Para a educação integral, o aprendizado não acontece só dentro da escola. Pelo contrário: ele está na família, na rua, no convívio com o outro
Escola, família, comunidade e a própria cidade são educadores e aprendizes. Desde a Educação Infantil, é preciso buscar práticas educadoras que dialoguem com todas as dimensões do desenvolvimento de uma criança (físico, emocional, social, simbólico e intelectual).
Durante os primeiros anos de vida de uma criança, ela se desenvolve em diferentes aspectos, todos complementares. A criança cresce e fica mais forte, aprende coisas novas, faz amigos e convive com pessoas, pensando, questionando, entendendo o mundo e a si mesma. Assim, a educação integral propõe um olhar mais acolhedor, participativo e coletivo à infância, partindo do entendimento de que o desenvolvimento da criança, um ser multidimensional, é um processo que acontece ao longo de toda a vida e permeia todas as suas experiências.
“Para educar uma criança, é preciso uma aldeia inteira”
“Não é consenso, mas há a ideia de que a escola sozinha não dá conta de um projeto como esse, de um sujeito multidimensional“, explica Natacha Costa, diretora executiva da Associação Cidade Escola Aprendiz.
Nesse sentido, a educação integral também propõe que o território da escola e da cidade funcionem como espaços de aprendizados, aliados do processo educativo e corresponsabilizados pela formação das crianças.
“A criança é um ser multidimensional”
Algumas cidades já se colocam como cidades educadoras. Rosário, na Argentina, é um exemplo. Em 1996, o poder público fez um redesenho profundo na maneira como as políticas públicas da cidade eram desenvolvidas estabelecendo um governo mais próximo e amigável. As políticas sociais foram fortalecidas, de maneira integrada com mobilidade urbana e lazer, considerando a importância de oferecer aos mais vulneráveis oportunidades iguais.
“Melhora a vida das crianças, mas também melhora a vida de todo mundo. Quando a criança vem pra rua, ela passa a ser vista e reconhecida, e a cidade se transforma”, afirma Natacha, que elaborou e é responsável pelo desenvolvimento estratégico do Centro de Referências em Educação Integral.
Em Lausana, na Suíça, por exemplo, as crianças vão caminhando para a escola no chamado “ônibus andante” (ou PédiBus), que as leva até suas escolas sem precisar de motor, gasolina ou volante: apenas a orientação de um pai ou professor.
O ônibus andante já oferece mais de 200 “linhas” para auxiliar estudantes de quatro a oito anos a chegar à escola e voltar para casa.
As escolas, desde a educação infantil, precisam buscar práticas educadoras que dialoguem com todas as dimensões do desenvolvimento de uma criança (físico, emocional, social, simbólico e intelectual). O antigo modelo de escolas puramente conteudistas não dá conta desse objetivo.
“As escolas são muito pouco conectadas com o contexto onde estão inseridas, conhecem pouco seus alunos”
“Estamos trabalhando por alguém dono de uma história, para quem a educação tem que fazer sentido“, diz Natacha Costa.
Pode parecer a mesma coisa, mas não é. O termo “Educação em Tempo Integral” diz respeito àquelas escolas e secretarias de educação que ampliaram a jornada escolar e os alunos passaram a ficar dois turnos na escola.
Em geral, durante metade de um dia, eles estudam as disciplinas do currículo e o outro período é utilizado para recreação, artes ou esporte.
Na perspectiva da educação integral, o conceito de tempo integral suscita uma série de discussões. Algumas correntes dos movimentos sociais defendem que apenas a ampliação do tempo de estudo não garante o resultado o pleno desenvolvimento das crianças.
“A afirmação do tempo integral é importante, pois assim estamos afirmando o direito dos estudante a acessar mais tempo de propostas educativas“, finaliza Natacha.
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