A parte que falta: Jout Jout reafirma o poder das histórias

Um livro simples com uma mensagem potente: a falta é parte do ser humano. Até das crianças
Reprodução/Youtube
  • Publicado em: 20.02.2018
da Redação

A youtuber Jout Jout, autora do canal Jout Jout Prazer, é conhecida por seus vídeos em que aborda questões como feminismo, igualdade e diversidade. Nesta terça-feira, ela surpreendeu ao publicar a resenha de um livro infantil, provando que boas histórias não precisam de faixa etária prescrita, e nem cabem em uma prateleira só. “Cuidado, talvez rolem lágrimas”, ela avisa. “Eu quero dar esse livro pra todas as pessoas que eu conheço”, brinca.

O motivo? O tema universal de que a obra trata, e as muitas questões que ela desperta, como a incompletude do ser humano, as relações afetivas, a solidão e o amor. “É isso! Vai faltar, e depois não vai mais, e depois vai de novo”, filosofa.

No vídeo, ela faz a leitura de “A parte que falta”, um clássico da literatura infantil mundial, de autoria do americano Shel Silverstein, que acaba de voltar para as prateleiras graças ao relançamento da Companhia das Letrinhas (selo infantil da Companhia das Letras).

Com palavras muito simples e ilustrações aparentemente banais e inofensivas, o livro apresenta um personagem circular que tem um buraco no corpo. A história, então, acompanha sua saga em busca de sua “parte que falta”. O desfecho é uma verdadeira lição sobre a existência, e pode encantar tanto crianças quanto adultos. “Ao explorar o mundo, talvez ele perceba que a verdadeira felicidade não está no outro, mas dentro de nós mesmos”, diz a descrição da obra.

Um livro simples com uma mensagem potente: a falta é parte do ser humano. Até das crianças.

Intitulado pela influencer como “A falta que faz falta”, o próprio título do vídeo já dá uma pista do que encontrar nele. Com mais de 2 milhões de visualizações em poucos dias no ar, o vídeo nos lembra – pais, professores, cuidadores e demais interessados na infância e no desenvolvimento da criança – que muitos temas considerados tabus ou complexos demais para serem abordados em obras para o público infantil (como a morte, a melancolia, a separação, dentre outros), na verdade são portas de entrada para diálogos de assuntos fundamentais para o desenvolvimento emocional da criança.

Afinal, o que as crianças perdem quando são poupadas de nomear suas emoções e aceitá-las, ao invés de serem poupadas e viver como se experiências difíceis não existissem? Até o momento, a leitura de “A parte que falta” é o segundo vídeo mais visualizado do canal Jout Jout Prazer, um dos mais acessados do Brasil. Daí, surge a reflexão: por que uma audiência tão grande interessada em um livro dito “infantil”? Para que serve, então, a classificação etária prévia se as histórias universais podem ser para todos?

“Felicidade demais atrapalha. Não sobra tempo para conversar com minhoca, apostar corrida com besouro ou sentir o perfume de uma flor. Muito menos para deixar uma borboleta pousar na nossa cabeça. Em ‘A parte que falta’, de Shel Silverstein, um ser incompleto — com cara de pizza faltando um pedaço — sai pelo mundo em busca da parte que encaixe nele como a última peça de um quebra-cabeça”.

“Ele acredita que com ela será feliz. Mas o que será que aconteceria se ele realmente a encontrasse?”

De autoria do escritor Fabrício Corsaletti, este é o texto da contracapa do livro, publicado originalmente em 1976 e editado no Brasil em 2013, pela extinta Cosac Naify. Sua continuação, “A parte que falta encontra o grande O”, de 1984, e publicado por aqui em 2014, é também sucesso de crítica e dá profundidade à reflexão iniciada por seu sucessor, ao colocar dessa vez um círculo e um triângulo que buscam se complementar e concluir que a vida pode ser um grande desencontro. Esgotada, não há previsão de relançamento da continuação.

Para quem quiser ter esse clássico na prateleira de casa e apresentar os pequenos, saiba mais sobre ele aqui.

Assista ao vídeo e derreta-se por essa história junto com a Jout Jout:

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Resumo

Muitos temas considerados tabus ou complexos demais podem ser canais de diálogo de assuntos fundamentais para o desenvolvimento emocional da criança.
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