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Crescem mortes por armas, afogamento, queimadura e intoxicação

Embora número de mortes acidentais de crianças e adolescentes tenha diminuído de 2016 a 2017, outros tipos de ocorrência apresentam aumento significativo
Mortes por armas iStock/Arte Lunetas
  • Publicado em: 19.07.2019
da Redação

Constatar a redução do número de mortes por acidentes na faixa etária de zero a 14 anos, não significa dizer que estamos diante de um ambiente de mais atenção e segurança para os pequenos. Mesmo tendo passado de 3.733 casos fatais para 3.661 (queda de 1,93%), essa foi a menor queda na mortalidade na infância e adolescência por acidentes observada desde 2011.

A análise é da ONG Criança Segura, a partir de dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, por meio do Datasus 2017. “O fato deve ser observado com atenção pelos gestores públicos que cuidam das áreas da infância e adolescência em âmbito municipal, estadual e federal para evitar que esses casos voltem a aumentar no país”, sinaliza a ONG.

Os acidentes continuam sendo a principal causa de morte de crianças e adolescentes de um a 14 anos no Brasil, superando casos de doenças e violência, indica o estudo

Os principais motivos, que segundo especialistas poderiam ser evitados em 90% dos casos por meio de medidas simples de prevenção são trânsito (1.190), afogamento (954) e sufocação (777). “Esse cenário reforça a necessidade de campanhas educativas contínuas e ações com o poder público para a prevenção de acidentes com crianças”, afirma Vania Schoemberner, coordenadora de Desenvolvimento Institucional da Criança Segura.

“Esse cenário reforça a necessidade de campanhas educativas contínuas e ações com o poder público para a prevenção de acidentes com crianças”

Dados dos acidentes com crianças em 2017

Um dos motivos que fizeram a redução da quantidade geral de óbitos acidentais das crianças e adolescentes brasileiros ser pequena é que alguns tipos de acidentes apresentaram aumento significativo no número de casos fatais de 2016 para 2017, como os relacionados ao disparo acidental de armas de fogo (+ 95%), afogamentos (+4,49%), queimaduras (+3,83%) e intoxicação (+6,76). (Fonte: Criança Segura)

Número de mortes de crianças e adolescentes de zero a 14 anos no Brasil por tipo de acidente:

1º: Trânsito -1190
2º:Afogamento-954
3º: Sufocação-777
4º:Queimadura-217
5º:Quedas-181
6º:Intoxicação-79
7º:Armas de fogo-39
Outros: 224 Total: 3661

(Fonte: Datasus – 2017 / Análise: Criança Segura – 2019)

Faixa etária

Como explica a ONG Criança Segura, cada tipo de acidente afeta mais uma faixa etária específica, devido a fatores ligados ao desenvolvimento. Exemplo disso é que a principal causa de morte acidental de bebês de até um ano de idade é a sufocação, enquanto o trânsito representa o motivo mais fatal para crianças e adolescentes entre cinco e 14 anos.

Desde o início da fundação da ONG Criança Segura no Brasil, em 2001, a redução dos óbitos por acidentes de crianças de zero a 14 anos foi de 40,86%. Até 2017, o único tipo de acidente que apresentava aumento de ocorrências com vítimas fatais era a sufocação, predominantemente com bebês de até um ano.

Os dados recentes do Ministério da Saúde apresentam um movimento atípico de 2016 a 2017, segundo análise da instituição: as mortes de um a 14 anos por afogamento. Há um crescimento de 4,49% que contrasta com a redução de óbitos para a mesma faixa etária desde 2009.

“Um incremento alto pode ser notado na faixa etária de menores de um ano, que passou de 21 casos fatais em 2016 para 31 em 2017, o que representa um aumento de 47,62%. Entre a faixa etária onde os casos mais se concentram, de um a quatros anos, também houve aumento de 8%, passando de 407 casos para 439”, apresenta a ONG Criança Segura.

A classificação do tipo de afogamento que mais se destaca nos acidentes da infância  é “afogamento e submersão em águas naturais” – que inclui rios, córregos, mares, lagos, etc. O número de casos subiu de 339 em 2016 para 393 em 2017.

Armas de fogo

Apesar de grande parte da prevenção de acidentes domésticos estar sob a responsabilidade das famílias, que devem buscar um caminho próprio de cuidado de acordo com seu contexto de vida, rotina e possibilidades, há questões que extrapolam o debate no ambiente privado, como o caso do uso das armas de fogo.

Mesmo não sendo um peso significativo se comparado com o total de mortes de crianças e adolescentes, o número de óbitos por disparo acidental de armas de fogo passou de 20 para 39 em um ano, o que representa quase o dobro de 2016 para 2017. Os casos de aumento envolvem as idades de um a 14 anos, sobressaindo entre meninas e meninos de um a quatro – de 2 para 9 mortes, representando um aumento de 350%. Entre cinco e nove anos, o crescimento foi de 71,42% (7 para 12 mortes) e entre dez a 14 anos, de 8,88% (9 para 17 mortes).

Mesmo com números relativamente pequenos, o fato é que em todas as faixas etárias analisadas houve aumento de mortes por disparo acidental. De acordo com a ONG Criança Segura, esses dados devem se monitorados com atenção, especialmente com a mudança de legislação que pretende facilitar o acesso a armas de fogo no país.

A tentativa de flexibilização do Estatuto do Desarmamento como medida para o problema de Segurança Pública no Brasil esteve entre as principais promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, defende que os principais impactos disso na vida das famílias é o crescimento da violência intrafamiliar – como o favorecimento do feminicídio– , aumento de casos de acidentes com crianças envolvendo armas de fogo e mais vítimas em reações a crimes.

Entre o cuidado e a super proteção, há um limite que deve ser estudado e descoberto por cada adulto ao observar as crianças, algumas com maior noção de consequências e outras mais curiosas e ousadas.

Leia também:

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Acidentes domésticos: qual o limite entre o cuidado e o excesso?

 

Resumo

A análise de mortes acidentais é da ONG Criança Segura, a partir de dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde, por meio do Datasus 2017.
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