Apps para crianças: ‘é só um joguinho’ ou é publicidade velada?

Pesquisa aponta que mesmo apps descritos como “educativos” contêm propaganda, principalmente os indicados para abaixo de cinco anos

Da redação Publicado em 22.07.2019
Imagem de um garoto sentando no sofá com as pernas para cima. Ele esta com um celular em mãos jogando.
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Resumo

Será que estamos por dentro de tudo que as crianças acessam quando baixam aplicativos? De acordo com uma pesquisa publicada, em 2018, pela Universidade de Michigan (EUA), 95% dos apps para crianças apresentam publicidade, considerada manipuladora e disruptiva.

Quem passa poucos minutos ao lado de uma criança com um celular na mão sabe qual o resumo da brincadeira: apps infatis, “bum, bum”- arminhas de fogo tentando acertar algum alvo – e inumeráveis sugestões de produtos comerciais. Considerando o tipo de conteúdo oferecido às crianças pelas telas, quando o assunto é crianças e telas, quais os mitos e riscos dessa exposição? Será que estamos mesmo por dentro de tudo o que é dirigido a elas por esses programas?

Apps para crianças x publicidade infantil

De acordo com uma pesquisa publicada, em 2018, pela Universidade de Michigan (EUA), 95% dos apps para crianças apresentam publicidade infantil. O estudo aponta que mesmo aplicativos descritos como “educativos” mantêm a prática – manipuladora e disruptiva, segundo os pesquisadores – e os mais frequentes são os indicados para idade abaixo de cinco anos.

Direito das crianças 

Publicidade em aplicativos infantis é ilegal e fere os direitos da criança.

O artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor estabelece que a publicidade para crianças menores de 12 anos é uma prática abusiva.

A Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos das Crianças e Adolescentes reforça que é ilegal e abusivo direcionar publicidade ou “comunicação mercadológica” a essa faixa etária.

Acesse o site do Criança e Consumo para realizar denúncia de conteúdos abusivos. (Fonte: Laboratório de Educação)

Os resultados da pesquisa sobre publicidade em apps para crianças apresentaram números mais precisos sobre a exposição: dos 135 aplicativos analisados, 129 (95%) continham pelo menos um tipo de publicidade. Estes incluíram o uso de conteúdos comerciais (42%); teasers inteiros de aplicativos (46%); anúncios publicitários interrompendo o jogo (por exemplo, pop-ups [35%] ou para desbloquear itens de jogo [16%]).

Além disso, continham compras no aplicativo (30%); pedidos para avaliar o aplicativo (28%) ou compartilhar em mídias sociais (14%); anúncios que distraem, como banners na tela (17%) ou anúncios ocultos com símbolos enganosos, como “$”, ou camuflados como itens de gameplay (7%).

Por um lado, é difícil blindar a criança de todos os efeitos negativos gerados pelo acesso às telas de tablets, celulares e mesmo televisão. Por outro, a tecnologia traz consigo potenciais educativos e de desenvolvimento. Considerando que os anúncios podem ser confusos para o senso crítico em construção das crianças, esse passou a ser um tema frequente abordado pelo Lunetas para orientar famílias, cuidadores e educadores. 

Método de pesquisa

Para criar um livro de códigos de análise seguro, os pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) baixaram e reproduziram 39 aplicativos indicados para crianças de 12 meses a 5 anos. Para cada aplicativo, dois pesquisadores fizeram testes, tomando notas detalhadas sobre o design dos anúncios. Os códigos produzidos inicialmente foram aplicados nos 96 apps gratuitos e pagos mais baixados na categoria 5, na loja do Google Play. (Fonte: Jornal de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento) 

Os pesquisadores também afirmam que a publicidade foi significativamente mais prevalente em aplicativos gratuitos (100% versus 88% dos aplicativos pagos), mas ocorreu em taxas semelhantes em aplicativos rotulados como “educacionais” em comparação com outras categorias. Isso sugere aos pais e cuidadores ter atenção ao baixar jogos e aplicativos, verificando não apenas as descrições apresentadas, mas também buscando fazer testes de avaliação junto com as crianças.

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