, de Kiusam de Oliveira e Taisa Borges (Peirópolis)

Tayó é uma menina negra que ama seu black power e o enfeita de mil formas. Quando seus colegas tentam dizer que ele é “ruim”, ela responde com orgulho: “Vocês têm inveja, porque não podem carregar o mundo nos cabelos!”. Nessa narrativa,os cabelos de Tayó são símbolo da riqueza cultural e da imaginação de um povo.

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“Super”, de Jean-Claude Alphen (Pulo do Gato)

De repente o superpai desta história, que sempre ia trabalhar, agora fica em casa, enquanto a mãe passa a sair todos os dias. Através dos olhos da criança, acompanhamos as dúvidas e descobertas sobre os papéis familiares. 

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“Tuiupé e o maracá mágico”, de Auritha Tabajara, Paôla Torres e Tai (Companhia das Letrinhas)

Tuiupé é uma menina indígena cheia de alegria, que aprende muito sobre as tradições de seu povo com o pajé Saracura. Em um dia de tempestade, sua vida toma um rumo inesperado. Narrada em cordel, a história convida a mergulhar na cultura dos povos originários e na força dos sonhos, em um tempo em que a natureza e a magia caminham juntas.

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“Princesas em Greve!” e “Príncipes em Marcha!”, de Thais Linhares (Cortez Editora)

Nas histórias de Thais Linhares, princesas não esperam resgate e príncipes se unem à luta pela igualdade. Em Princesas em Greve!, as protagonistas rompem com estereótipos e escolhem seu próprio caminho, inspiradas por mulheres reais. Já em Príncipes em Marcha!, os heróis dos contos de fadas desafiam padrões de masculinidade e mostram que meninos também podem sentir medo e expressar emoções. Com sensibilidade e humor, a autora convida leitores a repensar papéis e construir um mundo mais justo.

Para ler em capítulos

Nestas narrativas as protagonistas mostram que não estão para brincadeira. Assim como nas novelas, estes livros são divididos em capítulos que vão se conectando e construindo histórias inspiradoras, divertidas e cheias de questionamento.

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“Píppi Meialonga”, de Astrid Lindgren e Ingrid Nyman (Companhia das Letrinhas)

Píppi tem nove anos, é forte como ninguém e vive sozinha e feliz, com um cavalo e um macaquinho. Ela enfrenta policiais, ladrões e até um touro, sempre com seu jeito irreverente e cheio de humor. Uma história inesquecível sobre liberdade e aventura, escrita por uma das mais importantes autoras da literatura infantil mundial.

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“Matilda”, de Roald Dahl e Quentin Blake (WMF)

Matilda é uma menina genial que ama livros, mas seus pais não entendem seu talento. Na escola, encontra uma diretora cruel, mas também uma professora que acredita nela. E quando descobre que tem poderes especiais, sua vida muda para sempre! Uma história divertida e inspiradora sobre o poder do conhecimento e da imaginação.

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“A bolsa amarela”, de Lygia Bojunga (Casa Lygia Bojunga)

Nesta obra clássica, uma menina guarda em sua bolsa amarela três grandes vontades: crescer, ser menino e se tornar escritora. Em meio ao mundo real e sua fértil imaginação, ela enfrenta desafios e se descobre como pessoa. Com humor e sensibilidade, o livro questiona regras impostas e celebra o direito de sonhar.

Para leitores fluentes

A pesquisadora e escritora Susana Ventura diz que a borracha do tempo apaga mais e melhor as histórias das mulheres. Algumas delas estão nesta seleção para leitores que já têm intimidade com os livros. Mas, nada impede que os adultos leiam juntos, cultivando o vínculo e as conversas.

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“Grace O’Malley, a pirata invencível”, de Heloisa Prieto, Vitor Scatolin e Angelo Abu (SM)

No século XVI, Grace O’Malley desafiou as regras para viver no mar. Tornou-se uma estrategista brilhante, lutou contra inimigos poderosos e enfrentou a coroa inglesa. Neste livro, sua história ganha vida em uma narrativa envolvente, com linha do tempo, hino e poemas irlandeses que celebram sua coragem.

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“As aventuras de Sargento Verde”, de Helena Gomes e Ágatha Krétli (Biruta)

Uma garota disfarçada de sargento e um príncipe que precisa provar seu valor embarcam em uma jornada repleta de perigos. Juntos, enfrentam dragões, fadas traiçoeiras e segredos que podem mudar seus destinos. Uma aventura emocionante sobre coragem e amizade.

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“A profecia de Beatryce”, de Kate DiCamillo e Sophie Blackall (WMF)

Beatryce é encontrada por monges ao lado de uma cabra incomum. Perseguida por razões misteriosas, ela embarca em uma jornada cheia de desafios e encontros improváveis. Entre profecias, perigos e descobertas, sua história revela a força de quem busca seu próprio caminho.

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“Princesas, bruxas e uma sardinha na brasa”, de Geni Souza, Helena Gomes e Alexandre Camanho (Biruta)

Bruxas, princesas, camponesas e madrastas. Nos contos de fadas, as mulheres nem sempre escolhem seu destino. Mas e se fosse diferente? Com narrativas envolventes, este livro questiona papéis tradicionais e mostra como todos podem ser agentes de mudança.

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“Malala: Minha história em defesa dos direitos das meninas”, de Malala Yousafzai e Patricia McCormick (Seguinte)

Malala sempre acreditou no direito das meninas à educação. Mesmo diante de ameaças, ela se recusou a ficar em silêncio e tornou-se a mais jovem ganhadora do Nobel da Paz. Nesta edição ilustrada e adaptada, conhecemos sua trajetória inspiradora e sua luta por um mundo mais justo.

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“Princesas Guerreiras”, de Janaína Tokitaka (Pallas)

De diversas culturas e épocas, essas princesas não esperam resgates – elas fazem suas próprias escolhas. De Oyá a Artemis, suas histórias mostram coragem, inteligência e determinação. Um livro que inspira a seguir o próprio caminho, sem submissões.

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“Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis”, de Jarid Arraes e Gabriela Pires (Seguinte)

Dandara, Carolina Maria de Jesus, Tereza de Benguela e muitas outras mulheres negras marcaram a história, mas foram esquecidas. Nesta coletânea em cordel, suas trajetórias de luta e resistência são resgatadas, celebrando sua força e inspirando novas gerações.

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“Sete contos que nunca me contaram”, de Susana Ventura (Biruta)

Escritos entre os séculos XVII e XIX por mulheres esquecidas pela história, estes contos trazem protagonistas que enfrentam desafios e reivindicam seu lugar no mundo. Com pesquisa e adaptação cuidadosa, esta obra resgata narrativas poderosas e inéditas no Brasil. Inéditas no Brasil, as narrativas são ilustradas por sete artistas brasileiras contemporâneas: Efe Godoy, Fernanda Peralta, Hanna Gomes, Jess Vieira, Marcela Scheid, Lumina Pirilampus e Mayara Ferrão.

Para leitores que curtem quadrinhos e graphic novels

Não é só de super-heróis que se fazem as HQs! Guerreiras, desbravadoras e até meninas questionadoras também estão representadas neste gênero que encanta leitores de todas as idades.

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“Mafalda”, de Quino (Martins Fontes)

Mafalda é só uma garotinha. Gosta de brincar, odeia sopa e adora os Beatles. Mas também questiona as injustiças do mundo e o absurdo do comportamento adulto. Criada por Quino nos anos 70, sua visão crítica e bem-humorada da realidade segue atual. Esta edição reúne todas as tirinhas da personagem, mostrando que ser consciente não significa ser pessimista — e muito menos, deixar de ser criança.

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“Uzuri, a Guerreira de Ketu”, de Marcos Cajé e Carlos Gritti (Mostarda)

No lendário Reino de Ketu, Uzuri e Mafuane vivem uma amizade transformadora. Uma profecia ancestral está prestes a se revelar e Uzuri precisa confiar em sua força para enfrentar desafios e descobrir seu destino. Em meio a aventuras e elementos da cultura africana, ela aprenderá que coragem e determinação são essenciais para trilhar seu próprio caminho.

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“Coraline”, de Neil Gaiman (Rocco Jovens Leitores)

Coraline descobre uma porta secreta em sua nova casa e encontra um mundo que parece melhor que o seu até perceber que há algo muito errado por trás daquela realidade. Para escapar e salvar sua família, ela precisará de coragem e astúcia. Com uma narrativa envolvente e assustadora na medida certa, Neil Gaiman nos conduz a um conto de fadas sombrio e inesquecível.

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“Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, adaptado por Xavier Colette e David Chauvel (L&PM)

Seguindo um coelho apressado, Alice cai em um mundo onde nada faz sentido. Criaturas excêntricas, lógica invertida e desafios enigmáticos a levam a questionar tudo o que conhece. Nesta adaptação em quadrinhos, os elementos fantásticos da clássica história de Lewis Carroll ganham vida em uma nova forma, conquistando leitores de todas as idades.

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“Harriet Tubman”, de Orlando Nilha e Eduardo Vetillo (Mostarda)

Nascida escravizada, Harriet Tubman lutou pela liberdade e ajudou centenas de pessoas a fugirem do cativeiro nos EUA. Corajosa e determinada, tornou-se uma das figuras mais importantes na luta contra a escravidão. Esta HQ retrata sua incrível trajetória, desde a infância até as perigosas jornadas pela Ferrovia Subterrânea, onde, guiada pela Estrela do Norte, desafiou perseguidores implacáveis em busca da terra dos livres.

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“Persépolis”, de Marjane Satrapi (Companhia das Letras)

Nesta autobiografia em quadrinhos, Marjane Satrapi narra sua infância e juventude no Irã durante a Revolução Islâmica. Criada em uma família politizada, ela viu seu país mudar drasticamente, enfrentando repressão, guerra e exílio. Com humor e sensibilidade, “Persépolis” combina história pessoal e contexto político, tornando-se um dos relatos mais impactantes sobre identidade, resistência e amadurecimento.

Para conversar sobre feminismo e relacionamentos abusivos com adolescentes

Dialogar com adolescentes sobre temas que atravessam esse período pode não ser uma tarefa fácil. Estas duas obras se propõem a contribuir com essas conversas. Valem também para os adultos terem contato, pois os temas tratados pelas autoras atravessam a todos.

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“Sejamos todos feministas: versão adaptada para jovens”, de Chimamanda Ngozi Adichie e Aju Paraguassu (Companhia das Letrinhas)

Nesta edição ilustrada e acessível, Chimamanda Ngozi Adichie convida os jovens a refletirem sobre o feminismo no século XXI. A autora compartilha sua jornada desde a infância na Nigéria até suas reflexões sobre igualdade, convidando leitores de todas as idades a repensarem direitos e oportunidades. Com uma introdução especial para jovens e um texto para pais e educadores, este livro inspira o diálogo e a transformação.

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“Eu nunca mais vou deixar você: Um guia ilustrado para ser feliz nos relacionamentos”, de Lorena Kaz (Peirópolis)

Neste livro em quadrinhos, Lorena Kaz compartilha aprendizados sobre relacionamentos abusivos e dependência emocional, baseados em sua própria trajetória. De forma sensível e direta, a autora aborda questões da infância, padrões de comportamento e machismo estrutural, trazendo reflexões para o autoconhecimento. Um guia visual envolvente e profundo para quem deseja entender melhor a si e construir relações mais saudáveis. Vale que as adultas tomem contato com a obra primeiro para, depois, apresentarem às adolescentes. 

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