Infâncias plurais :: vídeos sobre manifestações populares

Publicado em: 01.10.2021

Manifestações populares

Os vídeos a seguir revelam a riqueza de manifestações populares – como a suça, a catira e o funk – a partir da perspectiva das infâncias. Neles, os universos se conectam por meio da narrativa, da estética e do imaginário.

Abaixo você encontrará uma coletânea com 3 vídeos sobre a temática para ver quantas vezes quiser. Divirta-se! Para mais informações sobre o projeto Infâncias Plurais, visite: www.lunetas.com.br/infâncias-plurais.

Infâncias plurais :: Manifestações populares

Na pisada da suça

Liubliana Silva Moreira Siqueira - Palmas/TO

O tambor toca, as saias giram e a suça começa. Na pisada da suça é um convite para que todos conheçam essa manifestação cultural de herança africana que mistura dança, música e religiosidade, a partir da narrativa das novas gerações de suceiras. “É observando e fazendo junto que as meninas narram, por meio da voz e do corpo feminino, a potência da suça em suas vidas, conhecendo e reconhecendo o valor da sua cultura e das suas raízes, símbolos de resistência, beleza e empoderamento”, conta a idealizadora do projeto, Liubliana Silva Moreira Siqueira.

Em sua pesquisa para o doutorado em artes cênicas, ela percebeu a inexistência de artigos, reportagens ou documentários que trouxessem a mulher como protagonista na história da suça. Assim, decidiu que lançaria luz sobre essa manifestação tradicional pela voz das meninas suceiras, acompanhando as integrantes do Grupo de Suça Tia Benvinda, da cidade de Natividade, no Tocantins.

“A cultura tradicional é viva e se mantém viva em cada criança que a experiencia e a leva adiante; acredito que as crianças são fundamentais nesse ciclo. […] Devemos possibilitar novos lugares de fala para as nossas crianças, reconhecendo o potencial expressivo e transformador que elas têm, a sua cultura e a sua história no mundo”, afirma Liubliana.

Um dos maiores desafios foi gravar o vídeo durante a pandemia. Todos os protocolos de segurança foram seguidos, mas manter o distanciamento e não cair na dança foi difícil, diz ela. “Foi um momento lindo. Ver as meninas dançando, tocando e contando sua história dentro dessa tradição valeu a pena, pois deu voz a elas para que trouxessem uma verdade profunda”, recorda.

Com o tema da infância sempre presente em sua trajetória, Liubliana diz que participar do Infâncias plurais ampliou seus horizontes, uma vez que pôde conhecer novas perspectivas e experiências de profissionais de diversas áreas.

https://bit.ly/infancias-plurais-manifestacoes-populares-na-pisada-da-suca

No tempo da catira

Aline Moraes Silva - Guaxupé/MG

No tempo da catira fala de uma época na roça em que quase não se precisava de dinheiro, só o suficiente para comprar sal e querosene para iluminar o lampião. Todo o resto vinha da terra e do trabalho realizado com muita alegria e cantoria. E, no final do dia, viola na mão, bota no pé, é hora de sapatear pelo salão!

Aline Moraes Silva, idealizadora do projeto, diz que a inspiração veio de uma história contada pelo avô: “Eu me encantei com esse cenário de vida mais coletiva, em que a celebração e a festa têm lugar dentro da rotina de trabalho”. Ao perceber o sucesso que essa história faz entre as crianças, a professora de música decidiu: “Convidei uma amiga artista plástica para compor o cenário, improvisamos um estúdio e fizemos a captação. O próximo desafio, mais demorado, foi editar tudo, aprendendo enquanto fazia”. No vídeo em stop-motion, ganham vida bonecas de pano, lã e botões. Com simplicidade, criou-se uma narrativa cheia de riquezas. “Cuidar do que contamos às crianças é parte fundamental da discussão sobre as infâncias”, acredita a autora.

Aline já trabalhava com música quando foi chamada para integrar a produtora de shows infantis CantaVento. Com o grupo, criou canções, figurinos e espetáculos com temas relevantes para as crianças, com a mensagem de que um mundo mais sensível é possível. “Foi bonito passar por esta formação em que arte e infância se cruzavam”, diz. Depois que se tornou mãe, passou a aprender sobre infância com as próprias crianças. “Hoje trabalho exclusivamente com elas, como professora no ensino regular. No mestrado, participo de um núcleo de pesquisa em sociologia da infância dentro da educação musical.”

https://bit.ly/infancias-plurais-manifestacoes-populares-no-tempo-de-catira

Xavierzin na escola de funk

Carlos José Moura de Carvalho - Rio de Janeiro/RJ

O menino Xavierzin estava cantando e dançando funk na fila da merenda na escola, quando foi repreendido pelo inspetor: “Funk na escola não pode, não!”. E por que não pode? É por meio da música que Xavierzin irá questionar o inspetor e explicar a ele, ao professor e ao diretor que o funk é uma manifestação cultural e deve ser respeitado.

A inspiração para a criação de Xavierzin na escola de funk, conta Carlos José Moura de Carvalho, veio de sua própria experiência – ele passou por algo muito parecido na escola, e depois viu acontecer o mesmo com outras crianças onde estagiava.

O vídeo chama a atenção para algumas questões, entre elas o preconceito racial, que pode acontecer na tentativa de exclusão da cultura de determinadas pessoas, por exemplo. “Quando crio um texto falando da história de um gênero musical que envolve preconceito social e racial, eu penso que esse texto deve ser ouvido, visto, lido, sentido por todo mundo, principalmente pelos mais novos, que, sem dúvida, carregam maior sensibilidade”, enfatiza.

Xavierzin na escola de funk aborda também a necessidade de se ouvir e respeitar as crianças: “Conversem, escutem, olhem, pensem na garotada. Deixemo-nos também ser orientados por elas. As crianças sempre têm muito a dizer”, comenta Carlos.

Pedagogo, artista e cientista da educação, ele descobriu o Infâncias plurais pela internet e viu na jornada a oportunidade de desenvolver seu canal no YouTube chamado #musicaeletramento. Seu desejo é aprender cada vez mais e fazer melhores vídeos, pensando sempre na educação para o equilíbrio, sem exclusões. 

https://bit.ly/infancias-plurais-manifestacoes-populares-xavierzin-escola-de-funk