Infâncias plurais: vídeos sobre crianças brincando em casa

Publicado em: 02.09.2021

Brincando em casa

Durante a pandemia do coronavírus, ficamos isolados em casa e ela se tornou nosso refúgio e também nosso entretenimento. Nos curtas-metragens que você vai ver na sequência, a ideia central é brincar com os elementos que temos em casa ou se divertir com os espaços e móveis que existem nela. E, você, já descobriu a potência de diversão que sua casa possui?

Abaixo você encontrará uma coletânea com 4 vídeos sobre a temática para ver quantas vezes quiser. Divirta-se. Para mais informações sobre o projeto Infâncias Plurais, visite: www.lunetas.com.br/infâncias-plurais.

Casa em jogo [amarelo]

Ieltxu Ortueta - Cunha/SP

O que é possível fazer com todos os objetos amarelos que temos em casa? Casa em jogo, de Ieltxu Ortueta, convida crianças e adultos a criarem, de forma livre e lúdica, a partir de itens como uma meia, uma banana, um pincel, um lápis, um escorredor de macarrão – tudo amarelo! “Não costumo trabalhar com temas predeterminados, instiga-me mais a experimentação com materiais que não narram uma história, mas convidam a uma experiência aberta que se completa com a ação e a descoberta de cada criança”, conta Ieltxu.

O que criar depois de estar com tudo amarelo em mãos? Para o autor, a ideia é pensar em jogos ativos e analógicos que estimulem as crianças a saírem das telas e começarem a brincar. A própria gravação do vídeo foi uma brincadeira: com uma gambiarra, Ieltxu colocou a câmera no teto para gravar suas ações; intercalou os planos gravados com obras de arte famosas nas quais predomina o amarelo, mantendo a ideia do convite à criação artística.

Ele também fala da importância de ver a infância de forma horizontal: “Não podemos criar arte tutelada, precisamos olhar e agir junto com as crianças, como sujeitos singulares e protagonistas que são; propor experimentação não para ensinar nada, mas para estabelecer um diálogo”.

O artista, que trabalha com crianças desde 2015 – data também de seu primeiro trabalho, Flou! –, revela que busca a ação no tempo presente, de modo que o acontecimento se dê na relação direta com os pequenos. Seu interesse se estende igualmente ao papel dos adultos, que também fazem parte do que Ieltxu chama de “acontecimento criativo”. 

 

https://bit.ly/infancias-plurais-brincando-com-a-casa-em-jogo

Fio da meada

Sabrina Costa Barros e Edilene Aparecida Ferreira - Vinhedo/SP

Com a pandemia do novo coronavírus, fomos todos convocados a nos isolar dentro de nossas casas. Em Fio da meada, a partir dessa realidade e de uma valorização de memórias e estados de infância, duas artistas e educadoras constroem narrativas corporais que se relacionam e ressignificam o que há de cotidiano e familiar no ambiente da casa, explorando seu potencial lúdico e poético.

Sabrina Costa Barros e Edilene Aparecida Ferreira produziram o vídeo com a técnica de stop-motion, usando seus próprios celulares e um aplicativo para a captação. No processo de pós-produção, contaram com a orientação artística da equipe da jornada Infâncias plurais]. Segundo elas, “pensar na relação entre a forma e o conteúdo e realizar todas as etapas de produção foi bastante desafiador, cheio de testes e estudos”.

Sua participação na jornada se deu no intuito de valorizar a troca plural entre pessoas, profissionais, territórios, projetos e linguagens. Segundo as autoras, que já pesquisavam juntas o trabalho artístico, pedagógico e cultural para as infâncias, o Infâncias plurais chegou na hora certa como uma possibilidade de irem mais longe nesse caminho, com o suporte, a orientação e a inspiração de profissionais de referência.

Sabrina revela, aliás, que o tema faz parte de sua vida desde a licenciatura em dança, quando começou a observar as crianças para relembrar “aquele mesmo prazer pelo movimento, o desejo de expressão e a disponibilidade corporal para a vida” que tinha na infância e que a levou a traçar o seu percurso na área artística. Edilene também trabalha com a promoção de “encontros que considerem o brincar, as expressões singulares de cada criança e o seu protagonismo”.

A ideia das autoras é que o vídeo possa transmitir a mensagem de que a casa pode ser um brinquedo, de que “a imaginação é capaz de transpor os limites físicos das paredes que nos rodeiam e nos separam do mundo lá fora, quiçá cocriando um outro, melhor e mais amigável para todos”.

https://bit.ly/infancias-plurais-brincando-com-a-casa-fio-da-meada

Partes móveis: um pequeno ensaio sobre mover em casa

Fernanda Bertoncello Boff - Porto Alegre/RS

Partes móveis: um pequeno ensaio sobre mover em casa é uma videodança voltada para o público infantil que propõe uma ressignificação da casa e da sua mobília a partir de movimentos corporais. A própria infância de Fernanda Bertoncello Boff foi inspiração para a criação do vídeo. Para ela, investigar a casa em uma relação extremamente sensorial e inventiva era, sem dúvida, uma das coisas que mais gostava de fazer quando pequena. “Algumas das memórias mais marcantes que carrego comigo são de vezes em que estive em casa sozinha por longos períodos de tempo e, então, me permitia transformar os cômodos em universos mirabolantes, deixando a imaginação fluir”, destaca.

Em apenas um quarto com seus móveis, Fernanda experimenta movimentos na cama, no armário, no chão e revela que o essencial foi a espontaneidade, combinada a algumas estratégias de composição coreográfica. “Por meio da experimentação de movimentos, pude fazer registros prévios e elencar os momentos mais interessantes para a proposta e os que melhor dialogavam com as ferramentas do audiovisual”, explica a artista e educadora.

Durante a pandemia, a casa ganhou ainda mais funções e significados. Assim, o vídeo apresenta-se como um incentivo para que crianças e seus familiares explorem suas casas “com um olhar curioso, resgatando movimentos, dando atenção a esse corpo criativo”.

Fernanda conta que seu envolvimento com a temática da infância aconteceu principalmente quando entrou na universidade e começou a se dedicar aos campos da dança e da educação. Trabalha desde 2010 com a produção para e com o público infantil, atuando em inúmeros espetáculos.

https://bit.ly/infancias-plurais-brincando-com-a-casa-partes-moveis

Riscação

Camila Storck Leroy e Maria Beatriz Carneiro da Cunha de Souza Lima - ColetivaRecife/PE

Riscação é o registro de uma performance em que acontecem diversos jogos envolvendo corpo, grafismo e gravura. Com um grande rolo de papel branco esticado no chão e na parede do corredor de casa, lápis e tinta na mão, é hora de riscar!

Camila Storck Leroy e Maria Beatriz Carneiro da Cunha de Souza Lima, autoras do vídeo, fazem um convite para refletir sobre a ideia de que o movimento também é desenho e pode se manifestar de formas variadas. “Tudo que é vivo deixa rastro e o papel se torna campo de pouso do gesto.” A inspiração veio do projeto Varal, que desenvolvem juntas desde 2018, das palestras e dos debates oferecidos pelo Infâncias plurais e das experiências proporcionadas pelas aulas dadas de casa na pandemia, contam as educadoras.

O vídeo foi feito na casa da Camila e contou com a participação de sua filha, Morena. As autoras definiram que, enquanto a mãe filmava, a menina dividiria as cenas com Maria Beatriz, para que se sentisse mais à vontade. No fim das contas, tudo virou um processo só e as coisas foram fluindo “de uma forma dinâmica e muito bonita”, contam. Elas também escolheram conduzir as imagens com ângulos diferentes, propondo uma conversa com a trilha do vídeo. O principal desafio foi justamente “compor algo que fosse para, por, de e com criança”.

Camila e Maria Beatriz revelam que sempre tiveram o desejo de criar um projeto audiovisual artístico e que a participação no Infâncias plurais foi fundamental para conseguirem realizá-lo. Elas acrescentam que a atuação do Itaú Cultural e do Instituto Alana se alinha com suas pesquisas e práticas e é de extrema relevância para quem procura refletir sobre uma educação acessível para todos. “Nossa proposta é expandir e desautomatizar as produções infantis, pois acreditamos que são potenciais para um amanhã mais plural.”

Professoras de crianças de diferentes faixas etárias, as duas trabalharam com esse público também em galerias e museus desde o início de suas carreiras. Assim, o tema da infância sempre esteve presente em suas vidas profissionais e consideram que se trata de um território que precisa de atenção e respeito. Para elas, a infância não pode ser completamente romantizada, mas vista também como um espaço de discussão e desenvolvimento de valores fundamentais na sociedade atual e nas futuras: o respeito às diversidades, a empatia, o senso crítico e a autonomia.

https://bit.ly/infancias-plurais-brincando-com-a-casa-riscacao