Educação Infantil: a natureza também é ferramenta pedagógica

Exemplos de escolas públicas e particulares nas quais a natureza é parte da rotina de aprendizado das crianças
arquivo Escola Vila
  • Publicado em: 21.02.2017
da Redação

Na era da tecnologia, como nutrir uma infância mais conectada à natureza? Investir em uma criação mais sensível às questões atreladas à sustentabilidade é uma forma de educar crianças e ensiná-las sobre a importância da preservação do meio ambiente e de uma rotina mais verde.

A Faber-Castell encontrou resposta para esse desafio unindo tecnologia, informação, brincadeira e conscientização por meio de um aplicativo, o Floresta sem Fim, que, usando a realidade aumentada e recursos interativos, ensina aos pequenos sobre a importância da preservação das florestas e espécies nativas.

Atentas à importância do contato com a natureza, muitas escolas apostam na sustentabilidade como ferramenta pedagógica e em um ensino orientado por vivências mais sistêmicas, e menos fragmentadas.

“O déficit de natureza na vida das crianças é muito grande. Quando a criança está em um espaço prazeroso, onde há um contato mais direto com a natureza, todo o seu potencial se abre para a construção do conhecimento. Esse é um dos fatores que facilita muito o aprendizado dos nossos alunos”, comenta a educadora Fátima Limaverde, fundadora da Escola Vila, em Fortaleza.

As escolas da floresta, iniciativas que se multiplicam por países como Inglaterra, Estados Unidos e Canadá, são um exemplo. Nessas escolas, bosques e florestas são as salas de aula, onde os pequenos experimentam vivências diferentes, totalmente integradas e conectadas com o meio ambiente.

No vídeo abaixo, você acompanha um dia de brincadeira em uma escola da Floresta no Canadá:

Mas não é preciso sair do país para encontrar exemplos de escolas públicas e particulares nas quais a natureza seja parte da rotina de aprendizado das crianças.

A rede de ensino de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, por exemplo, é uma experiência inspiradora de política pública na educação cuja metodologia aplicada nas escolas proporciona às crianças a conexão com a natureza dentro do espaço escolar.

“Entre as escolas da nossa rede, justamente, uma das escolas com menor tamanho de pátio, é uma das que têm maior diversidade de possibilidades para as crianças, com variedade de árvores frutíferas, horta, composteira, cisterna e diferentes recantos para a brincadeira. “Materializar uma proposta de pátio está muito mais para a concepção do que para o tamanho do pátio ou para os recursos financeiros”, disse Rita Jaqueline Morais, assessora pedagógica de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Novo Hamburgo, em entrevista ao Lunetas.

Outro exemplo é a Escola Vila, localizada em Fortaleza, e integrante do programa Escolas Transformadoras. Desde 1981, quando abriu as suas portas, a sustentabilidade vem sendo o centro da proposta pedagógica da instituição.

Ali, as crianças têm suas experiências de aprendizado norteadas pela “Pedagogia Ecossistêmica”, método desenvolvido por Fátima Limaverde, que é educadora e fundadora da escola, que enfatiza o cuidado com o meio ambiente, a expressão artística e apresenta às crianças os conteúdos tradicionais com foco em suas aplicações práticas.

As crianças também aprendem sobre coleta seletiva, e utilizam a sucata proveniente da mesma para criar brinquedos e objetos em oficinas de artes.

Conceitos como pesos e medidas, por exemplo, são colocados em prática durante coletas de alimentos e roupas para doações. “O conteúdo contextualizado ganha significado e as crianças aprendem mais felizes”, comenta Fátima.

Na escola, as crianças participam de uma farmácia viva horta e pomar, espaços com os quais cuidam das plantas e aprendem sobre o seu ciclo de vida, tipos de raízes, e princípios ativos de ervas medicinais.

“Os pequenos conhecem as plantas, fazem chá. Os maiores estudam os princípios ativos de cada erva”, disse Fátima.

O folclore brasileiro também faz parte da grade de conteúdo da escola. Por meio de brincadeiras e atividades, as crianças aprendem a valorizar e preservar sua tradição e história.

“Trabalhamos a cultura e a tradição popular, os povos que deram origem à nossa nação. Com as crianças, investigamos a cultura afro, e a questão indígena. Tudo isso para que eles se identifiquem com essas culturas”, comenta a educadora.

A valorização do meio ambiente e da natureza também acontece por meio da rotina das crianças na escola, que é repleta de horários destinados à brincadeira livre e atividades fora de sala de aula.

A seguir, confira algumas dicas da educadora e fundadora da escola, Fátima Limaverde, para inspirar práticas pedagógicas que aproximem as crianças da natureza e inspirem hábitos mais saudáveis:

Coleta seletiva: “Os educadores podem  ver a sucata como um material muito rico para trabalhar, principalmente na educação infantil. Ter uma caixa de materiais variados na sala de aula pode ser uma forma de ensinar as crianças a classificar, trabalhar formatos, etc. Sem contar as possibilidades de transformar esse material em coisas que vão aproveitar como brinquedos, fantoches e jogos pedagógicos”

Uma planta dentro da sala de aula: “Se não há espaço, quintal ou jardim, é possível ter dentro da sala uma babosa, um cheiro verde, plantas aromáticas. Dá para fazer muito nos espaços, mesmo que pequenos. É diferente para uma criança  conhecer uma raiz na figura do livro ou ao vivo”

Atividades ao ar livre: “Você pode levar a  criança para contar uma história em outro ambiente, que a criança não se sinta presa a um determinado espaço, que ela possa circular”

Consumo consciente: “Essa busca pelas coisas mais naturais, trabalhar com a questão do consumo da água, da energia. São cuidados que vemos que as crianças aprendem na escola  e levam para casa”

*Este conteúdo foi produzido pelo extinto Catraquinha em fevereiro de 2017, em parceria com a Faber Castell. Em maio de 2018, o Catraquinha migrou para o Lunetas.

 

Resumo

Na educação infantil, escolas apostam na sustentabilidade como ferramenta pedagógica e em um ensino orientado por vivências mais sistêmicas.
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