17 poemas para celebrar as mães

Em homenagem às mães, buscamos o poder da poesia para se perpetuar nos corações dessas mulheres que são cada vez mais diversas e complexas
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  • Publicado em: 08.05.2020
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O Lunetas selecionou trechos de poemas com mensagens inspiradoras e potentes relacionadas à maternidade para celebrar as mães por meio das palavras. Nossa intenção é contemplar essas mulheres que encontraram seu jeito próprio de maternar e que merecem nossa admiração dia a dia.

Como a celebração da data ganhará contornos diferentes este ano, devido à impossibilidade que a pandemia de coronavírus coloca a muitos encontros de família e a espera estendida para que abraços possam se concretizar, sugerimos esse presente feito de poesia impresso em cartões comemorativos, compartilhado no grupo da família, postado nas redes sociais, recitado durante a chamada de vídeo do domingo ou mesmo para se guardar para uma leitura futura.

  • 1.
    O excerto escolhido de Alice Ruiz diz da experiência do corpo após a maternidade e como as exigências de contentamento se expandem, porque o coração já conheceu “o muito”.

“Depois que um corpo
comporta
outro corpo
nenhum coração
suporta
o pouco”

  • 2.
    Cora Coralina
    canta a potente matriz feminina que nos atravessa a todos.

“Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.”

  • 3. 
    Em Mario Quintana, aprendemos que as palavras de louvor às mães nunca serão suficientes se comparadas ao amor que elas nos dedicam.

“Para louvar a nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer.”

  • 4.
    Conceição Evaristo
    destaca os aprendizados que recebeu da mãe, apesar das dificuldades de uma infância sem fartura, e recupera as raízes da cultura negra.

“Foi de mãe todo o meu tesouro
veio dela todo o meu ganho
mulher sapiência, yabá,
do fogo tirava água
do pranto criava consolo.”

  • 5.
    Florbela Espanca
    bendiz as mulheres que geram, parem, amamentam, embalam, amam.

“‘Bendita seja a Mãe que te gerou.’
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!”

  • 6.
    Luz e sombra é o tema abordado por António Ramos Rosa e a combinação de ambos os elementos, da qual somos feitos, seria o caminho para o amor verdadeiro.

“Conheço a tua força, mãe, e a tua fragilidade.
Uma e outra têm a tua coragem, o teu alento vital.
Estou contigo mãe, no teu sonho permanente na tua esperança incerta
Estou contigo na tua simplicidade e nos teus gestos generosos.”

  • 7.
    Para mães ausentes, Carlos Drummond de Andrade reflete sobre como elas sempre permanecem por perto e dentro da gente porque são feitas de eternidade.

“Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.”

  • 8.
    Como um farol sempre a nos iluminar, Paul Celan aponta para a onipresença das mães nestes versos.

“A alma da tua mãe flutua adiante.
A alma da tua mãe ajuda a noite a navegar, escolho após escolho.
A alma da tua mãe fustiga os tubarões à tua frente.”

  • 9.
    Cecília Meireles
    escreve sobre a liberdade dos filhos e da constante vigília das mães, mesmo que distantes.

“Nossos filhos têm outro idioma, outros olhos, outra alma.
Não sabem ainda os caminhos de voltar, somente os de ir.
[…]
Nossos filhos passaram por nós, mas não são nossos,
querem ir sozinhos, e não sabemos por onde andam.
[…]
Nós estamos aqui, nesta vigília inexplicável,
esperando o que não vem, o rosto que já não conhecemos.
Nossos filhos estão onde não vemos nem sabemos.”

  • 10.
    Coelho Neto
    traz a voz do filho que tem medo intercalada à voz da mãe que vela e que estará feliz se o filho estiver feliz, como um espelho.

“Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
[…]
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu.
[…]
Todo o bem que a mãe goza é bem do
filho, espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!”

  • 11.
    Eugénio de Andrade
    resgata a criança que permanece em nós mesmo quando crescemos e nos afastamos da infância.

“No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
[…]
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos.
[…]
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.”

  • 12.
    O poder que as mães têm de nos acalmar e nos dar colo nos momentos mais difíceis ganha poesia nas palavras de Antero de Quental.

“[…] Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio…
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido…”

  • 13.
    Na mesma linha vai Vinicius de Moraes ao pedir que a mãe abrande seu medo em um breve retorno à infância.

“Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora.”

  • 14.
    Mia Couto
    destaca o poder gerador do ventre materno.

“Na barriga da mãe,
não se tece apenas um outro corpo.
Fabrica-se a alma.”

  • 15.
    Olavo Bilac traduz a proteção das mães em asas enormes.

“[…] E espalham tanto brilho as asas infinitas
Que expandes sobre os teus, carinhosas e belas,
Que o seu grande clarão sobe, quando as agitas,
E vai perder-se entre as estrelas.”

  • 16.
    Nos trechos selecionados do poema de Herberto Helder há a reflexão sobre o entrecruzamento das histórias até tornar-se um só ser unificado pelo amor.

“As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
[…]
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
[…]
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.”

  • 17.
    Por fim, os versos de Sérgio Capparelli contam quase que no tom de uma brincadeira infantil como a mãe estará sempre presente na vida do filho.

“[…] teu nome eu trago, mãe,
na palma da minha mão.”

Resumo

Uma lista de fragmentos de poemas selecionados ganham uma livre interpretação da nossa equipe para comemorar o Dia das Mães de um jeito diferente e dar um quentinho no coração de mães e filhos por meio das palavras.
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