Número de cesáreas cresce, mas acesso desigual persiste, diz OMS

A projeção é que a taxa de cesáreas continue a aumentar no mundo, podendo chegar a 29% em 2030
iStock/arte Lunetas
  • Publicado em: 24.06.2021
da Redação

Cesarianas são procedimentos cirúrgicos essenciais para salvar vidas em situações em que partos vaginais representam riscos, há trabalho de parto prolongado ou obstruído, sofrimento fetal ou porque o bebê não está em uma posição normal. 

Como em toda cirurgia, podem apresentar riscos, incluindo potencial de sangramento intenso ou infecção, tempo de recuperação mais lento após o parto, atrasos no estabelecimento da amamentação e do contato pele a pele, e maior probabilidade de complicações em gestações futuras. Procedimentos cirúrgicos, quando realizados sem um bom motivo médico, podem ser prejudiciais tanto para a mulher quanto para seu bebê.

É por isso que os sistemas de saúde devem garantir o acesso oportuno para todas as mulheres para os casos em que são necessários, mas não devem usar esse recurso em excesso. 

Em todo o mundo, 21% das mulheres deram à luz por cesariana, o que corresponde a um em cada cinco partos. Na década de 1990, as taxas mundiais de cesarianas eram de cerca de 7%. Apesar disso, há discrepâncias significativas no acesso de uma mulher às cesarianas, dependendo de onde ela mora. As médias variam de 5% na África Subsaariana – o que indica subutilização ou uma falta preocupante de acesso a essa cirurgia – a 42,8% na América Latina e Caribe, ou seja, quatro em cada 10 – o que sugere uso excessivo. Em cinco países (República Dominicana, Brasil, Chipre, Egito e Turquia), as cesarianas superam os partos normais. Os achados fazem parte do estudo “Tendências e projeções das taxas de cesariana: estimativas globais e regionais“, recém-publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). 

A comunidade médica internacional considera entre 10% e 15% a taxa ideal de cesárea.

Além de apontar que as taxas de cesárea seguem em crescimento pelo mundo, o estudo aventa que o alto uso de cesarianas varia amplamente entre os países e dentro deles, podendo significar políticas e financiamento do setor de saúde; normas culturais; percepções, práticas, opiniões e crenças dos profissionais de saúde; conveniência; remuneração; taxas de nascimentos prematuros; qualidade da atenção à saúde; e preferências de mulheres e famílias.

A OMS ressalta a importância de focar nas necessidades exclusivas de cada mulher durante a gestação e o parto. “É importante que todas as mulheres possam conversar com os profissionais de saúde e participar da tomada de decisão sobre o seu parto, recebendo informações adequadas, incluindo os riscos e benefícios. O apoio emocional é um aspecto fundamental do atendimento de qualidade durante a gravidez e o parto”, afirma, em nota oficial, Ana Pilar Betran, médica da OMS e HRP.

Projeções para o futuro

O estudo indica ainda que este número tende a aumentar na próxima década, com quase um terço (29%) das mulheres em todo o mundo que darão à luz por cesárea até 2030 – 38 milhões de partos por cesariana anuais. As taxas mais altas provavelmente serão na Ásia Oriental (63%), América Latina e Caribe (54%), Ásia Ocidental (50%), Norte da África (48%), Sul da Europa (47%), Austrália e Nova Zelândia (45%).

“As tendências e projeções do uso de cesáreas em todo o mundo revelam que as sociedades atuais estão continuamente se movendo em direção à medicalização e supermedicalização do parto”, conclui.

Recomendações não clínicas que podem reduzir o uso desnecessário de cesarianas:

  • Intervenções educacionais que envolvem as mulheres ativamente no planejamento do parto, como oficinas de preparação para o parto; programas de relaxamento e apoio psicossocial quando desejado, para aquelas com medo da dor ou ansiedade, incluindo monitoramento e avaliação contínuos.
  • Uso de diretrizes clínicas baseadas em evidências, realização de auditorias regulares de práticas de cesariana em unidades de saúde e fornecimento de feedback oportuno aos profissionais de saúde sobre os resultados.
  • Exigência de uma segunda opinião médica para uma decisão de cesariana em locais onde isso for possível.
  • Um modelo de atendimento parteira-obstetra colaborativo, para o qual o atendimento é fornecido principalmente por parteiras, com apoio de 24 horas de obstetra dedicada.
  • Estratégias financeiras que equalizem as taxas cobradas para partos vaginais e cesarianas.

* O estudo “Trends and projections of caesarean section rates: global and regional estimates” é baseado em dados nacionalmente representativos de 154 países em todo o mundo de 1990 a 2018, retirados de relatórios de sistemas de informação de saúde de rotina e pesquisas domiciliares de suas bases populacionais, representando 94,5% dos nascidos vivos no mundo em 2018. Ele atualiza pesquisas publicadas em 2016 e, pela primeira vez, inclui projeções de tendências futuras, até 2030.

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Resumo

Número de cesáreas aumentou globalmente e a tendência é que siga crescendo, com projeção de chegar a 29% dos partos em 2030. Contudo, estudo alerta para o uso excessivo do recurso e aponta acesso desigual dependendo do país onde a mulher mora.
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