Mães cientistas lutam para incluir licença-maternidade no Lattes

A luta do movimento "Parent in Science" é fortalecer os direitos das mulheres e evitar comparações com homens, que conseguem produzir mais
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  • Publicado em: 13.11.2018
da Redação

Quantas mães você conhece que aliam a carreira acadêmica com a maternidade? Para lutar pelos direitos dessas mulheres, nasceu o projeto “Parent in Science“, uma iniciativa da pesquisadora Fernanda Staniscuaski, do Rio Grande do Sul.

Em um estudo realizado por ela e ainda inédito em publicação, a bióloga analisa o resultado do impacto da maternidade na produção de mães da área acadêmica. A pesquisa aponta que cerca de 81% delas afiram que ter um filho afeta negativamente a carreira. Os dados do estudo foram apresentados recentemente em um evento da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe).

Outro ponto crítico apurado por Fernanda é que 54% das mães cientistas são as únicas responsáveis por cuidar dos filhos. A pesquisa entrevistou 1.299 mulheres docentes

Assinada pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), no Rio Grande do Sul, e por um grupo de mulheres pesquisadoras, uma carta foi enviada ao CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). O documento reivindica maior igualdade de acesso à concorrência de bolsas e financiamentos científicos no Brasil.

Uma das bandeiras da carta é a inclusão do período de licença-maternidade no currículo Lattes. O pedido sinaliza a importância de evidenciar a diminuição de projetos realizados e pesquisas publicas pelas mulheres naquele período. Assim, a luta do movimento é por fortalecer os direitos das mulheres e evitar comparações com homens cientistas em processos seletivos.

Exemplo disso é o próprio currículo de Pâmela, onde consta a seguinte frase: “Mãe de um filho de 14 anos, é atuante na causa das mulheres na ciência”.

A dupla jornada das mães

As limitações de gênero vivenciada pelas mulheres no meio acadêmico – e no mercado de trabalho de forma geral – também incidem sobre outra realidade: as disparidades entre homens e mulheres no que diz respeito à divisão do trabalho doméstico, que atualmente configura uma dupla jornada para muitas.

Nove em cada dez mulheres fazem algum tipo de tarefa no lar, enquanto sete em cada dez homens se envolvem nos afazeres domésticos

Os dados acima foram levantados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em relação aos tipos de tarefas realizadas, os homens só saem na frente no quesito pequenos reparos ou manutenções pontuais, como carro, eletrodomésticos ou outros equipamentos. Entre os homens, 65% se dedicaram a esse tipo de tarefa, contra 33,9% das mulheres. O tempo dedicado ao trabalho em casa também é bastante desigual entre um gênero e outro: mulheres trabalham o dobro, com 20 horas semanais contra apenas 11.

É preciso considerar que incidem sobre essa realidade quesitos como contexto sociohistórico, econômico, regional e político.

Leia a matéria do Lunetas sobre o assunto.

Resumo

A luta do movimento "Parent in Science" é fortalecer os direitos das mulheres e evitar comparações com homens, que conseguem produzir mais por não se ausentarem durante o pós-parto.
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