Pedagogos, pediatras e especialistas em desenvolvimento infantil concordam: brincar é importante. Mas afinal, por quê?
Tudo o que você sempre quis saber sobre o poder da brincadeira no desenvolvimento das crianças, segundo especialistas da área. Especialistas de diversas áreas ajudam a entender por que brincar é importante.
Que a brincadeira é imprescindível na vida de uma criança, todo mundo já sabe. Mas afinal, quais os verdadeiros impactos – cognitivos, emocionais e afetivos – do brincar no desenvolvimento infantil?
O nosso parceiroTempojunto fez um compilado de entrevistas sobre o tema. São especialistas, pesquisadores da infância, cineastas, pedagogos e profissionais da área que também já passaram pelo Lunetas. Eles respondem, com a certeza de quem vê os resultados de perto diariamente, qual é a influência de uma rotina de brincadeira para os pequenos e, do mesmo modo, como a ludicidade pode beneficiar os adultos.
1. Álvaro Leite, pediatra, professor titular da Universidade do Ceará e coordenador do Instituto da Primeira Infância
Álvaro explica que a brincadeira tem dois papéis importantes na relação de apego entre pais e filhos. Primeiro porque o brincar é um dos veículos de comunicação da criança com o adulto, e quando se mostra disponível para a brincadeira, o adulto “diz” à criança que ele se importa, que ele está atento a ela, fortalecendo os vínculos positivos.
Uma segunda função da brincadeira é auxiliar pediatras, psicólogos e especialistas a entender a relação de vínculo afetivo que há entre um adulto e um bebê ou uma criança que estejam então atendendo e observando. Bem como o grau de segurança, amor próprio e autonomia da criança. Por exemplo, o tempo que a criança “se solta” dos pais num ambiente estranho para brincar, se ela se volta para os pais para garantir a aprovação deles ao que ela está fazendo e a qualidade da brincadeira (se é saudável, construtiva ou se é muito desorganizada, desestruturada).Leia a entrevista completa.
2. Estela Renner, diretora do Filme “O começo da vida”, sobre o desenvolvimento das crianças nos primeiros mil dias
Olhar verdade para as crianças na primeira infânciae entender a importância do amor e dedicação no começo da vida é a receita para uma sociedade melhor.“Quando você dá atenção ao começo da história, ela pode mudar por inteiro”, defende Estela, diretora do documentário “O Começo da Vida”.
3. Tânia Fortuna, pedagoga, coordenadora do projeto “O que é a brincadeira”, da UFRJ e especialista em brinquedos
“Um brinquedo, uma brincadeira, um jogo, é tanto melhor quanto mais engendra mistério e oportuniza a ação (física ou mental). Assim, as condições em que é possível brincar são aquelas em que o indivíduo que brinca é sujeito da brincadeira, e não mero espectador, passivo, como também é provocado, desafiado”, explica Tânia ao iniciar nossa entrevista.
“Brinquedo é tudo aquilo que provoca a ação e interação da criança”
A rigor, nenhum brinquedo ou jogo pode ter este nome sem ação de quem brinca. Isto é, sem a brincadeira acontecer efetivamente.” Leia a entrevista completa.
4. Diego Adame, coordenador da Fundação Lego
Brincar é uma atividade que provoca um estado lúdico da mente. Por conseguinte, aprendizagem por meio do brincar é o processo de aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes neste estado lúdico. “É, portanto, a maneira mais surpreendente e criativa de aprendizagem”, explica Diego. Leia a entrevista completa.

5. Bruno Garcia, ator e diretor da peça “O Livro de Tatiana”, sobre a descoberta da adolescência
“A brincadeira é algo que deveria ser eterno”, defende Bruno.Como ator, ele teve oportunidade de acompanhar o público infantil durante seus primeiros trabalhos, ainda criança. Mais tarde, com as peças “Mogli” e “Ver estrelas” (respectivamente de 1992 e 1995), e agora novamente com “O livro de Tatiana”. Diante dessa experiência, o ator comenta como ele percebe mudanças nas crianças ao longo das décadas, ou então se somos nós adultos que mudamos nosso jeito de lidar com elas. “É claro que há um amadurecimento delas e o contato com a tecnologia, mas as crianças continuam crianças e antenadas com tudo que nós apresentamos a elas”, conta.Leia a entrevista completa.
“A brincadeira é algo que deveria ser eterno”
6. Flavia Merelas, advogada, especialista emDireito Digital e Direitos Autorais e da Imagem
Aqui,Flávia fala sobre a relação direta que a brincadeira tem, hoje em dia, com os recursos tecnológicos. Ela explica que atualmente a discussão não é mais sobre apresentar ou não a tecnologia para as crianças. Mas quais são os limites e como nós adultos temos que lidar com nosso papel de responsáveis também pela tecnologia mostrada a nossos filhos. Flavia ressalta o fato deque as crianças aprendem por imitação. E se elas nos vêm o tempo todo no celular, computador, tablet, smartphone, assim terão mais propensão a desejar esses recursos na hora da brincadeira.Leia a entrevista completa.
7. Renata Meirelles,educadora, documentarista e diretora do filme “Território do brincar”
“A brincadeira para a criança é quando ela se estabelece como ser. Ela e a si mesma na sua potência máxima. E é o brincar permite que essa conexão consigo e com o mundo aconteça o tempo todo”, afirma Renata. “A criança não brinca para se tornar algo, ela é na brincadeira uma conexão com ela mesma. Por outro lado, ao brincar, o adulto entra em contato com o próprio eu. Ou seja, a brincadeira pode conectar o adulto com sua própria expressão.”