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O que sonham os estudantes brasileiros?

Imagem de um bebê segurando dois cataventos, um azul e outro amarelo, em um campo aberto.

Ser estudante no Brasil é viver experiências muito diferentes, marcadas pela desigualdade do lugar onde se nasce, pela escola que se frequenta e pelas oportunidades encontradas no caminho. Ainda assim, a jornada escolar que atravessa infância e adolescência, é um período cheio de possibilidades. Inclusive, a de sonhar. Como anda a capacidade dos estudantes de imaginar e sonhar com o futuro? Esse futuro pode ser uma escola mais inovadora, uma profissão, uma aventura, um desejo que faz parte do universo lúdico da infância…

O Brasil possui 46 milhões de estudantes matriculados na educação básica, que inclui educação infantil até o ensino médio, segundo o Censo Escolar 2025. Cerca de 8 em cada 10 estão na rede pública, que reúne quase 37 milhões de alunos e concentra a maior parcela dos estudantes de famílias de menor renda.

Mas, afinal, o que sonham os estudantes brasileiros ouvidos pelo Lunetas?

‘Passeio de unicórnio e estrogonofe diário’

“Meu sonho é andar em um unicórnio ou em um cavalo. Na escola, gostaria que tivesse ‘miojo’.”

Isabela Barbosa Santana, 5 anos
matriculada na educação infantil na rede municipal de São Paulo

“Queria que tivesse estrogonofe todo dia na escola e que as capas dos cadernos não saíssem nunca. Também seria bom sempre ter brinquedos para brincar.”

Isaac Barbosa Santana, 7 anos
aluno do 2º ano da rede municipal de São Paulo

‘Quadra e maquiagem’

“Eu queria que na minha escola tivesse mais uma quadra pra gente jogar vôlei. Também queria que o parquinho fosse maior, porque ele é muito pequeno. Queria também que a gente pudesse voltar a segurar os bebês [da educação infantil]. Antes a gente podia, agora não deixam mais. Meu outro sonho é ter todas as maquiagens da Sephora, eu amo blush e gloss.”

Manuela Malavazi, 9 anos, aluna do 4º ano da rede particular em Louveira (SP), fala sobre seus sonhos e desejos para o futuro e para a escola.

‘Que a escola desperte sonhos e talentos’

“Meu maior sonho é trabalhar com audiovisual. Foi dentro da minha própria escola, através de um projeto criado pelos estudantes que eu descobri essa paixão. Sonho em trabalhar com cinema junto com a educação, produzindo filmes, projetos e experiências que possam contribuir com a formação de outras pessoas. Produções minhas já foram selecionadas para diferentes festivais de cinema do Brasil, inclusive para o Festival de Cinema de Gramado, um dos maiores da América Latina. É muito significativo para mim que algo que começou dentro da escola pública pode chegar tão longe.

Por isso, o que eu desejo para a escola é que ela seja um lugar onde os estudantes não apenas aprendam conteúdos, mas descubram possibilidades, que possam descobrir talentos, interesses e sonhos que talvez ainda nem soubessem que tinham. Porque é realmente esse o papel da educação, despertar isso na gente.

Às vezes, o estudante não está desinteressado por tudo, ele só ainda não encontrou aquilo que desperta alguma coisa nele. Se pudesse, mexeria na forma como o ensino em tempo integral funciona no cotidiano. A questão não é simplesmente passar oito horas na escola, é o que a gente faz com essas oito horas? O ensino integral precisa ser cada vez mais uma experiência integral, com mais equilíbrio entre a teoria e a prática, entre escutar e fazer, entre aprender um conteúdo e conseguir transformar aquilo em alguma coisa, mais momentos de criação, de experimentação, de troca e participação.”

Arthur Campos, 16 anos, aluno do 9º ano da rede pública do Recife (PE), fala sobre seus sonhos e desejos para o futuro e para a escola.

‘Mais investimento na escola’

“Meu maior sonho é ter liberdade financeira, e a caminhada até lá é composta por vários micro sonhos. Um deles é estudar bastante para conquistar a carreira dos sonhos, que é ser professora universitária. Para minha escola, meu maior desejo é que tenha mais investimento. A escola conta com ótimos professores e alunos, mas ambos acabam sendo limitados, principalmente pela falta de materiais pedagógicos.

Outra questão seria a carga horária. Sei que esse problema está mais relacionado ao sistema de ensino, porém a escassez de matérias e recursos essenciais, como história, geografia, biologia, química etc, não só prejudica os alunos, como também impede que os professores consigam desenvolver todo o conteúdo necessário. Creio que isso também pode acabar desanimando os professores durante as aulas. Como a escola é de tempo integral, seria interessante repensar a distribuição da carga horária, reduzindo ou substituindo atividades que poderiam ser consideradas menos essenciais, por um curso técnico ou atividades extracurriculares que tragam mais utilidade e preparação para o futuro dos alunos.”

Fernanda Myrelle, 17 anos, aluna do ensino médio da rede pública de Arapiraca (AL), fala sobre seus sonhos e desejos para o futuro e para a escola.

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