Para a festa ser completa, vale a pena garantir que os trajes estão confortáveis e respeitam autonomia e movimentos da criança
Aprenda a escolher fantasias infantis que unem criatividade e segurança. Priorize tecidos leves, evite a adultização e garanta conforto no bloco com dicas de especialistas sobre tecidos, autonomia e a importância do brincar sem incômodos no Carnaval.
Dinossauro, super-herói, Patrulha Canina, guerreiras do K-pop… As fantasias de Carnaval acompanham a idade e os interesses das crianças. Mas, na hora de escolher, como garantir opções que respeitem o universo lúdico, assegurem conforto e segurança e evitem a adultização?
Este pode ser um bom momento para potencializar a criatividade das crianças, incentivando-as a viverem seus personagens preferidos brincando de se apoderar de todos os seus poderes, na visão da psicóloga pediátrica do Sabará Hospital Infantil, Milena Nazário. As escolhas, entretanto, vão variar de acordo com a percepção e crivo das famílias e da maturidade emocional das crianças.
É interessante, segundo a psicóloga, que, em caso de negativa a alguma sugestão da criança, haja justificativas e sejam apresentadas outras possibilidades. “É importante mostrar para a criança o contexto de uma festa de dança, caminhadas. O conforto e segurança são importantes para a melhor diversão de todos.”

A costureira Ana Carolina Botelho Pires lembra que hoje em dia há muitos tecidos tecnológicos, que são macios e absorvem transpiração, permitindo a criação de fantasias divertidas e confortáveis. Além do conforto, ela garante que as crianças, apesar de as opções aumentarem ao longo dos anos, elas continuam gostando das fantasias clássicas. “Temas ligados a bichos, dinossauros e profissões como astronautas, lixeiros e bombeiros elas amam. Trabalho também com os super-heróis não formatados, para que as crianças criem e sejam seus próprios super-heróis.”
Bruna Aquino trabalha há 20 anos como designer de moda e conta que as crianças têm mais opinião e não aceitam fantasias desconfortáveis, por isso ela evita os paetês e tecidos como filó, que é um tule mais grosso. “Não pode ter nada que pinica, às vezes até a costura que tem por dentro incomoda e preciso revestir. Sempre opto por algodão, modelos leves, soltos, que não apertam.”
Para deixar as peças mais lúdicas, Bruna gosta de investir em bolsos diferentes, pinturas e itens pendurados como pompons e franjinhas. “Algo que a criança brinque com a roupa, não é nada extraordinário, mas fica divertido.”
Reaproveitar peças do próprio guarda-roupa e transformá-las com lantejoulas, glitter ou pintura, ou, ainda, produzir tiaras e adereços, criando fantasias autorais, pode ajudar a fortalecer os vínculos familiares. Para a psicóloga Milena Nazário, esse processo dá mais sentido à escolha dos trajes e amplia o envolvimento entre crianças e adultos.
Esse envolvimento ganha forma, na prática, em iniciativas como as oficinas realizadas por Ana Carolina. Todos os anos, a costureira ministra uma oficina nas unidades do Sesc, em São Paulo, em que as crianças criam uma asa de borboleta a partir de um molde. Os participantes escolhem o modelo e customizam o adereço com ajuda de pedaços de tecidos, lantejoula, TNT e cola. “Depois eles saem para brincar é alegre de ver. Muitas vezes os pais os acompanham e eles constroem juntos. É algo que aproxima as famílias, além de trabalhar a motricidade e criatividade.”

Nem todas as crianças, especialmente as maiores, são adeptas às fantasias. Neste caso, vale a pena respeitar essa decisão. “É possível se divertir no Carnaval sem a fantasia, aproveitando a música, convívio social”, diz a psicóloga Milena.
A depender da idade da criança, o momento também pode ser propício para abordar as questões ligadas ao consentimento e limites do corpo. Milena afirma que não há proibições ou contraindicações com roupas que expõem mais o corpo das crianças como saias rodadas ou croppeds, desde que os responsáveis cuidem do ambiente que a criança estará.
“A ideia não é associar exposição corporal à permissividade, não é proibindo essa vestimenta que criamos a proteção e fortalecimento da criança, mas pode-se, a depender da idade, abordar já sobre consentimento, limites do corpo, diversão responsável”, salienta.
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O que evitar?
– Roupas de tecidos sintéticos, como poliéster, que retêm calor e ventilam pouco;
– Fantasias que limitam movimentos ou atrapalham a visão e o uso do banheiro;
– Vestimentas inadequadas ao clima, como veludo e tecidos pesados em dias quentes;
– Acessórios rígidos ou com cordões, como máscaras duras, colares e peças que pinicam;
Troque por:
– Roupas leves, de algodão ou fibras naturais, que permitam ventilação;
– Fantasias simples e flexíveis, que a criança consiga vestir, tirar e usar sozinha;
– Acessórios macios e seguros, feitos de tecido ou EVA, sem pontas ou amarrações;
– Maquiagem infantil ou tintas atóxicas, próprias para pele sensível;
– Fantasias adaptáveis, como capas, camisetas temáticas ou sobreposições fáceis de remover;
– Criações feitas ou customizadas pelas próprias crianças, priorizando conforto e autonomia.
– Maquiagens comuns, que escorrem com o suor e podem arder os olhos.