Maidy Lacerda vendeu mais de 1 milhão de exemplares de ‘O Diário de uma Princesa Desastrada’; mensagem central é de que crianças não precisam seguir padrões
Em entrevista ao Lunetas, a escritora Maidy Lacerda, autora da saga ‘O Diário de uma Princesa Desastrada’ diz que construiu protagonista para ajudar a quebrar estereótipos e inspirar nova geração.
Na terra de Florentia, onde vivem os personagens da escritora Maidy Lacerda, princesa não segue o estereótipo da garota perfeita que sempre sabe o que fazer. Amora, a protagonista da quadrilogia “O Diário de uma Princesa Desastrada”, que já vendeu 1 milhão de exemplares no Brasil e chegou a Portugal, é atrapalhada e cheia de inseguranças.

Maidy diz que, quando era criança, as princesas da Disney que conhecia eram todas “perfeitas e fabulosas.” Rotulada como uma menina “estranha e tímida”, ela se refugiava nos livros, mas sentia falta de uma personagem com quem se identificasse. Ao criar Amora, cheia de imperfeições, ela quis dar às crianças da nova geração uma princesa na qual pudessem se enxergar.
“Durante toda a infância e adolescência, achava que tinha que corrigir meu jeito para ser aceita pelas outras meninas e fazer amizade. Até que eu encontrei meu grupinho de estranhos também”, diz. “A mensagem por trás da princesa Amora é que ninguém precisa mudar para se encaixar nos grupinhos.”
Assim como a leitura, a escrita de diários também a acompanhou na infância. Esses cadernos foram guardados pela mãe de Maidy, que foi relê-los. “Tive a ideia de gravar um vídeo lendo esses diários. Com 8 anos eu escrevia de uma forma muita engraçada, era cada pérola. O vídeo bombou.”
Além de nostalgia e boas risadas, esse resgate rendeu a ideia de escrever o primeiro livro “O Diário de uma Princesa Desastrada”, em 2022. Depois vieram os volumes 2, 3 e 4. Para garantir a continuidade à aventura com fadas, gnomos, magia e maldições, Maidy anota trocadilhos do seu noivo para usá-los nos diálogos de Florente Viajante, e deixa todos os outros personagens livres em sua cabeça, como se tivessem vida própria na hora de escrever.
Mineira de 29 anos, Maidy diz que ainda acha “surreal” seu sucesso como escritora. Vencer no mercado editorial brasileiro não é necessariamente fácil. Segundo a Câmara Brasileira do Livro, o Brasil perdeu 6,7 milhões de leitores nos últimos cinco anos. Outro dado alarmante é que 53% dos brasileiros entrevistados não haviam lido nem parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa.
Maidy não só desbanca as estatísticas mas vence outra grande concorrência: as telas. Por ter estudado cinema e se especializado em roteiro de animação, ela conta suas histórias de forma visual. O resultado é que as crianças frequentemente relatam sentir que estão “assistindo a um filme” enquanto leem. Mas seu segredo ainda vai além, e segundo ela, está em não subestimar seu público.
“Crianças são muito inteligentes, não precisa falar com elas de forma mais simples, achando que elas não vão entender. Nos meus livros trago vários enigmas e pistas e elas criam teorias mirabolantes que eu jamais imaginei.”
Maidy estará na Bienal do Livro em São Paulo no dia 7 de setembro, onde lança O diário de tarefas gnomosas do Floreante Viajante, pela Editora Planeta. Em formato pocket, o livro traz mais de 50 tarefas e pode ser usado como chaveiro.
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