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Crianças são indivíduos seguindo seus próprios passos na vida

É importante que pais e professores sejam detetives, procurando pistas no comportamento e nas conversas que revelem a natureza essencial da criança
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  • Publicado em: 19.09.2019
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“Suas crianças não são suas crianças.
Elas são os filhos e filhas da saudade
que a Vida tem dela mesma.
Elas vêm através de você mas não de você,
E apesar de estarem com você mesmo assim
elas não te pertencem.”
Kahlil Gibran

Quando meus dois filhos eram pequenos, cada um tinha seu livro favorito. Os livros que queriam que eu lesse sempre. Eles nunca pareciam se cansar das mesmas histórias e muitas vezes decoravam vários trechos. Meu filho adorava Ming Lo Move a Montanha, Todo Mundo Sabe Como se Parece um Dragão e A História sobre Ping. Por outro lado, minha filha adorava biografias sobre Martin Luther King Jr. e Helen Keller, qualquer história de superação e serviço à humanidade.

Hoje o meu filho é um acadêmico da língua chinesa, e a minha filha é uma professora e orientadora especializada em ajudar as pessoas a navegarem pelas dificuldades da vida. Eu conto essa história para ressaltar a importância de observar cuidadosamente e ouvir profundamente as crianças, pois elas revelarão o melhor modo de guiá-las.

Uma criança que chega ao mundo tem muito a aprender. Habilidades práticas como leitura, escrita, ortografia, informática, mas elas também têm a tarefa de descobrir o seu caminho no mundo, o seu propósito. Qual é a melhor forma para os adultos na vida delas oferecerem ajuda e conselho? Quais habilidades e conhecimentos são importantes para crianças adquirirem coletivamente e individualmente?

A palavra “educação” em latim significa “guiar para fora”.

Porém, muitas vezes crianças são vistas como recipientes vazios que precisam ser enchidos com informação.

Eu proponho que façamos a pergunta: Quem é essa criança e quais habilidades ela precisa para cumprir o seu propósito? Claro que todas as crianças precisam aprender o básico, mas habilidades e talentos podem ser usados em várias direções. Se eu tivesse insistido que a minha filha aprendesse mandarim, teria sido frustrante para ela e uma perda de tempo para mim.

Anos atrás, quando eu palestrava sobre educação, muitas vezes eu contava uma versão da história A Escola de Animais de George H. Reavis. É uma alegoria sobre os perigos da educação padronizada e de ignorar as qualidades distintas de cada criança. Minha versão incluía uma escola imaginária onde os alunos eram um coelho, uma ave e um peixe. As aulas incluíam corrida, natação e voo. Era esperado que o coelho, a ave e o peixe se tornassem mestres das três disciplinas. O coelho era um ótimo corredor, um nadador mediano, mas era terrível no voo. Ele passou o tempo todo tentando aprender a voar. Tanto que ele virou um corredor medíocre. A ave teve que trabalhar duro para aprender a nadar, enfraquecendo sua habilidade natural para o voo, e o peixe passou o tempo todo tentando correr e virou um péssimo nadador.

Claro que o ideal seria se cada criança pudesse ter uma educação totalmente personalizada, mas sabemos que isso não é factível em escolas lotadas e com professores sobrecarregados. Porém, não devemos subestimar o poder da percepção e das palavras, ou até de dar a uma criança um só livro sobre um assunto que a empolgue e motive na direção da sua paixão e propósito. Os professores que eu mais lembro foram aqueles que reconheceram a minha natureza interior e me guiaram na direção de conhecimentos e vivências que ajudaram a manifestar os meus pontos fortes.

Temos uma quantidade limitada de tempo e energia para cada dia, mas o mundo tem ficado cada vez mais complexo, e com essas mudanças as expectativas para as nossas crianças vêm aumentando. Para aliviar a cobrança sobre elas, é importante que pais e professores sejam detetives, procurando pistas no comportamento e nas conversas que revelem a natureza essencial da criança.

Quando uma criança se sente inspirada pelos seus próprios interesses, ela se torna uma participante do processo de aprendizagem com disposição e entusiasmo.

Resumo

Muitas vezes crianças são vistas como recipientes vazios que precisam ser enchidos com informação. Mas será que é isso mesmo? Educadora Ellen Tadd reflete sobre as expectativas que criamos sobre os filhos.
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