Varíola do macaco em crianças: o que precisamos saber?

Primeiros casos em crianças foram reportados em São Paulo, desde a última quinta-feira (28)
iStock/Arte Lunetas
  • Publicado em: 01.08.2022
da Redação

Três crianças foram diagnosticadas com varíola do macaco nesta quinta, 28, na cidade de São Paulo. Sendo monitoradas e até agora sem sintomas graves, as crianças entram para as estatísticas de infectados do país, que registrou um total de 1.066 casos até domingo (31). Ao redor do mundo, mais de 80 crianças foram diagnosticadas com a doença.

Apesar de ser uma pequena porcentagem do número de pessoas infectadas, a doença em crianças pede maior atenção por causar mais danos nos pequenos, em gestantes e em pessoas com imunodeficiências. 

A varíola do macaco foi decretada como emergência de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 23 de julho. A doença é causada por um vírus do subgrupo orthopoxvírus, assim como a varíola bovina e a varíola humana (erradicada em 1980 com a vacinação). Segundo a OMS, o surto da doença ainda pode ser controlado e o risco de transmissão é baixo. 

Sintomas

Em nota, o dermatologista Werick França, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que “a doença começa, quase sempre, com uma febre súbita, forte e intensa”, além dos pacientes também relatarem dor de cabeça, náusea, exaustão e cansaço. O aparecimento de gânglios (inchaços popularmente conhecidos como “ínguas”), que podem acontecer tanto na região do pescoço, na região axilar ou na região perigenital, também marcam os sintomas da varíola do macaco. A aparição de pústulas (bolhas) na pele, de forma aguda e inexplicável, é o principal sintoma registrado pela OMS até o momento, aparecendo de 1 a 5 dias após o início do estado febril.

É possível confundir a doença com catapora?
Apesar de ambas terem erupções cutâneas, as bolhas na varíola do macaco aparecem de uma vez só, com um padrão similar. Na catapora, as bolhas não possuem padrão e aparecem em fases distintas da doença.

Como se transmite?

A transmissão de humano para humano acontece por meio de contato físico entre pessoas com casos sintomáticos. Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão pode ocorrer através de contato próximo com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados, como roupas de cama. Até que caiam totalmente, as casquinhas das bolhas cutâneas possuem material infeccioso, sendo necessário aguardar a total cicatrização da pele.

É importante frisar que a varíola do macaco não é transmitida exclusivamente por via sexual. França explica que a manifestação na pele é chamada de papulovesicular uniforme: feridas ou lesões pelo corpo que atingem uma totalidade de pessoas, independentemente de sua orientação sexual. 

Como é feito o tratamento?

Não há tratamento específico para a infecção pelo vírus da doença. Os sintomas costumam desaparecer espontaneamente, sem necessidade de tratamento – a atenção clínica é voltada para o alívio de sintomas e prevenção de sequelas. A OMS recomenda reforçar as medidas de higiene, proteger as erupções cutâneas e evitar tocar em feridas na boca ou nos olhos.

A vacinação contra a varíola tradicional também é eficaz para combater a varíola dos macacos, porém atualmente não existe imunizante no país para a doença, devido à erradicação da condição em 1980. A chegada das vacinas no Brasil está prevista para setembro.

* Conteúdo produzido com informações do Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde e Agência Brasil.

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Resumo

Os primeiros casos de varíola do macaco em crianças foram reportados em São Paulo. Até o momento, mais de mil casos (entre crianças, adolescentes e adultos) foram registrados no país.
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