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Patrícia Marinho: transformando o desejo de brincar em negócio

"Acordar para ir trabalhar tendo o salário como principal benefício deixou de fazer sentido", conta Patrícia Marinho, do Tempojunto
Patrícia Marinho, fundadora do Tempojunto
  • Publicado em: 12.11.2015
  • Atualização: 15.06.2018
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Ganhar o próprio dinheiro, empreender fazendo o que gosta e tudo isso passando tempo de qualidade com os filhos. Já falamos aqui no Lunetas desse movimento crescente no Brasil que é o empreendedorismo materno, e do quanto é importante apoiar e fomentar esses negócios autônomos. Assim, contribuímos para que mais e mais crianças possam crescer com presença e cuidado.

Para que você, leitor, conheça mais sobre este universo, conversamos com a mãe empreendedora Patrícia Marinho, fundadora do nosso parceiro Tempojunto, projeto que disponibiliza soluções práticas para pais brincar com seus filhos, com e dicas de brincadeiras que podem ser feitas em qualquer lugar, situação, ou disponibilidade de tempo.

Confira!

  • Lunetas: Qual foi seu impulso para criar o Tempojunto?

Patrícia Marinho: Durante a minha segunda licença maternidade, percebi que precisava rever as minhas prioridades e encontrar um propósito claro para a minha vida.

“Acordar para ir trabalhar tendo o salário como principal benefício deixou de fazer sentido”

Passar mais tempo de qualidade com as minhas duas filhas, por exemplo, virou claramente uma dessas prioridades. Comecei a refletir mais sobre qual era o meu papel, como adulto, na formação dos filhos e redescobri a importância do brincar tanto para o desenvolvimento integral das crianças (físico, cognitivo, social e emocional) quanto para o fortalecimento do vínculo entre pais e filhos.

Comecei o blog para me obrigar a brincar mais (sem brincadeira não tem post, não é verdade?) e também para fazer um registro da infância das minhas filhas. Pouco tempo depois, diante da repercussão positiva, me deparei com o fato de que tinha tocado num ponto importante com o meu projeto: falta consciência por parte dos adultos de que brincar é importante. E falta tempo de brincadeira no cotidiano das crianças.

Quando eu descobri, numa pesquisa chamada “Percepções e práticas da sociedade Brasileira sobre a fase inicial da vida”, que só 19% dos adultos sabe que brincar é importante para o desenvolvimento, ficou claro quanto o Tempojunto poderia ser relevante e como o desafio de deixar o mundo mais brincante poderia ser o meu propósito.

  • Lunetas: Quando você descobriu que ele podia ser um projeto negócio?

Patrícia Marinho: Percebi que o Tempojunto seria um negócio quando entendi que existe uma demanda por mais brincadeiras na sociedade e eu posso desenvolver produtos e serviços capazes de suprir esta demanda. O livro Tempojunto – 100 brincadeiras incríveis  que lancei em outubro pela Matrix Editora é um exemplo disso. Também já lancei uma linha de produtos baseados nas fotos da família, em parceria com o Ateliê Digital Danada Lembrança. Estamos começando a realizar palestras e oficinas, ainda temos projetos com marcas que têm interesse pela causa do desenvolvimento das crianças e pela promoção do vínculo familiar.

Ou seja, quando percebi que uma ideia diferenciada e relevante, e mais, que eu tinha várias maneiras diferentes de gerar receitas com esses conteúdos, ficou claro que eu tinha um negócio nas mãos.

Duas meninas - uma bebê e outra com cerca de 7 anos, brincando em um balanço.
Arquivo pessoal

Gabi e Carol: brincadeiras para diferentes idades.

  • Lunetas: Como você avalia a situação do empreendedorismo materno atualmente?

Patrícia Marinho: De um lado, com extremo otimismo. A maternidade faz a gente refletir sobre valores essenciais e nos leva a desenvolver projetos por motivos que vão além da geração de lucro pura e simples. Eu participei do Artemisia Lab Primeira Infância e pude conhecer vários projetos assim, como o Casa de Viver, um espaço de coworking criado justamente para atender as demandas das mães que querem trabalhar sem descuidar dos filhos.

Por outro lado, fico triste quando vejo a forma amadora com que muitas mães se lançam  no empreendedorismo. No segmento de produção de conteúdo, por exemplo, é impressionante a quantidade de blogs maternos em que as pessoas publicam conteúdo alheio, sem dar o devido crédito, não se preocupam em checar as fontes de uma informação e que, ainda por cima, apresentam posts feitos só porque alguma marca mandou um kit de presente.

  • Lunetas: Quais conselhos você daria para uma mãe que quer empreender em um negócio como o seu?

Patrícia: Nossa, muitos! Primeiro, se prepare para enfrentar dificuldades. O mais complicado não é ter uma ideia boa, mas sim conseguir colocá-la em prática. Você vai precisar de planejamento para saber que caminho quer seguir e como fazer ajustes de rota à medida que as dificuldades aparecem. E não espere resultado da noite para o dia. Construir um negócio é correr uma maratona. Não é corrida de 100 metros.

“Tenha clareza sobre qual é a proposta de valor do seu negócio. O que você está oferecendo? Quem é seu cliente? Que problema do cliente você resolve?”

Como você ganha dinheiro resolvendo este problema? Por que alguém compraria o seu produto ou serviço e não o do concorrente?

Por último, não seja um herói solitário. Procure pessoas, fundações, ferramentas, cursos que irão ajudar a complementar as suas competências a fazer com que seja viável colocar o negócio de pé.

  • Lunetas: Qual o momento atual do Tempojunto? O que esperam para 2016?

Patrícia: O Tempojunto está deixando de ser uma startup para ganhar escala. Portanto, nosso foco são as iniciativas que vão assegurar a monetização do projeto sem que a gente se afaste um milímetro do nosso propósito. Mesmo com toda a situação macro econômica do Brasil, como ainda somos muito pequenos, acreditamos num aumento significativo tanto da audiência quanto dos produtos e projetos que vamos colocar na rua. O ano vai ser divertido por aqui.

 

 

 

 

Resumo

Patrícia Marinho, fundadora do Tempojunto, fala sobre sua experiência de empreendorismo. "Acordar para ir trabalhar tendo o salário como principal benefício deixou de fazer sentido. Passar mais tempo de qualidade com as minhas filhas virou minha prioridades", conta.
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