Potencial gestante: a vida online e offline da família Diener

Casa, três filhos e um trabalho que é sucesso na internet. Luíza e Hilan Diener falam sobre uma vida sem muito glamour, mas muito divertida.
Juliana Caribé
  • Publicado em: 06.11.2017
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A rotina é uma loucura, eles não negam. Talvez um pouco semelhante a dos chineses do circo que equilibram pratinhos em cima de varetas. Só que no caso de Luíza e Hilan Diener, autores do blog Potencial Gestante, não sobra tempo para treinar, porque todo o dia é um novo “pra valer”.

“Não existe glamour, mas tudo pode ser mais leve e divertido”, diz Luiza, idealizadora da página. Criado em 2009, com o intuito de compartilhar conteúdos relacionados à maternidade e, na época,  à expectativa de se tornar mãe, o blog passou por um período de nove meses de gestação até dar a primeira grande notícia: a gravidez de Benjamin. Anos mais tarde nasceu Constança. Por último veio Guadalupe, anunciada no vídeo “Tem mais pão”, que bombou na internet.  

Alternando entre o humor e o cansaço, com um pé no conto de fadas das tarefas em dia e outro tropeçando nos brinquedos espalhados pelo chão e naquilo que realmente é possível cumprir, o casal faz o malabarismo que pode para cuidar da casa, dos três filhos e da vida digital. No final das contas, o importante mesmo é “chegar no fim do dia com todo mundo vivo”, como Luíza mesmo brinca.

Tudo isso a gente acompanha pelo blog, mas também pelo Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e Pinterest. Tem cabelo despenteado, pilhas de roupa e louça acumuladas, filho que vai para a escola sem uniforme e dias em que a dieta se resume a macarrão. Ou seja, nada fora do comum no universo da maternidade e da paternidade tripla. Só que nessa bagunça também tem post, meme com o assunto do momento e paródia que alcança milhões de visualizações, tudo numa linguagem bem sacada e à la redes sociais.

Fonte de renda

Em novembro de 2016, Hilan deixou o emprego tradicional para começar a se dedicar exclusivamente ao blog. Só que ao contrário do que muita gente pensa, a rotina home office não multiplica as horas do dia e nem faz milagre. É preciso organização e a do casal funciona mais ou menos assim: na parte da manhã, eles ficam focados na casa e nas crianças. De tarde, enquanto Benjamin vai para a escola e as meninas ficam em uma “casa de brincadeiras”, eles têm tempo para se dedicar ao mundo digital, além de fazer tarefas pendentes.

Assim o blog foi crescendo e hoje é a fonte de renda da família. Mas isso não aconteceu sem a relação com a publicidade. “A gente ainda tem um trabalho de formiga com as empresas”, explica Luíza. Ela conta que, muitas vezes, os clientes mais velhos, acostumados com um tipo de propaganda e linguagem, aparecem com uma ideia. Logo, entra a agência de publicidade para intermediar a conversa. “Muitos são mais novos e não têm filhos”, descreve. E na outra ponta do diálogo estão os dois, que trazem com eles uma realidade para além dos comerciais de margarina.

“Às vezes as mudanças são aceitas, outras não”, lamenta Luíza, que busca sugerir novos olhares sobre as campanhas de dia das mães, dos pais e sobre qualquer estereótipo relacionado à família, sobretudo aqueles que trazem as maiores pressões e responsabilidades para a mulher. O casal relembra um vídeo patrocinado, que ao invés de mostrar Luíza ensinando a filha a trocar fralda, mostrou Hilan ensinando o filho a fazer a tarefa. Enquanto a abordagem foi bem aceita na página da marca patrocinadora, ele acabou gerando polêmica nas próprias redes do casal.

Fugindo das “tretas”

Para quem tem três filhos, uma vida dedicada às redes e o trabalho de casa, poupar energia parece algo bem sensato a se fazer. Se bem que na internet, isso nem sempre é possível, mas eles se esforçam bastante.

“Assuntos polêmicos não são proibidos, mas vivemos um momento delicado e a internet ajuda a polarizar tudo”, afirma Luiza. Nesse sentido, o casal busca não dar abertura para muito desentendimento online, mas abordar os temas de modo que não ofenda ninguém. A fórmula geralmente mistura assuntos que estão em alta nas redes, com um toque de humor, franqueza e bastante sensibilidade.

E entre todas as redes, o blog é o xodó de Luiza, o lugar onde ela compartilha assuntos mais pessoais, sentimentos, coisa engraçadas e espontâneas. “Às vezes saio de casa com os filhos e, no meio da rua, surge uma ideia. Junto dela já vem na minha cabeça o título do texto e como vai ser o post. E quando dá tempo eu sento para escrever”, conta, sobre a origem de alguns assuntos compartilhados. Ao mesmo tempo, alguns posts demoram até meses para chegar no ponto da mensagem que querem passar.

Para eles, a interação com público é fundamental e acabam criando amizade com os leitores.  Por isso é costume do casal também frequentar o perfil dos fãs e procurar aquilo que eles gostam de fazer ou querem saber. Da mesma maneira, eles acham que receber o feedbacks é um bom termômetro para saber se estão indo pelo caminho que eles querem seguir. 

Paternidade

Lição número um, segundo o casal Diener: filho e casa não são assuntos só de mulher. E por mais que isso seja o ponto de partida da dinâmica familiar, Hilan confessa que sempre há o que aprender e uma ideia a desconstruir sobre o que é ser pai. “Cuidar da casa e das crianças nunca foi algo tão natural, por isso ainda tenho que me esforçar muito para fazer tudo da melhor forma”, diz. Apesar disso, o pai afirma estar dedicado à tarefa de servir. 

“Rei dos memes”, como é chamado pela esposa, Hilan gosta de fuçar os sites estrangeiros, ver o que está bombando nas redes e apresentar essa nova mensagem dentro da realidade de mães e pais.

“Chove mulher marcando marido nos posts do Hilan, mas seria interessante se tivesse maior interação dos próprios homens”, segundo Luíza. Ela também se entusiasma com o crescimento de espaços como as rodas de homens trocando fraldas, levando crianças para tomar vacinas e se juntando para ir em reuniões da escola. Mas sabe que isso acontece a passos lentos. E, apesar da maioria do público ser de leitoras, a ideia do casal é que haja um equilíbrio entre homens e mulheres. Por isso, a estratégia de Hilan de falar diretamente com homens, a partir de um ponto de vista paterno.

“E o que eu mais aprendo com eles é que não sou um adulto totalmente maduro. Vejo o quanto preciso crescer e ser uma pessoa melhor. Ao longo da vida a gente vai se complicando muito, mas as crianças trazem um resgate da simplicidade”.

E as crianças?

Benjoca, Sansa e Lupita. Se o público vai construindo uma relação de intimidade com as crianças, o contrário nem sempre é verdadeiro. E esse acordo ainda está sendo negociado dentro de casa. “Eles mesmo já sinalizam aquilo que não querem que a gente faça e pedem aquilo que acham legal compartilhar”, explica Luíza.
A mãe conta que os três são bem extrovertidos em casa, mas às vezes, quando abordados em espaços públicos por seguidores do blog, que perguntam ou comentam algo mais íntimo sobre a vida da família, as crianças morrem de vergonha e se retraem.

É inevitável que eles apareçam, mas estamos cada vez mais trabalhando para que o blog tenha mais a cara de nós, adultos, e menos das crianças, por conta da exposição deles.

Mas se tem algo que não está sob discussão é a segurança dos filhos. O casal não posta endereço, sinalização de onde vivem e nem informações sobre a escola do filho, para não gerar uma superexposição. Além disso, eles orientam os filhos a não darem nenhum tipo de entrevista ou informações na rua. “Quando escrevemos, também pensamos na maneira mais sincera possível, nos perguntando se eles vão gostar de ler aquilo quando crescerem”, aponta Luíza.

Reprodução Instagram / potencial gestante

Benjamin, Guadalupe e Constança. Eles têm sete, um ano e oito meses e quatro anos, respectivamente.

É verdade que de 2009 até aqui, o blog e todo o conteúdo compartilhado pelo casal nas redes mudou muito. “Talvez hoje em dia o nome Potencial Gestante nem combine mais, pois depois da Guadalupe acho que não terei um quarto filho”, garante Luíza. Apesar disso, o nome não parece ser o peso essencial desse projeto e sim todas as relações offline que são construídas por trás dele.

HIlan e Luíza têm vontade de ampliar o canal do Youtube, produzir mais vídeos e abrir o leque de possibilidades de comunicação com o público. “Quem sabe daqui a pouco elaborar um livro digital ou um programa”, sugere a blogueira. Para eles, sabendo que existem outros tipos de composições familiares com as quais eles ainda não dialogam tão bem, um dos pontos de debate é trazer mais representatividade.

Essa lição parece que eles mesmo já entenderam bem. Às vezes eles erram, outras acertam. Isso não faz deles pais e mães melhores ou piores, mas simplesmente aquilo que eles podem ser. E, em tempo, no meio de tantos sonhos e elucubrações para o futuro, Luiza põe os pés no chão e dá a dica que poderia dar: “Aproveite a infância do seu filho. Esteja no tempo em que está e no lugar onde está”. Do resto ninguém pode saber. Então, nos resta seguir acompanhando a trajetória da família Diener.

Resumo

“Não existe glamour, mas tudo pode ser mais leve e divertido”, diz Luiza Diener, idealizadora da página criada em 2009, com o intuito de compartilhar conteúdos relacionados à maternidade.
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