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Cabelo bom e cabelo ruim
  • Publicado em: 17.05.2018
  • Atualização: 18.05.2018
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Liso, cacheado, enrolado ou crespo. Curto, longo ou loiro. Ruivo, preto ou colorido. Cabelo pode ser de todo jeito. Mas existe cabelo bom e cabelo ruim?

Você provavelmente respondeu que não. Mesmo que de forma consciente quase ninguém concorda que os cabelos podem ser classificados como “bom” ou “ruim”. Na prática todos nós temos conceitos muito bem definidos do que seria “cabelo bom” ou “cabelo ruim”. A nossa sociedade o tempo todo associa alguns tipos de cabelo à aspectos positivos e outros tipos de cabelo à aspectos negativos. E essa associação não é aleatória. Ela é baseada em uma série de valores que são atribuídos a cada tipo de cabelo e suas origens étnico-raciais.

Desde pequenos somos orientados a observar as pessoas e julgá-las por seus cabelos. Bebê menino de cabelo comprido? Não pode, parece menina. Bebê menina carequinha? Tadinha, não tem cabelo ainda, parece um menininho. Menina com um cabelo liso e loiro? Cabelo de princesa, que lindo! Menino com cabelo crespo grande? Que desleixado, raspa logo esse cabelo menino! Esses e vários outros conceitos pré-definidos sobre como os cabelos das pessoas devem ser nos são ensinados e acabamos reproduzindo essas ideias sem questioná-las. Mas será que existem mesmo padrões de cabelo?

Quando não sabemos como lidar com o diferente e com o desconhecido em geral tentamos nos proteger e nos resguardar naquilo que conhecemos.

Algumas ideias que temos sobre cabelos foram construídas com base em diversos preconceitos e sequer paramos para refletir sobre isso. O cabelo crespo, que possui uma estrutura mais frágil que o cabelo liso, por exemplo, é chamado de cabelo duro porque cresce para cima. Mas ele é tão ou mais macio que qualquer outro tipo de estrutura capilar. Então por que esse mito ainda é reproduzido? Quando não sabemos como lidar com o diferente e com o desconhecido em geral tentamos nos proteger e nos resguardar naquilo que conhecemos.

Crescer sabendo que seu cabelo pode ser bonito do jeito que ele for é a possibilidade de crescer amando a si mesmo. E quando nos amamos e aceitamos como somos, qualquer transformação não é uma imposição externa para atender um padrão de beleza estabelecido, é uma questão de escolha e autonomia. Toda criança tem o direito de se sentir bem consigo mesma, sem se preocupar se estão à altura de um padrão de beleza definido por critérios muitas vezes preconceituosos.

Muitos de nós demoramos anos para ter liberdade em escolher qual estilo gostaríamos de adotar. Algumas vezes inclusive sequer conhecemos nosso cabelo em sua forma natural, condicionados a químicas e procedimentos estéticos para atender a expectativas de como deve ser um cabelo considerado bonito. Hoje temos a oportunidade de sair às ruas e ver uma diversidade de cabelos e estilos. Trança nagô, dreadlocks ou cabelos lisos e multicoloridos. Meninas com cabelos curtíssimos. Meninos com cabelos tão longo quanto querem.  Diversos tipos de cortes e formatos. Expressar a sua personalidade e identidade através do cabelo é cada vez mais comum.

Crescer sabendo que seu cabelo pode ser bonito do jeito que ele for é a possibilidade de crescer amando a si mesmo.

Nossos cabelos são tão diversos quanto as pessoas. Isso é natural. É uma das principais riquezas da nossa cultura. Precisamos de um novo olhar para as diferenças, que perceba (sem julgar) não há certo ou errado no cabelo de cada um e que quanto mais livres e diversos formos, mais felizes seremos individualmente e coletivamente.

Já pensou em um mundo onde cada um pudesse ser do seu jeitinho sem se preocupar em se adequar a um padrão? Costumo dizer que nossos cabelos precisam ser livres. E liberdade é poder ser como quiser.

Resumo

Já pensou em um mundo onde cada um pudesse ser do seu jeitinho sem se preocupar em se adequar a um padrão? A socióloga Luciana Bento discute como estes conceitos impactam a vida das crianças. Confira!
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