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Para fugir das birras: 7 perguntas para usar no lugar das broncas

Foto em preto e branco mostra criança com lágrimas escorrendo.

Comunicação afetiva, comunicação não violenta, disciplina positiva. São muitos os termos que designam este tipo de abordagem educativa baseada na empatia pela criança e que podem ajudar na hora de lidar com a chamadas birras.

Cada vez mais, é consenso entre os pesquisadores do desenvolvimento infantil que se a criança está chorando ou esperneando porque quer alguma coisa, não é porque ela é manipuladora, e sim porque tem demandas reais e carências que precisam ser percebidas. O choro, muitas vezes, é a forma de comunicação da criança, que ainda não desenvolveu os mecanismos sociais de argumentação e diálogo.

Por isso, na hora da birra, longe de querer controlar os instintos da criança – principalmente porque isso nem é passível de ser feito -, que tal investir em diálogos genuínos e interessados pelas questões que os pequenos nos apresentam?

Para Thiago Queiroz, autor do canal Paizinho Vírgula e especialista em criação com apego, praticar a disciplina positiva tem muito mais a ver com os próprios pais e cuidados do que as crianças. Afinal, ela requer disposição para desconstruir alguns conceitos do que se entende por “educar” e” disciplinar”, que não tem a ver com regras ou rigidez de conduta, e sim com liberdade para conversar abertamente, tempo de dedicação e espaço para o afeto.

“Mas como fazer isso quando eles estão gritando sem parar?”, você pode estar se perguntando.

Algumas vezes, também faz parte do papel de pai e mãe entender que não se pode contornar e resolver tudo sempre (e isso vale para a birra). Porém, quando se tem disponibilidade emocional para mostrar às crianças que você está ali para ajudá-la e não para limitá-la, é um grande passo para a construção de uma relação realmente significativa.

Sem receitas nem fórmulas prontas e sem a pretensão de ser o caminho infalível para criar filhos obedientes, as perguntas abaixo podem ajudar a encontrar um norte naqueles momentos em que a paciência parece ter ido embora de vez. Às vezes, é melhor oferecer perguntas do que respostas ou – pior ainda – regras prontas. Elas abrem caminho para o diálogo e estabelecem uma relação saudável de parceria.

“Por que você não tenta outra coisa?”

Se as crias estão enlouquecidas jogando um brinquedo no chão ou tentando encaixar uma peça que simplesmente não encaixa e ficam agressivas por isso, ao invés de dizer “não é assim!”, que tal tentar oferecer alternativas, como mostrar uma nova brincadeira?

“Tem certeza de que essa é a melhor opção?”

Seu filho está prestes a cair da cadeira ou escorregar do sofá. O que você faz? Se descabela e grita para ele sair dali, certo? Porém, muitas vezes, as crianças só querem se sentir protegidas, e o simples fato de o adulto apontas novas direções e indicar que pode haver perigo naquela situação, já é o suficiente para que elas conheçam outras possibilidades e possam repensar suas escolhas.

“Por que você está se sentindo assim?”

Sabe quando os pequenos emburram e não tem jeito de fazer eles voltarem a sorrir e brincar? Uma cena clássica de birra. A tentação é de aplicar logo o “a gente conversa quando chegar em casa”. Mas a comunicação corporal das crianças diz muito sobre o que estão sentindo e vivendo. Demonstrar interesse é o primeiro passo para uma relação familiar pautada em respeito, empatia e segurança para se dizer o que sente.

A comunicação corporal das crianças diz muito sobre o que estão sentindo e vivendo. Entender a birra passa por aí.

“Se machucar não é legal, lembra como foi da última vez?”

Quantas vezes as crianças não repetem as mesmas condutas perigosas sem se dar conta? Coisas como cair daquele degrau mais alto ou escorregar da árvore que não sustenta o seu peso. O fato é que as crianças aprendem muito mais com o corpo do que com palavras. Por isso, quando eles insistirem em tentar escalar aquela mesa de plástico que você que vai causar um acidente daqueles, que tal lembrar as crianças do que aconteceu da última vez? Vale lembrar também das privações que um machucado pode trazer, como parar de brincar porque vai sentir dor, por exemplo.

“Eu entendo a sua vontade. Vamos fazer isso outro dia?”

“Mas eu quero!”. Esta talvez seja a frase mais ouvida pelos pais de todo o mundo. Se a resposta for o tão praticado “eu já falei que não!”, já é o suficiente para desencadear uma crise de birra que pode durar horas e estragar o tempo em família. Por mais que seja difícil no calor do momento, é papel do adulto não perder o controle da situação a ponto de uma conversa se transformar em uma gritaria em que ninguém se ouve. Sugerir para fazer aquilo outro dia ou para comprar determinado brinquedo em outra situação pode ser o caminho para desviar a atenção da criança para outras possibilidades. Além disso, demonstrar que você, como pai ou mãe, está chateado com a criança por conta da insistência, mostra uma vulnerabilidade que é bem-vinda para estabelecer vínculos com os pequenos, afinal, todo mundo pode ficar triste, e não é só porque o brinquedo que a gente quer não vai vir agora, não é mesmo?

“Quer me ajudar?”

Essa é para aqueles momentos que as crianças estão ansiosas porque querem fazer determinada coisa naquele exato instante, como brincar junto ou sair para passear, e os pais estão ocupados trabalhando ou fazendo alguma tarefa de casa. No lugar de gritar para eles pararem de te amolar e parem já de fazer birra, já pensou em sugerir cooperação? Envolver as crianças naquilo que você está fazendo é mais efetivo (e afetivo) do que dizer apenas “papai está ocupado”. Mostre a eles que sua tarefa é importante e é preciso terminar uma coisa antes de começar outra, ofereça a oportunidade de participação, mostre empatia com sua ansiedade. Mesmo que eles não vão de fato te ajudar a terminar aquele relatório da firma, é bem possível que eles se sintam mais acolhidas só por ouvir você dizer que gostaria da ajuda deles. Além disso, mostra que os pais também precisam de apoio e que a família é parte fundamental disso.

“Você quer brincar lá fora?”

É muito comum as crianças ficarem obcecadas com objetos ou situações que não são apropriadas, como brincar com algo que quebra ou insistir em usar computador, tablet e celular quando você já falou que não. Porém, o “não” afasta mais do que comunica. E aí vem a birra. Uma comunicação efetiva com a criança passa por oferecer alternativas sempre que possível. O famoso “não pode!”, poder ser substituído por caminhos mais propositivos, como “vamos brincar lá fora?”. A energia das crianças se acumula se eles estão entretidos, mas também se dissipa se eles tiverem outras possibilidades de brincadeira.

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