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Duas em cinco internações por covid-19 no país são de crianças

Um menino branco usa uma máscara azul e está deitado em um leito de hospital.

O perfil de quem é internado por covid-19 no país mudou. No primeiro semestre de 2022, o país registrou um total de 7.809 internações de menores de cinco anos e 90.206 de maiores de 60 anos – as crianças representavam três de cada 50 internados por complicações da doença no país. A partir de julho, duas a cada cinco internações por covid passaram a ser de crianças menores de cinco anos. As informações são do Observa Infância, laboratório de monitoramento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com base nos boletins epidemiológicos especiais disponibilizados pelo Ministério da Saúde. 

Os dados nos meses seguintes – entre 14 de agosto e 10 de setembro -, seguem a mesma tendência: 678 bebês e crianças menores de cinco anos foram hospitalizados com covid-19 no Brasil, quase o dobro dos 387 maiores de 60 anos internados no mesmo período. 

Já a média diária de óbitos por covid-19 caiu em 325% entre maiores de 60 anos, enquanto entre menores de cinco anos a redução foi de 250%.

“A cada dia que passamos sem vacinas aplicadas nessa faixa etária, mais de uma criança morre por covid-19 no Brasil” – Cristiano Boccolini, pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz

A vacinação para o grupo de crianças de três a cinco anos foi liberada em julho, porém foi prejudicada pela falta de imunizantes: a fabricação da CoronaVac (Butantan) foi interrompida no fim de junho, até então sem novos pedidos por lotes do imunizante por parte do Governo Federal, fazendo com que os calendários de vacinação infantil fossem adiados ou suspensos. Com o avanço da vacinação nos demais grupos, as taxas de hospitalização e mortalidade caíram em todas as faixas etárias, mas entre menores de cinco anos a queda é mais lenta. 

 

Breve histórico da vacinação infantil contra covid-19 no país

  • 16 de dezembro: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera a vacinação para crianças de cinco a 11 anos com o imunizante da Pfizer
  • 14 de janeiro: primeira criança é vacinada no Brasil. Davi Seremramiwe Xavante, de 8 anos, recebeu o imunizante da Pfizer
  • 20 de janeiro: Anvisa libera o uso emergencial da CoronaVac (Butantan) para vacinação em crianças de seis a 12 anos
  • 13 de julho: Anvisa libera o uso emergencial da CoronaVac (Butantan) para vacinação de crianças entre três e cinco anos
  • 16 de setembro: aprovado pela Anvisa o uso do imunizante da Pfizer voltado às crianças entre seis meses a quatro anos de idade; ainda não há previsão de início para a vacinação

Apesar da aprovação da Anvisa para uso da CoronaVac em crianças de três e quatro anos, apenas 2,5% da população com essa idade havia recebido as duas doses da vacina até 23 de setembro. É importante ressaltar que a imunização é um pacto coletivo, que deve ser cumprido por pessoas de todas as idades.

“Se imunizarmos crianças e adolescentes, somado à imunização dos adultos, vamos criar um cinturão de saúde pública em que conseguiremos eliminar as complicações graves e mortalidade por covid, para que seja possível conviver com a doença sem medo de morte e sequelas. Quanto mais ampla for a cobertura, melhor para todo mundo”, conta Antônio Condino-Neto, médico imunologista, professor e pesquisador. 

A vacinação infantil não é uma opção, mas um direito de todas as crianças. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê como “obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”. O Instituto Alana reforça que a imunização massiva auxilia na garantia do direito à vida e à saúde.

* Com informações de Fiocruz.

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