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Favorito ao Oscar, curta ‘Bao’, da Pixar, fala sobre maternidade

Na história do filme chinês "Bao", uma mãe superprotetora idealiza sua relação com o filho, comprometendo a construção de sua identidade
Curta-metragem "Bao" Reprodução/Disney/Pixar
  • Publicado em: 20.12.2018
  • Atualização: 21.12.2018
da Redação

Quem já foi ao cinema assistir a algum filme da Pixar, está acostumado que a aventura na tela começa muito antes do filme em si, com os curtas-metragens que são exibidos antes de cada longa. O mais recente deles, “Bao”, acaba de ser disponibilizado na íntegra no YouTube. Quem tiver 8 minutos sobrando nessas últimas semanas de 2018, vale a pena conferir, pois o mini filme vem sendo bastante elogiado por crítica e público, e foi pré-indicado ao Oscar de melhor curta de animação como um dos favoritos da categoria.

Cheio das metáforas e alegorias comuns às produções da Pixar, “Bao” faz o retrato de uma mãe superprotetora, e convida a refletir sobre os excessos de culpa e preocupação que costuma acompanhar a experiência da maternidade. Dirigido pela cineasta chinesa Domee Shi, o filme trabalha com elementos de fantasia, e coloca ao expectador um estranhamento já nas cenas iniciais, quando o filho surge na história.

Reprodução/Disney/Pixar

A diretora Domee Shi também dirigiu “O Bom Dinossauro” e “Toy Story 4”, em parceria a produtora Becky Neiman.

A protagonista é uma dona de casa que cozinha bolinhos para o marido com muita dedicação. Um dia, um dos bolinhos cria pernas, braços e rosto, e ganha feições de bebê. Depois de alguns segundos elaborando aquele novo e inusitado ser, a mulher se afeiçoa a ele e passa a criá-lo com cuidado extremo.

Então, a história se desenvolve a partir da relação entre eles, um misto de amor incondicional e necessidade de proteção absoluta de tudo e de todos, o que passa a incomodar o filho, agora já um homem criado com seus próprios desejos e aspirações. Uma pista disso é que a figura do pai desaparece da história, pois todo o afeto, a dedicação e a rotina da mãe passa a ser exclusividade do filho.

Reprodução/Disney/Pixar

Em comemoração da pré-indicação de “Bao” para o Oscar de melhor curta-metragem animado, a Disney disponibilizou o vídeo completo em sua página no YouTube.

Um dia, quando o garoto aparece com uma namorada e dá sinais de que vai sair de casa, a mãe fica sem rumo e, para impedi-lo de se mudar, ela engole o filho. Sem chão e esvaziada de seu papel materno, a mãe entra em uma tristeza profunda. Então, em uma cena que não vamos contar para evitar spoiler, algo acontece para alertar quem assiste sobre o poder nocivo das projeções dos pais sobre os filhos.

É nesse ponto que o filme problematiza a maternidade superprotetora e chama atenção para a importância de não centralizar a vida emocional da mãe no filho ou na filha. Metaforizando a vontade inconsciente da progenitora de “engolir” as crias (o que muitas vezes acontece, sem que se perceba), o filme instiga a pensar sobre a importância de criar os filhos para serem independentes e autônomos, livres de qualquer projeção dos pais ou desejo de satisfazer suas próprias vontades. Não é à toa que o filme escolhe a figura de um bolinho para concretizar essa relação, algo sem vida que de repente cria autonomia e existência própria.

“Bao” é ambientado na Ásia, e, apesar de trazer na rotina da casa diferenças de hábitos, culinária e ritmo de vida, o filme mostra também que o vínculo materno-filial é uma linguagem universal. Atemporal, poético e provocador, o curta é um dos favoritos para receber o Oscar de sua categoria. O anúncio oficial dos vencedores será no dia 22 de janeiro de 2019. Então, corre para assistir, porque o filme ficará disponível online por tempo limitado.

Dê o play:

*Atualização: a Disney retirou o vídeo oficial do ar. Assim que retornar, colocaremos o link aqui.

Resumo

Cheio das metáforas e alegorias comuns às produções da Pixar, o curta-metragem "Bao" faz o retrato de uma mãe superprotetora, e convida a refletir sobre os excessos de culpa e preocupação que costuma acompanhar a experiência da maternidade.
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